Psicogerontologia: história e características

maio 24, 2020
A psicogerontologia é um ramo da psicologia que evoluiu muito nos últimos anos, graças ao crescimento de um setor da população e de suas necessidades particulares. Falamos dos idosos, e do que a psicologia pode fazer por eles.

A psicologia é uma ciência que estuda, entre outras áreas, os campos afetivo, cognitivo, emocional e comportamental dos indivíduos. Além disso, possui vários ramos para ordenar o conhecimento. Um deles é a psicogerontologia.

A psicogerontologia é a ciência que estuda o envelhecimento a partir do ponto de vista psicológico. Assim como existem psicólogos para crianças, existem psicólogos especializados nos problemas dos idosos. Neste artigo, explicaremos qual é a origem da psicogerontologia e falaremos sobre as suas características. Além disso, mostraremos os benefícios de contar com a ajuda de um psicogerontologista.

“Amamos as catedrais antigas, os móveis antigos, as moedas antigas, as pinturas antigas e os velhos livros, mas nos esquecemos por completo do enorme valor moral e espiritual dos idosos”.
-Lin Yutang-

História da psicogerontologia

A psicogerontologia não possui um marco histórico que defina a sua origem. Portanto, para contextualizá-la, analisaremos dois pontos: a psicologia científica, que se originou com Wundt em 1879, e a gerontologia, com Metchinikoff em 1903.

Hoje, estamos testemunhando um fenômeno que está dando cada vez mais relevância à psicogerontologia: os países desenvolvidos têm uma população cada vez mais velha. Além disso, acompanhando o aumento da expectativa de vida, houve uma queda drástica na taxa de natalidade em muitos países.

Assim, as próprias circunstâncias alimentaram a necessidade de estudar os idosos. Como resultado, as intervenções voltadas para esse setor da população foram melhorando.

Por outro lado, muitos pesquisadores contribuíram para a psicogerontologia, uma das figuras mais importantes sendo o  professor James Birren. Ele formulou que, assim como a gerontologia se ocupa da velhice, a psicologia do envelhecimento deveria se ocupar do estudo dos processos que ocorrem durante o ciclo da vida e dos processos de estabilidade e mudança, além das variáveis ​​cognitivas, motoras e emocionais dos idosos.

História da psicogerontologia

Características da psicogerontologia

A psicogerontologia se caracteriza por diferentes elementos ou pontos. Vejamos alguns deles a seguir:

  • Estuda o desenvolvimento do ciclo de vida. A psicogerontologia anda de mãos dadas com a psicologia evolutiva, que estuda como as pessoas se desenvolvem ao longo da vida.
  • Promove o envelhecimento ideal. A psicogerontologia tem como objetivo promover a saúde e prevenir doenças ou torná-las mais suportáveis ​​para os idosos.
  • Promove o bem-estar dos cuidadores de idosos. A psicogerontologia não se preocupa apenas com o idoso, mas também com as pessoas ao seu redor. Assim, promove o bem-estar de ambas as partes.
  • Educa. Através da psicoeducação, gera aprendizado nos idosos para que eles saibam gerenciar seus pensamentos, comportamentos e emoções. Além disso, também facilita o estudo nessa idade para os interessados.
  • Pesquisa tudo relacionado a pessoas idosas.
  • Intervenção. Muitas das intervenções que propõe são baseadas na psicologia clínica e na psicologia social. Assim, utiliza tanto técnicas de trabalho em grupo quanto de psicoterapia individual. Também intervém em famílias e centros de convívio.
  • Protege os direitos através da psicologia jurídica, especialmente em processos de incapacidade legal. Além disso, ajuda a promover o bem-estar dos idosos por meio de serviços sociais que enfatizam sua saúde, cultura e lazer.

O profissional dedicado à psicogerontologia é o psicogerontologista. Para se tornar um, ele primeiro estuda psicologia e depois se especializa nessa área.

Além disso, a psicogerontologia não se dedica apenas ao que mencionamos acima. Ela também intervém no campo organizacional. Como? De acordo com o artigo de Luis Santamaría, no qual ele fala sobre o papel do psicólogo na psicogerontologia, o psicogerontologista intervém em processos de seleção, avaliação, orientação, formação e desenvolvimento dos profissionais que trabalham com idosos.

Da mesma forma, pesquisa o mercado para estudar as necessidades da população idosa. Por exemplo, através de programas e projetos gerontológicos.

Casal de idosos fazendo caminhada

Benefícios de ter este ramo da psicologia

O fato desse ramo da psicologia existir traz grandes benefícios. Entre eles, podemos citar:

  • Poder contar com avaliação, diagnóstico, tratamento e intervenção em idosos quando eles tiverem dificuldades ou desejarem aprimorar habilidades nos níveis cognitivo, afetivo, funcional, social e comportamental.
  • Prevenção de doenças e promoção da saúde na comunidade e nos idosos, com o objetivo de “dar vida aos anos”.
  • Pesquisa e ensino em psicogerontologia para que haja um avanço no conhecimento desta ciência.
  • Assessoria e consultoria voltadas para instituições de idosos.
  • Atenção direta a idosos, familiares e trabalhadores.
  • Formação para trabalhadores, cuidadores e idosos.
  • Proteção sócio-legal de idosos.
  • Mediação familiar.
  • Prevenção de demências.
  • Psicoestimulação.
  • Terapia de validação afetiva.
  • Grupos de apoio.

Além disso, a psicogerontologia oferece seleção, formação e prevenção do estresse para os cuidadores. Isso é algo maravilhoso, porque não apenas atende as pessoas mais velhas, mas também se preocupa com as pessoas ao seu redor.

O fato de existir um ramo da psicologia dedicado aos idosos é uma ótima notícia para um setor cada vez mais amplo da população. Através deste ramo, é possível abordar o idoso de uma maneira mais adequada e precisa. Além disso, supõe uma preciosa oportunidade de trabalho para o psicólogo, devido ao grande valor que essa especialidade pode contribuir para a sociedade.

  • Santamaría Montalvillo, J.L. (2004). Rol del psicólogo en gerontología: El psicólogo en el proceso de envejecimiento. Vejez y calidad de vida. Documento elaborado por el COP Bizkaia.
  • Mielgo Casado, A., Ortiz Muñoz, MD; Ramos Noesí, C. (2001) El rol del psicólogo que trabaja con personas mayores. Definición y desarrollo profesional. Intervención psicosocial, 10 (3), pp. 395-409.