Psicologia da educação: características e teorias

A psicologia da educação se encarrega de estudar como aprendemos e como ensinamos. Conheça mais sobre esse ramo da psicologia e seus modelos!
Psicologia da educação: características e teorias

Última atualização: 07 maio, 2022

A psicologia da educação ou psicologia educacional é uma disciplina que tem como objetivo compreender e explicar os processos de ensino e aprendizagem. Assim, ela permite responder a questões como, por exemplo: Como aprendemos? Como ensinamos?

Além disso, como podemos aprender e ensinar melhor? Neste artigo, vamos definir o escopo de ação desse ramo da psicologia e falar sobre os modelos mais importantes que surgiram a partir dessa disciplina.

“A aprendizagem é um tesouro que segue o seu dono ao longo da vida.”

-Anônimo-

Psicologia da educação: origem e conceituação

Antes de entrar na definição de psicologia da educação, vamos falar sobre a sua origem. Coll é um dos autores que aborda, pela primeira vez, a disciplina da psicologia da educação, em 1990. Por meio desse trabalho, encontrou duas evidências:

  • A psicologia da educação é um conhecimento que tem a ver com a aplicação dos princípios e explicações da psicologia à teoria e à prática educacional.
  • Há divergências em quase todo o restante: em que consiste a sua aplicação, qual conteúdo inclui, que relação tem com outras áreas da Psicologia, etc.

Uma das características que penalizou a conceituação e o reconhecimento da psicologia da educação é a sua falta de identidade. Uma identidade com arestas difusas em três pontos:

  • O seu nascimento deu origem a uma disciplina entre a psicologia e a educação.
  • Não há concordância entre os diferentes especialistas quanto a ela ser um conhecimento básico ou aplicado.
  • A variedade de modelos em que se fundamentou para a construção dos seus saberes.
cérebro de uma criança

Em que consiste a psicologia da educação?

Apesar do que foi dito, a psicologia da educação foi pouco a pouco se definindo e consolidando e, atualmente, é uma disciplina bastante sólida no campo psicológico e também no educacional. É possível defini-la como o ‘ramo da psicologia que se encarrega do estudo dos processos de mudança que surgem na pessoa, como resultado da sua relação com instituições educativas formais ou informais (escola, família, etc.)’.

Por causa da sua própria natureza, a psicologia da educação está intimamente ligada à psicologia do desenvolvimento. Esta última estuda as fases evolutivas do ser humano, as capacidades, habilidades e progressos que são vivenciados a cada momento, de tal forma que se possa evidenciar se há algum problema e propor intervenções para facilitar o aprendizado.

Por outro lado, a psicologia da educação difere da psicopedagogia, por exemplo, tendo em vista que esta última se orienta ao estudo dos processos psicológicos envolvidos na aprendizagem e no ensino ao longo da vida. Por outro lado, a psicologia da educação também se concentra em analisar as formas de aprendizagem do ser humano, bem como as formas de ensinar.

Dedica-se também a analisar a eficácia das intervenções educativas, tendo como objetivo melhorar as diferentes intervenções. Em suma: a psicologia da educação estuda como as pessoas aprendem; além disso, também pode voltar a sua atenção para subgrupos de alunos ou estudantes, tais como crianças com altas capacidades ou crianças com algum tipo de deficiência (intelectual, sensorial, etc.).

“Se uma criança não consegue aprender do jeito que ensinamos, talvez devêssemos ensinar da forma que ela aprende.”

-Anônimo-

Teorias da psicologia da educação

Existem diferentes teorias e modelos que se enquadram na psicologia da educação. Vamos falar sobre os mais relevantes.

Modelos comportamentais

Dentre os modelos comportamentais, os primeiros a surgir nesta disciplina, encontramos: o modelo de condicionamento clássico de Watson, o modelo de condicionamento instrumental de Thorndike e o modelo de condicionamento operante de Skinner.

O modelo de condicionamento clássico de Watson

O famoso condicionamento clássico de John B. Watson. Watson (1878-1958), a partir do trabalho de Pavlov (1849-1936), verificou como se estabelecem as ligações entre os estímulos e respostas reflexas, inicialmente independentes entre si. De acordo com o seu modelo, também se observam efeitos de generalização a outros estímulos neutros semelhantes ao estímulo condicionado.

O modelo de condicionamento instrumental de Thorndike

De acordo com Thorndike, a aprendizagem surge como resultado da prática e do exercício repetidos em inúmeras situações de emparelhamento de E-R (estímulo-resposta). Assim, a aprendizagem complexa é o resultado final de uma longa história de pequenas conexões por suas consequências.

Modelo de Skinner: condicionamento operante

O modelo de Skinner (1904-1990) estabelece que a aprendizagem ocorre em função de suas consequências. Skinner, juntamente com seus colaboradores de Harvard, aplicou os princípios básicos da Análise Experimental do Comportamento e sugeriu uma série de estratégias educacionais relacionadas às técnicas de modificação do comportamento. Dentre elas, destacam-se as seguintes:

  • Modelagem.
  • Atenuação.
  • Encadeamento.
  • Sistema de economia de fichas.
  • Autorregulação ou autocontrole.

Modelos cognitivos

Dentre os modelos cognitivos da psicologia da educação, encontramos: a teoria social cognitiva de Bandura, os modelos de processamento da informação e a teoria da aprendizagem cumulativa de Gagné. Em que consiste cada uma dessas teorias?

A teoria social cognitiva de Bandura

De acordo com o psicólogo canadense Albert Bandura (1925), o comportamento é controlado pela pessoa por meio de processos cognitivos e pelo ambiente, através de situações sociais externas. Bandura chamou essa visão de “determinismo recíproco”.

O psicólogo enfatizava que as pessoas não são “objetos carentes de poder controlados por forças ambientais”, nem “agentes livres que podem se tornar qualquer coisa que quiserem”. Assim, tanto a pessoa quanto o ambiente são determinantes recíprocos um do outro.

Modelos de processamento das informações

Outro modelo da psicologia da educação é o modelo de processamento das informações (PI), a abordagem com a qual surgiu a psicologia cognitiva na década de 1960. Esta abordagem se caracteriza pelo estudo da mente, através da analogia entre a mente e um computador.

De acordo com Slobin (1985), a partir dessa abordagem, a mente é concebida como um sistema que recebe, codifica, armazena e recupera informações.

A teoria da aprendizagem cumulativa de Gagné

Finalmente, a teoria da aprendizagem cumulativa de Robert M. Gagné (1916-2002), também conhecida como a teoria geral da instrução, tenta integrar os diferentes conhecimentos sobre a aprendizagem que foram aportados a partir das diferentes teorias comportamentais. Sua teoria se fundamenta em dois princípios:

  • Nem toda aprendizagem é igual. Cada tipo de aprendizagem requer diferentes habilidades dos alunos, bem como diferentes procedimentos instrucionais dos professores.
  • A aprendizagem é hierárquica, ou seja, os níveis mais altos de instrução dependem dos mais baixos.

Para estabelecer essa visão hierárquica da aprendizagem, Gagné define uma taxonomia de 8 tipos diferentes de aprendizagem, que vão do simples ao complexo, considerando todos igualmente necessários. Esses 8 níveis são os seguintes:

  • Aprendizagem de sinais (nível 1).
  • Aprendizagem de estímulos e respostas.
  • Encadeamento.
  • Associação verbal.
  • Discriminação múltipla.
  • Aprendizagem de conceitos.
  • Aprendizagem de princípios.
  • Resolução de problemas (nível 8).
Menina brincando com sua mãe

Modelos construtivistas

Nessa perspectiva, considera-se a criança (ou aluno) como um agente ativo no seu próprio processo de aprendizagem. Assim, através da experimentação, exploração e prática, o aluno adquire e melhora as suas habilidades, em vez de ser um mero receptor passivo de conhecimento.

A teoria do andaime de Lev Vygotsky exemplifica essa proposta. Nesse caso, o professor fornece os materiais, a estrutura e as orientações para que o aluno resolva o problema ou adquira uma aprendizagem e progrida no seu próprio desenvolvimento.

A figura do psicólogo educacional

A psicologia da educação passou da teoria à prática, já que muitas das diferentes teorias neste campo são aplicadas há anos no âmbito da psicologia infantil. Essa disciplina, a meio caminho entre a psicologia e a educação, permite que os psicólogos entendam como aprendemos quando somos pequenos.

Um psicólogo educacional geralmente trabalha em escolas, mas também em consultórios particulares e em centros de educação especial. Acompanha os alunos com necessidades educativas especiais que, por causa das suas circunstâncias, aprendem muito melhor quando abordam conhecimentos que não são normativos para a sua idade.

A psicologia da educação também tem a função de realizar avaliações e intervenções específicas para facilitar a aprendizagem a nível individual ou coletivo, trabalhando com a motivação e a implementação de diversos programas.

Além disso, este campo da psicologia desempenha ainda funções de prevenção, tendo como objetivo evitar possíveis dificuldades de aprendizagem e adaptação, e também presta aconselhamento vocacional para ajudar o aluno a elaborar o seu projeto pessoal.

Em suma, a psicologia da educação é essencial para alcançar o desenvolvimento integral da pessoa durante o processo de aprendizagem. Ela nos permite compreender as necessidades e agir de forma a proporcionar as condições necessárias. É, portanto, uma disciplina prioritária.

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Os pensadores gregos, como Aristóteles ou Platão, estabeleceram as bases da psicologia educacional e a diferenciaram como ciência.



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