A psicologia da superstição

A psicologia da superstição
Sergio De Dios González

Escrito e verificado por o psicólogo Sergio De Dios González.

Última atualização: 29 janeiro, 2019

A psicologia da superstição tem acompanhado a humanidade desde que temos consciência da sua existência. Sempre existiram comportamentos supersticiosos, e cada cultura tem os seus próprios. Por exemplo, em algumas áreas da Rússia, quebrar um peça de louça é um bom presságio. É como se cada superstição tivesse algum tipo de utilidade no dia a dia.

Em nossa cultura, temos várias superstições latentes que atuam de maneira sigilosa. Todos nós conhecemos alguém que ressalta o quanto dá azar cruzar com um gato preto ou quebrar um espelho.

O paradoxo é que, embora não haja nenhum argumento lógico ou científico para sustentá-las, as pessoas que realmente têm essas crenças tendem a condicionar suas vidas com base nelas. Em alguns casos podem ser pequenos gestos de pouca importância, mas em outros podem se tornar verdadeiros rituais.

O que é a superstição?

A superstição é a crença em uma associação sem que haja argumentos consensuais que a sustentem. Por exemplo, acreditar que ter uma pata de coelho no chaveiro traz boa sorte. Não há provas de que isso seja verdadeiro, mas algumas pessoas pensam que sim. Estes são outros exemplos de superstições:

  • Fazer um pedido ao ver uma estrela cadente.
  • Carregar um trevo de quatro folhas para atrair boa sorte.
  • Cruzar os dedos ao fazer um desejo para que ele se cumpra.
  • Ao sair da cama, pisar com o pé direito com o pensamento de que o dia será mais fácil.
  • Atribuir boa sorte a objetos, como uma ferradura.
Fazer pedido para estrela cadente

Normalmente, as superstições tentam aproximar a sorte ou afastar o azar. Elas são uma (suposta) maneira de atrair sucesso e afugentar o fracasso. Acreditamos que realizar esses comportamentos tornará a vida mais fácil para nós e nos proporcionará dinheiro, amor ou sucesso.

Embora haja uma série de superstições globais, cada pessoa pode desenvolver as suas.

Qual é a origem da psicologia da superstição?

O princípio subjacente à psicologia da superstição é o chamado condicionamento operante identificado por B. F. Skinner. Para isso, ele começou a trabalhar com pombos. Quando esses animais apertavam um botão dentro de sua gaiola, eles recebiam comida.

Com o passar do tempo, eles “aprenderam” que o botão lhes dava comida, então o apertavam quando estavam com fome. Mais tarde, o sistema mudou de tal forma que, quando os pombos realizavam certos movimentos, recebiam o reforço.Como resultado final, incorporaram “comportamentos supersticiosos” relacionados aos movimentos com a intenção de obter a recompensa.

Isso é muito parecido com o que acontece nos seres humanos com as superstições. Uma pessoa pode associar uma consequência positiva ou negativa a um comportamento específico. Se, por exemplo, formos fazer uma prova com uma camiseta específica e obtivermos uma boa nota, é possível que usemos a mesma roupa para fazer as provas seguintes.

Também existem outros fenômenos que favorecem a superstição, como a profecia autorrealizável ou o viés de confirmação. Esse viés direciona a atenção das pessoas para os dados/eventos que confirmam a hipótese inicial, ignorando ou prestando pouca atenção a aqueles que não o fazem.

Assim, se acreditamos na superstição do gato preto e um dia cruzamos com ele na rua, é fácil usar esse encontro como desculpa para tudo o que acontecer de negativo durante esse dia, associando o positivo com outras causas.

Problemas da psicologia da superstição

Geralmente a superstição, por si só, não é ruim. Elas são simplesmente um conjunto de crenças que habitam a nossa mente. No entanto, as superstições podem se tornar um problema quando atingem certos níveis:

  • Depender de um objeto ou amuleto a ponto de não se sentir seguro sem ele.
  • A superstição ofusca o pensamento e o orienta para a crença de ciências ou métodos com baixa confiabilidade. Por exemplo, o horóscopo.
  • Nosso desempenho pode ser afetado se não tivermos realizado certos rituais.

Tudo isso aumenta os níveis de ansiedade e diminui a confiança em nossas capacidades. Depender a tal ponto de um objeto ou comportamento subestima a capacidade que temos de alcançar as coisas por conta própria. É uma maneira sutil de tirarmos o mérito de nós mesmos e desviá-lo.

Mulher supersticiosa

Como combater a superstição?

A melhor maneira de lutar contra a superstição é fazendo uso do poder da nossa mente. Adquirir uma atitude crítica em relação às associações que estabelecemos e com as quais operamos é um bom fator de proteção contra esse tipo de convicções. A proatividade seletiva limita e refina o número de ideias que nos governam, de modo que indiretamente nossa liberdade aumenta.

Expor-se a situações em que você pode se sentir impotente por não usar seus amuletos é uma boa maneira de atenuar a ansiedade que isso gera. Afinal, a superstição nada mais é do que uma crença, e não uma lei da natureza. É por isso que também é importante aprender a controlar a ansiedade, não só para casos de superstição, mas também para a vida em geral.

Como conclusão, é provável que a superstição – e, portanto, a psicologia da superstição – nos acompanhe, como espécie, para sempre. Seus benefícios podem ser vários: como reduzir a incerteza ou aumentar o senso de controle. Por outro lado, a parte negativa aparece quando nos limita ou gera ansiedade.


Este texto é fornecido apenas para fins informativos e não substitui a consulta com um profissional. Em caso de dúvida, consulte o seu especialista.