Psicologia financeira, a arte de saber investir

agosto 20, 2019
Para sermos mais inteligentes em nossas decisões financeiras, podemos utilizar o conhecimento da psicologia financeira. Esse campo sugere estratégias para tomar melhores decisões relacionadas ao nosso capital.

Investir tempo em aprender a lidar com as nossas finanças pode ser uma ideia maravilhosa, pois muitas vezes cometemos erros significativos sem nos darmos conta. Por isso, a psicologia financeira pode ser nossa melhor aliada nesses momentos.

Neste artigo, contaremos qual é a relação entre a psicologia financeira e a economia, do que trata a psicologia financeira, os benefícios de fazer um uso assertivo das nossas finanças e alguns passos para não nos transformarmos em nossos próprios inimigos no âmbito econômico.

Convidamos você a fazer esta caminhada conosco!

 “Nunca gaste seu dinheiro antes de tê-lo”.
-Thomas Jefferson-

Psicologia e economia: pontos-chave da psicologia financeira

A psicologia chama a atenção para os aspectos cognitivos, comportamentais e afetivos do ser humano. A economia, segundo o dicionário, é “a ciência que estuda os métodos mais eficazes para satisfazer as necessidades humanas materiais mediante o emprego de bens escassos”.

Qual é o vínculo entre elas? Ambas estudam o ser humano e focam o seu comportamento orientado ao bem-estar.  Cada uma leva em consideração as necessidades do ser humano e como este se relaciona com tais necessidades para se sentir melhor.

Duas faces: claro e escuro

Assim, as duas buscam analisar os comportamentos e seus efeitos sobre as decisões, mas o fazem a partir de perspectivas diferentes.

Por exemplo, a economia concentra-se mais em explicar o comportamento coletivo. Além disso, as ferramentas de pesquisa são diferentes.

A economia, nesse sentido, faz maior uso do método hipotético dedutivo, conforme sugere o artigo “Psicología y economía desde una perspectiva multidisciplinar” (“Psicologia e economia a partir de uma perspectiva multidisciplinar”, em tradução livre), escrito por Margarita Billón Currás, professora da Universidade Autônoma de Madrid.

A psicologia, dependendo da sua abordagem, pode se aproximar mais das ciências da saúde, e ver além da influência da cultura, da gestão de gastos e da relação com o material.

Estas podem ser algumas das áreas de interesse comuns de ambas as ciências:

  • Comportamento do consumidor.
  • Publicidade e marketing.
  • Diferenças individuais.
  • Socialização econômica.
  • Política.
  • Comportamento empresarial.
  • Mercados financeiros.
  • Tomada de decisões.
  • Identidade.
  • Significado do dinheiro.

O que é a psicologia financeira?

A psicologia financeira é a disciplina que estuda e intervém nos comportamentos relacionados ao dinheiro. Especificamente, analisa a interação dos mercados financeiros com a natureza humana.

Assim, por meio da análise do nosso comportamento, ela mostra as barreiras psicológicas que afetam as decisões que tomamos em relação às nossas finanças. 

Desse modo, nos aproxima de uma maior compreensão sobre nossas próprias decisões, ou seja, nos ajuda a ampliar nossa consciência financeira.

Além disso, também intervém ao nos mostrar o papel desempenhado pelos aspectos inconscientes na hora de tomar decisões associadas ao dinheiro, e nos orienta a ser mais assertivos.

Por último, não apenas dá ênfase aos aspectos individuais, mas também leva em consideração a influência do ambiente e das práticas que nos foram ensinadas em relação ao dinheiro.

Como não ser seu próprio inimigo?

James Montier, um dos investidores mais conhecidos da atualidade e autor do livro Psicología financiera. Cómo no ser tu peor enemigo (Psicologia financeira. Como não ser seu pior inimigo, em tradução livre), mostra como nós nos relacionamos com o dinheiro e o que fazer para superar os obstáculos na hora de tomar decisões financeiras dando destaque ao nosso comportamento.

A seguir, vamos listar alguns passos para não nos tornarmos nossos próprios inimigos financeiros:

  • Gerir nossas emoções. Ao fazer isso, evitamos o descontrole que pode nos levar a perder dinheiro.
  • Não confiar em excesso. Quando não estamos conscientes disso na hora de investir, obtemos rendimentos mais baixos do que esperávamos.
  • Focar naquilo que é promissor. Mesmo que tenhamos perdas, é melhor focar em algo novo que seja promissor, evitando pensar muito em escolhas que sabemos que serão desastrosas para os nossos investimentos.
  • Evitar fazer várias vezes a mesma coisa esperando obter um resultado diferente. É melhor buscar aconselhamento, revisar a situação e fazer algo que realmente implique uma mudança.
  • Enfrentar a realidade. Decisões financeiras erradas podem estar presentes em diversos momentos das nossas vidas. Devemos aceitá-las e seguir em frente. Fazer da resiliência nossa melhor ferramenta nos ajudará a continuar e tomar novas decisões, mesmo que tenhamos medo.
  • Permitir-se ser você mesmo. As emoções e os pensamentos estão presentes todos os dias das nossas vidas. Devemos deixar, portanto, que eles fluam, mas que sejam assertivos. Por exemplo, se temos que tomar uma decisão, não é o momento de explorar uma emoção.

Por outro lado, devemos levar em consideração que não somos perfeitos nem temos que ser. Por isso, é importante conhecer a nós mesmos, ser autênticos e seguir estratégias que estejam a favor do nosso bem-estar.

Além disso, é importante saber que existem mecanismos inconscientes que estão presentes na nossa relação com o dinheiro, e que os traços da nossa personalidade também influenciam. Por isso, algumas pessoas gastam mais, e outras, menos.

Não devemos ter medo de pedir ajuda. Um especialista em finanças, um psicólogo ou um profissional da psicologia financeira pode nos orientar para que sejamos mais assertivos.

Fazer a vida financeira florescer

Benefícios da psicologia financeira

Aplicar os princípios da psicologia financeira ou contar com um profissional dessa área que possa nos orientar tem grandes vantagens. Vejamos algumas delas:

  • Obter rendimentos mais altos.
  • Compreender por que estamos tomando decisões que nos prejudicam.
  • Superar obstáculos financeiros.
  • Ampliar a consciência sobre as nossas finanças.
  • Compreender quais são os nossos problemas comportamentais que nos levam a tomar decisões erradas.
  • Explorar nosso comportamento financeiro.
  • Conhecer nossa relação com o dinheiro.
  • Saber quais são as barreiras psicológicas que afetam as decisões relacionadas com o dinheiro.
  • Aprender com nossos fracassos econômicos.
  • Ser mais resilientes.
  • Liberar tensões. 
  • Identificar e evitar os erros mais comuns nos investimentos.

Abrir um espaço para a psicologia financeira em nossas vidas é aprender a maravilhosa arte de saber investir.  Não se trata de um assunto simples, mas de um caminho inigualável com o qual podemos aprender a cada dia, porque cada decisão vai revelar alguma coisa sobre nós mesmos.

A psicologia financeira nos leva a ser mais assertivos com o nosso dinheiro. É uma ótima forma de reconhecer qual é a nossa relação com ele e de saber para onde ir, sempre buscando o nosso bem-estar.

 “Para ganhar mais dinheiro você não precisa trabalhar mais, precisa ter ideias melhores”.
-Steve Jobs-

  • Billón Currás, M. (2002). Psicología y economía desde una perspectiva interdisciplinar. Encuentros multidisciplinares, pp. 1-8.
  • Montier, J. (2011). Psicología financiera: Como no ser tu peor enemigo. Deusto, Barcelona.