Pulsão de morte ou Tânato: você sabe do que se trata?

agosto 3, 2019
Talvez poucos nomes sejam tão sinistros quanto o que a psicanálise batizou como pulsão de morte. No entanto, esse impulso, sendo sempre destrutivo, está longe de ser um inimigo da nossa sobrevivência quando o administramos bem.

Há momentos que são profundamente dolorosos. Eles geram ou projetam a sensação de um grande vazio, nascendo da falta de existência percebida, da ideia de que tudo está perdido. É precisamente nesses instantes que a pulsão de morte adquire uma força maior, como se fosse beneficiada pela inércia que nos precipita a nada.

De acordo com a psicanálise, uma disciplina que enfatiza o inconsciente e foi fundada por Sigmund Freud, as pulsões dão origem a cada uma das atividades de nossa mente. 

Elas possuem uma força que nos empurra para a ação, seu objetivo é satisfazer a excitação, e estão associadas a um órgão do qual surgem e a um objeto: aquilo que as satisfaz.

Neste artigo, mostraremos que, embora tenham a fama contrária, as pulsões não são necessariamente uma questão sexual, e que a destruição também é necessária para o ser humano.

Além disso, explicaremos o que é a pulsão de morte, por que ela também é chamada de Tânato, como ela se manifesta em nossas vidas e por que, embora seu nome pareça indicar o contrário, nem sempre é negativa para a nossa sobrevivência.

Mulher triste e deprimida

O que é a pulsão de morte?

O Tânato ou a pulsão de morte é um impulso inconsciente. Além disso, aparece para retornar ou se aproximar do repouso absoluto, ou seja, a inexistência.

Em outras palavras, a pulsão de morte nos leva à autodestruição, até mesmo ao desaparecimento. É um conceito que anda de mãos dadas com a pulsão de vida; seria o oposto, a tendência a se autoconstruir.

Tânato e o impulso da vida andam de mãos dadas; estão sempre presentes, dão forma a uma dialética como luta e a um equilíbrio cujo resultado é a própria vida, a própria conservação.

O fato de que Tânato seja uma força para a dissolução não significa que seja, sempre e de todos os pontos de vista, negativa, ou que a pulsão de vida seja sempre positiva.

Quais são as suas manifestações?

No contexto da psicanálise, a apresentação de certos conceitos pode nos assustar por causa da complexidade que transmitem. Assim, em muitos casos eles não são aplicados ou são descartados.

Transcendendo esse primeiro susto, mostramos a você algumas maneiras por meio das quais a pulsão de morte se manifesta a fim de simplificar seu significado – sendo conscientes de que isso prejudica a exatidão – de modo que seu entendimento seja mais fácil. Vejamos:

  • Agressividade. Quando somos agressivos, destruímos: seja os outros, a natureza ou nós mesmos. É assim porque tentamos causar danos. Sigmund Freud, em seu livro O mal-estar na cultura, mostra a agressividade como o maior obstáculo ao desenvolvimento da cultura.
  • Doença mental. Na doença mental, tendemos a nos machucar. Um exemplo claro disso é o transtorno borderline ou transtorno de personalidade limítrofe.
  • Projeção. É um mecanismo de defesa em que vemos nos demais o que realmente acontece em nós.
  • Descontentamento. Quando algo tende a não nos satisfazer, nos angustiar, provocar desconforto, a pulsão de morte se manifesta.

A pulsão de morte está relacionada a outros princípios. Está associada ao princípio da realidade, que é o que nos ajuda a nos regular. O princípio do prazer, por um lado, age tentando satisfazer, e o da realidade nos diz quando isso não é adequado. Assim, coexistimos na sociedade de maneira assertiva.

Esta pulsão está ainda mais associada ao princípio do nirvana, aquele que tem a tendência de chegar a nada, ao repouso total, em outras palavras, à morte.

Homem sofrendo com pulsão de morte

A pulsão de morte também é positiva

Embora Tânato possa nos conduzir ao caminho da autodestruição, sua influência não é negativa como regra. Por um lado, a partir de cada momento da vida em que nos autodestruímos, podemos aprender e treinar a resiliência, aquela força que nos permite enfrentar as adversidades.

Por outro lado, a pulsão de morte também tem a ver com o descanso, que é extremamente necessário para a sobrevivência. Se pensarmos nela dessa forma, ou seja, como algo adaptativo, removemos o caráter de escuridão e sombras ao qual parece ter sido associada.

Mas, por que adaptativo? Bom, porque em muitas situações, ela permite a luta e a defesa. Além disso, está associada ao momento do orgasmo; por um lado, a pulsão de vida se esforça para alcançar a satisfação sexual e, por outro, o tânato se vincula com o momento de descarga ou retorno, ou seja, com o ponto a partir do qual voltamos ao repouso.

A pulsão de morte também facilita a separação entre nós e os objetos. Isso nos permite identificar a nós mesmos, sermos autênticos e não nos mesclarmos mentalmente com eles.

Em resumo, o tânato é tão destrutivo quanto reparador. É essencial para a sobrevivência e atua em conjunto com a pulsão de vida, sem se separar dela. Trata-se de uma força incomparável com a qual temos muito a aprender.

  • Freud, S. (1976/1920). Más allá del principio del placer. Obras completasBuenos Aires: Amorrortu.
  • Freud, S. (2016). El malestar en la cultura. (Vol.328). Ediciones Akal.