Quando não nos importamos mais com nada

Quando não nos importamos mais com nada, vemos a vida passar sem sentir prazer ou alegria. Caminhamos desmotivados, desanimados e apáticos. No entanto, este pode ser o momento ideal para fazer uma mudança radical: uma jornada para o autoconhecimento.
Quando não nos importamos mais com nada

Última atualização: 27 Abril, 2021

Quando não nos importamos mais com nada… será que tudo realmente é indiferente para nós? Por onde começar? O que dizer? Quando você não se preocupa mais com nada, você não pensa em nada e pensa em tudo.

Mas, o que é pensar em nada? O que é pensar em tudo? O que significa achar que tudo deixou de ter importância para nós? O conceito é tão amplo que nem sabemos o que dizer, não é mesmo? Quando perguntamos a alguém: “O que é tudo?”, normalmente respondem: “Bom, não sei, é tudo”.

Muitas vezes, nos encontramos em um ponto da nossa existência em que não sabemos que direção tomar. É comum estarmos imersos em um estado em que realmente não nos importamos com nada. O que gostávamos, já não gostamos mais. Aquilo que nos entretinha, agora nos aborrece. O que está acontecendo conosco? Por que tudo deixou de nos dar prazer?

Um vazio interior se abre em nossa alma e absorve cada grama de felicidade que podemos sentir em algum momento. O que está acontecendo?

Homem pensativo

Quando não nos importamos mais com nada

O que significa estar indiferente a tudo? Ou melhor, o que isso implica? Muitas vezes nos sentamos no sofá e apenas assistimos a nossa vida passar como se fosse um filme. Vamos da sala para o banheiro e do banheiro para a sala. Saímos para comprar e cozinhar para não morrer de fome. Realizamos as nossas atividades diárias quase por inércia, automaticamente. Qual é o motivo desse desânimo? Um estado de infelicidade que nos envolve, nos abraça e, aos poucos, nos aperta cada vez mais.

Os nossos planos são deixados de lado: amizades, finanças, trabalho, vida… Nós vasculhamos o horizonte em busca de alguma luz que transmita esperança, mas parece que não a encontramos. Quem extinguiu o último raio de alegria? Quem apagou o último farol? Não sabemos o que está acontecendo, mas a nossa vida parece estar em declínio e sem qualquer possibilidade de frear a descida. Talvez em silêncio possamos começar a encontrar as respostas.

“Mesmo nos raros momentos em que nenhum som, mensagem de texto ou qualquer outro tipo de informação vinda de fora nos alcança, a nossa cabeça está repleta de um fluxo constante de pensamentos. Quantos minutos por dia você passa verdadeiramente em silêncio?”
-Thich Nhat Hanh-

Nesses momentos não nos importamos se chover, se estiver ensolarado, se o vento soprar em nossa casa ou se alguém nos der um sermão. A nossa resposta certamente será algo como: “Ah, tudo bem”, e continuaremos imersos em nosso mundo.

O apego ao material e ao espiritual terá atingido o fundo do poço. A apatia invade as nossas vidas e a nossa reação a estímulos agradáveis ​​quase desaparece: a anedonia entrou em nossas vidas.

O que podemos fazer quando não nos importamos mais com nada?

Estar perdido no meio do mar sem nem mesmo ver um flash de luz que ilumine o caminho pode ser desesperador. No entanto, nem tudo está perdido. Quando não nos importamos mais com nada, muitas vezes nem temos vontade de pedir ajuda profissional. “Para quê? Acho que não tenho remédio”, é o que pensamos. Mas não é bem assim, temos mais remédio do que pensamos.

A mente adquiriu vários padrões de pensamento ao longo da nossa história de aprendizado. Esses pensamentos nos fazem acreditar que a existência é de uma determinada maneira. Porém, da mesma forma que pensamos que a realidade é cinza, também podemos vê-la em branco, azul, vermelho ou nas cores do arco-íris. Porque não existe uma cor única com a qual ver a existência, todas são válidas e o melhor é que não temos que adotar um único ponto de vista.

Se pensarmos que se trata de escolher uma ideologia e segui-la, estaremos muito enganados. A vida é muito diversa para nos posicionarmos apenas de um determinado lado. Dessa forma, estaremos apenas nos limitando.

Neste ponto, é hora de começar a pensar que a nossa visão catastrófica do mundo é apenas isso, a nossa visão – uma crença aprendida. E o que isso implica? Que podemos desaprender ou, quando for o caso, aprender uma nova forma de ver a nossa relação com o mundo, com os outros e com nós mesmos.

Conexão com o nosso interior

Quando estamos perdidos e não nos importamos com mais nada, é o momento de nos perguntarmos se realmente estamos levando a vida que gostaríamos. Então, é hora de sentar, refletir e pensar sobre o que queremos, o que nos motiva, o que nos move. Pode levar horas, dias, semanas, meses… Conectar-se com o nosso interior por meio da introspecção nos ajudará a remover todos os condicionamentos que nos impedem de observar as nossas verdadeiras motivações.

“Amor, compaixão e interesse pelos demais são as verdadeiras fontes de felicidade”.
– Dalai Lama –

Mulher de olhos fechados refletindo

O mindfulness é uma ferramenta muito poderosa que, sem dúvida, nos ajudará a descobrir uma parte de nós mesmos que desconhecíamos completamente. Por meio da introspecção, começaremos a deixar para trás as vozes de outras pessoas que nos dizem como devemos ser ou o que devemos fazer. Quando ultrapassamos esses limites, começamos a descobrir a luz que brilha dentro de nós sem distorções. Saberemos, nesse momento, até que ponto éramos limitados por exigências externas.

Como afirma Sua Santidade o Dalai Lama: “A nossa mente consciente está relacionada tanto a objetos que experimentamos no passado quanto a certos tipos de sentimentos ou sensações. Nesse sentido, é muito difícil vislumbrar a verdadeira natureza da consciência, que corresponde ao estado puro de conhecimento ou iluminação total da mente”.

Para isso, o Dalai Lama assegura que “uma das técnicas possíveis para apreender este estado é a meditação. Com ela, liberamos a nossa mente dos pensamentos de experiências passadas e de qualquer forma de antecipação do futuro, para permanecer no momento presente”.

Quando tudo nos interessa

Quando nos conectamos com a nossa verdadeira natureza, começamos a ver a vida de outra cor. Uma simples folha de árvore nos parece uma criação fascinante da natureza. Concentramos a nossa atenção na respiração e percebemos o nosso corpo complexo, cheio de elementos: músculos, ossos, artérias, neurônios, etc.

Através da meditação, descobrimos que tudo o que nos rodeia é muito mais interessante do que pensávamos. Podemos ficar fascinados ao ver o simples bater de asas de um pássaro. O que se esconde por trás do voo de um pássaro?

Como afirma o mestre zen budista Thich Nhat Hanh: “O silêncio interior é essencial para sermos capazes de ouvir e responder ao chamado da beleza. Se não houver silêncio dentro de nós – se nossa mente, nosso corpo, estiverem cheios de ruído – não ouviremos o chamado da beleza”. O mestre acrescenta que “a nossa mente está cheia de ruídos, por isso não podemos ouvir o chamado da vida, o chamado do amor. O nosso coração está nos chamando, mas não o ouvimos. Não temos tempo para ouvi-lo”.

Aos poucos, apreciaremos os pequenos detalhes vitais que antes eram insignificantes para nós. Dessa forma, também começaremos a perceber o que realmente nos motiva. A autorrealização se tornará um fator importante.

Perceberemos que ser uma boa pessoa, dedicar-se aos outros e não machucar ninguém são valores tão profundos que os faremos nossos. Com isso, a nossa vida tomará um rumo completamente diferente. Portanto, lembre-se de que, quando não nos importamos mais com nada, é o momento de mudar, porque tudo muda.

Pode interessar a você...
Quando é difícil encontrar nosso lugar no mundo
A mente é maravilhosaLeia em A mente é maravilhosa
Quando é difícil encontrar nosso lugar no mundo

Os dias passam e sentimos que não nos encaixamos em nenhum lugar. De alguma forma, parece impossível encontrar nosso lugar no mundo.