Quem sabe o que tem nem sempre cuida - A Mente é Maravilhosa

Quem sabe o que tem nem sempre cuida

maio 26, 2017 em Psicologia 1094 Compartilhados
Quem sabe o que tem nem sempre cuida

Talvez alguém muito próximo a você saiba muito bem como você é especial e a luz que você irradia. Contudo, nem sempre cuida de você como você merece. Talvez ache que você é como uma bela árvore de raízes profundas que nutre, refugia e nunca reclama. Talvez o que não saiba é que algum dia pode ser você a se cansar de alguém que dá o amor por certo.

Todos já ouvimos mais de uma vez o clássico refrão “não sabia o que tinha até perdê-lo”. Contudo, a realidade nos mostra outro tipo de versão muito mais real, muito mais contraditória e afinada: existem pessoas que, mesmo sabendo muito bem o que têm junto delas, acabam por descuidar.

“Não quero um amor rasgado e pela metade. Mereço algo inteiro, intenso e indestrutível.”
-Frida Khalo-

Às vezes os relacionamentos, assim como os ossos, se quebram. Todos sabemos disso. No entanto, essa ruptura nem sempre acontece de um dia para o outro de forma pontual, traumática e devastadora. Os especialistas em relacionamentos amorosos sabem que estes processos são lentos e desgastantes, sendo justamente essa falta progressiva de atenção para com o outro o que acaba se depositando nos universos pessoais e emocionais dos seus protagonistas.

Cultivar no dia a dia uma atitude de apreciação, uma postura empática e detalhista nos permitirá fortalecer de forma mais saudável esses vínculos com as pessoas que amamos. Contudo, é preciso uma dimensão estratégica e decisiva para conseguir isto: vontade.

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Quando as pessoas dão por certo que você sempre estará ali

Você não é como uma rocha que um dia se desprende de uma montanha e fica presa numa suave cavidade durante décadas. Você não é um inseto preso em âmbar, nem as raízes milenares de uma conífera. Nada em você é eterno ou perene. As pessoas são como o vento, são brisa e são como a água que corre pelo rio. A vida é movimento, crescimento e um eterno desenvolvimento.

Assim como o nosso próprio ser interior é dinâmico e inscrito em um processo de amadurecimento constante, também assim são nossas emoções. Por isso, quem entender o amor como uma dimensão estável e permanente se engana. O amor sempre tem fome: precisa se alimentar e ser alimentado. Precisa também ser valorizado e cuidado, anseia por sentir cócegas, ouvir a música do riso e se embriagar de uma cumplicidade sem palavras.

Tudo isso nos obriga a compreender uma coisa muito simples, uma coisa muito básica e ilustrativa: que o amor, mais do que ser encontrado, é construído. Por isso, quando a gente começa a dar as coisas por certas, o que escolhe na verdade é parar o investimento, parar de construir, e opta por se fixar na ultrapassada ideia de que quem ama o fará sempre de forma devotada e incondicional. Os vazios não terão importância, não importarão os silêncios, o desprezo, porque para muitos o amor é como essa resina que prende os insetos para todo o sempre.

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O amor irrevogável e eterno, mais do que uma verdade, é uma apologia da nossa sociedade. “Amarei você por todo o sempre, faça o que você fizer” é um atentado contra a nossa própria dignidade. Porque nos relacionamentos nem tudo vale e nem tudo é justificável, e se nos acostumamos a que “nos deem por certo”, chegará o dia em que nós também daremos por certo e assumiremos a nossa própria infelicidade.

Se alguém não cuida de você, cuide-se: imponha distância

Pense que o relacionamento de que mais precisamos cuidar é que temos com nós mesmos. Esta pedra filosofal do bem-estar humano é descuidada em muitas ocasiões por uma razão muito simples: às vezes entendemos a vida com base aos vínculos que estabelecemos com os outros. Pensar que o amor justifica tudo e que é ao mesmo tempo nossa fonte de autorrealização é uma insensatez com sérios efeitos secundários.

“O amor durará tanto quanto você o cuidar e você o cuidará tanto quanto o quiser.”
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Quem sabe o que tem e não cuida simplesmente não nos merece. Perceber isto é uma necessidade moral, um senso de sobrevivência e o barco salva-vidas da nossa autoestima. Porque senão, em caso de não saltar desse barco que vai à deriva, nós mesmos deixaremos de nos cuidar, nós mesmos seremos as vítimas desse culto ao sacrifício sentimental que aniquila vidas, que atentam contra esses corações que se esqueceram de amar a si mesmos.

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Por outro lado, vale a pena lembrar o que Abraham Maslow disse uma vez: “Se o músico quer ser feliz precisa fazer música, se o poeta quer ser poeta precisa escrever, se o pintor ama a pintura precisa pintar… Tudo isso dá forma a essa dimensão em que culmina a pirâmide das nossas necessidades: a autorrealização”.

Se compreendemos isto, também compreenderemos o seguinte: se alguém nos ama, terá a necessidade natural de nos fazer feliz, de promover nossas forças, de nos oferecer esse pulso de vida com a qual contribuir também para o crescimento do próprio relacionamento amoroso.

Mas, se quem está ao nosso lado não nos considera e dá por certo que sempre estaremos ali aconteça o que acontecer, está contribuindo à repressão, e a repressão, nunca se esqueça, é a raiz da infelicidade. Aprendamos então a escolher o caminho correto, coloquemos em prática esse compromisso verdadeiro e leal para com nós mesmos para nos lembrarmos de que amar é cuidar e de que o amor é dedicação, apreço e atenção diária para com o vínculo afetivo.

Imagens cortesia de Maggie Taylor.

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