Novas tecnologias na reabilitação neuropsicológica

setembro 3, 2019
As novas tecnologias têm um grande número de aplicações no campo da saúde. Ferramentas como aplicativos web e realidade virtual já são utilizados na reabilitação neuropsicológica. Continue lendo se quiser conhecer as vantagens e as ferramentas mais comuns.

Desde o seu desenvolvimento, as novas tecnologias entraram não apenas no cotidiano das pessoas, mas também em áreas tão importantes quanto a saúde, como no âmbito da reabilitação neuropsicológica.

Elas vêm sendo usadas há anos na neuropsicologia, o que permitiu o desenvolvimento de instrumentos de avaliação precisos, econômicos e simples de aplicar. Em contraste, o uso de novas tecnologias na reabilitação neuropsicológica é mais recente.

Vantagens

As novas tecnologias em neuropsicologia permitem uma maior acessibilidade para os usuários. Por exemplo, a avaliação à distância de pacientes que têm dificuldade em se deslocar.

Da mesma forma, a aplicação computadorizada de instrumentos permite, além de obter dados precisos, personalizar automaticamente os exercícios com base no desempenho do usuário.

Por outro lado, dá origem à aplicação individual e coletiva, o que reduz o volume de pacientes em centros públicos ou privados. Além disso, pode ser aplicada simultaneamente a pessoas que apresentam rendimentos totalmente diferentes.

Quanto a aspectos mais técnicos, embora a supervisão profissional seja essencial, elimina vieses, tanto na avaliação quanto na intervenção, por parte do profissional.

Da mesma forma, é possível realizar um protocolo estrito e a repetição exata de estímulos e exercícios, da mesma forma que é mais fácil visualizar o progresso do paciente.

Por último, parece que o uso das novas tecnologias cria no paciente uma impressão menos formal da intervenção. Isso, embora em alguns casos possa ser negativo, como regra geral motiva o usuário mais do que as tarefas tradicionais.

Gera no paciente a sensação de realizar uma tarefa mais lúdica, enquanto está treinando e reabilitando suas capacidades.

Idosa com tablet nas mãos

Desvantagens

Apesar dos benefícios enumeráveis ​​das novas tecnologias na reabilitação neuropsicológica, ela não deixa de representar alguns perigos. Por um lado, não é possível, em todos os casos, obter informações qualitativas enquanto o procedimento está sendo realizado, a menos que seja aplicado pessoalmente.

Além disso, o uso de novas tecnologias exige que o usuário tenha alguma familiaridade com essas ferramentas. Isso não é necessário apenas para acessá-las, mas também pode interferir no desempenho durante o desenvolvimento de tarefas.

Ferramentas tecnológicas usadas na na reabilitação neuropsicológica

Novas tecnologias têm sido desenvolvidas para o treinamento cognitivo, bem como para a reabilitação específica. Essas ferramentas podem ser usadas com todos tipo de população, embora algumas tenham sido desenvolvidas para populações específicas (crianças, idosos, danos cerebrais, etc.).

Atualmente, as duas ferramentas com maior aplicação no campo da reabilitação neuropsicológica são os software computadorizados e a realidade virtual. Aqui estão alguns exemplos.

Software

Nessa área, predominam principalmente os instrumentos informatizados para a realização de treinamento cognitivo. Hoje em dia existem inúmeras opções, embora nem todas tenham comprovado sua eficácia e validade.

Uma das plataformas mais usadas é a NeuronUp. Esta ferramenta permite realizar a reabilitação e estimulação cognitiva, combinando exercícios para as funções cognitivas básicas, atividades da vida diária e habilidades sociais.

Além disso, pode ser combinada com métodos tradicionais, ou os mesmos exercícios podem ser feitos em lápis e papel.

Também é enorme a quantidade de softwares que têm sido desenvolvidos para o treinamento cognitivo de pessoas idosas.

Alguns exemplos, como Mementia, Kwido e VIRTRA-EL, permitem que idosos saudáveis, com comprometimento cognitivo ou demência, treinem suas funções cognitivas através de jogos simples e adaptados ao desempenho de cada um.

Por outro lado, foram criados aplicativos que permitem o treinamento e controle da intervenção à distância, como o CloudRehab. Esse aplicativo gratuito destina-se à reabilitação neuropsicológica de pessoas com danos cerebrais que viram a sua mobilidade se deteriorar.

O CloudRehab é usado para que os pacientes possam realizar os mesmos exercícios que fazem na terapia em casa, enviar um vídeo para a nuvem e serem supervisionados por profissionais sem precisar se deslocar, a menos que seja necessário.

Realidade virtual

Essa tecnologia oferece a possibilidade de criar ambientes contextualizados e enriquecidos, de forma que as avaliações e intervenções sejam mais orgânicas e generalizáveis.

Além disso, esse recurso permite controlar o ambiente no qual são realizados os exercícios, permitindo um grande número de aplicações. Através desta tecnologia, são criadas cidades, casas ou situações específicas onde se pode fazer exercícios de reabilitação.

A realidade virtual ainda está em desenvolvimento no campo da reabilitação. Entretanto, resultados satisfatórios já foram relatados na reabilitação de pacientes com problemas psicomotores e idosos.

Um exemplo de uma ferramenta de realidade virtual é o VinCI, que também oferece a possibilidade de biofeedback. Ou seja, a pessoa pode saber como está executando a tarefa e pode modificar a sua resposta.

Idoso brincando com realidade virtual

O futuro da reabilitação neuropsicológica

Não há dúvida de que a tecnologia está avançando a um ritmo vertiginoso, e com ela serão desenvolvidas cada vez mais ferramentas que podem ser aplicadas à reabilitação neuropsicológica.

No momento, já existem inúmeras ferramentas disponíveis que tornam a reabilitação um pouco mais fácil, enriquecendo-a graças às suas vantagens.

Embora ainda não existam conclusões sólidas sobre sua eficácia e validade, os benefícios que estão sendo obtidos apontam para o fato de que as novas tecnologias na reabilitação neuropsicológica vieram para ficar.

  • Soto Pérez, F. Franco Martín, M. y Jiménez Gómez, F. (2010). Tecnologías y neuropsicología: hacia una ciber-neuropsicología. Cuadernos de neuropsicología, 4(2), 112-130.