O que é a reestruturação cognitiva? - A Mente é Maravilhosa

O que é a reestruturação cognitiva?

junho 23, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
O que é a reestruturação cognitiva?

O que aconteceria se o seu companheiro sentimental o abandonasse? Com certeza você diria que isso é algo terrível, mas será que realmente é tão terrível assim? Quantas coisas piores existem neste mundo? Quantas são mais terríveis do que o abandono de nosso companheiro sentimental, ou que nosso filho seja reprovado em uma matéria? Você deve estar se perguntando por que eu estou fazendo essas perguntas. A resposta? agora vamos falar sobre a reestruturação cognitiva.

A reestruturação cognitiva é uma técnica que se concentra em nossos pensamentos. Ela ensina as pessoas a substituir aqueles pensamentos desadaptativos por outros que as ajudem a não sofrer tanto. Portanto, a reestruturação cognitiva é uma das técnicas cognitivo-comportamentais mais sugestivas dentro do repertório de um psicólogo. Se mudarmos determinados pensamentos, mudaremos as emoções associadas a eles, o que vai fazer com que nos sintamos melhor.

Um pensamento é uma hipótese

A reestruturação cognitiva consiste em que o cliente, com a ajuda do psicólogo, identifique e questione os seus pensamentos desadaptativos. Assim, eles serão substituídos por outros mais apropriados, e vão reduzir ou eliminar a perturbação emocional causada pelos primeiros.

Mulher confusa com seus pensamentos

Na reestruturação cognitiva, os pensamentos são considerados hipóteses. O terapeuta e o paciente trabalham juntos para reunir dados que determinem se estas hipóteses são corretas ou úteis. Em vez de dizer aos pacientes quais são os pensamentos alternativos válidos, o terapeuta formula uma série de perguntas. Depois, ele vai planejar experiências comportamentais para que os pacientes avaliem e coloquem os seus pensamentos negativos à prova.

Finalmente, os pacientes vão chegar a uma conclusão sobre a validez e a utilidade destes pensamentos. Como podemos ver, o psicólogo ou terapeuta não impõe nada. É o próprio paciente que vai tirando as suas conclusões a partir das experiências que vai realizando.

Bases teóricas da reestruturação cognitiva

A reestruturação cognitiva se baseia em certas suposições teóricas. Estas suposições teóricas são as seguintes:

  • O modo como as pessoas estruturam as suas experiências de maneira cognitiva exerce uma influência fundamental em como elas se sentem e agem, assim como nas reações físicas que elas têm. Em outras palavras, nossa reação diante de um acontecimento determinado depende, principalmente, de como nós enxergamos, atendemos, avaliamos e interpretamos este acontecimento.

Imagine que nós combinamos um encontro com uma pessoa que conhecemos faz pouco tempo. Gostamos muito dela, mas já se passou meia hora e ela ainda não apareceu. Se a nossa interpretação sobre isso é de que ela não está interessada em nós, vamos ficar tristes e não voltaremos a ter contato com ela.

No entanto, se pensarmos que essa demora se deve a um imprevisto ou uma confusão momentânea, nossa reação emocional e comportamental será muito diferente. afeto, o comportamento e as reações físicas influenciam uns aos outros e contribuem para manter os pensamentos.

  • Podemos identificar os pensamentos das pessoas através de métodos como a entrevista, os questionários e os diários. Muitos destes pensamentos são conscientes e outros são pré-conscientes, mas a pessoa é capaz de acessá-los.
  • É possível modificar os pensamentos das pessoas. Isso pode ser utilizado para conseguir mudanças terapêuticas.

O modelo ABC da reestruturação cognitiva

O modelo cognitivo em que a reestruturação cognitiva se baseia foi denominado modelo A-B-C por alguns autores (por exemplo, Ellis, 1979a). As três letras fazem referência ao seguinte:

  • A letra A faz referência a uma situação, acontecimento ou experiência ativadora da vida real. Por exemplo, ser criticado por uma pessoa muito querida ou ser reprovado em uma prova.
  • A letra B se refere às cognições (pensamentos) apropriadas ou inapropriadas do paciente sobre a situação (A). As cognições também fazem referência aos processos cognitivos. Entre eles estão a percepção, a atenção, a memória, a reflexão e a interpretação.

As suposições e crenças que uma pessoa tem facilitam que ocorram certos erros no processamento da informação. Entre estes erros ou falhas, encontramos a sobregeneralização, a filtragem, o pensamento dicotômico, a catastrofização, etc.

  • Por último, a letra C faz referência às consequências emocionais, comportamentais e físicas de B (cognições). Por exemplo, sentir medo, tremer e sair correndo ao interpretar de maneira ameaçadora a aparição de um cachorro que se aproxima latindo.

Emoções, conduta e reações físicas se influenciam reciprocamente e contribuem para manter as cognições. No modelo A-B-C, as cognições sempre precedem a emoção. No entanto, a emoção pode existir por alguns momentos sem as cognições prévias.

Uma suposição básica na utilização da reestruturação cognitiva é que as cognições têm um papel importante na explicação do comportamento humano em geral e das alterações emocionais em particular.
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Como podemos comprovar, segundo a reestruturação cognitiva, não são os acontecimentos os responsáveis pelas nossas reações emocionais e comportamentais. Seriam as expectativas e as interpretações de tais acontecimentos, junto com as crenças relacionadas aos mesmos, as responsáveis pela forma como nos sentimos.

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