Relação entre otimismo e saúde: você sabe qual é?

Qual é a relação entre otimismo e saúde?

fevereiro 13, 2018 em Psicologia 123 Compartilhados
Qual é a relação entre otimismo e saúde?

As pessoas otimistas costumam enfrentar de maneira mais efetiva os problemas com os quais se deparam. Pensam que, apesar dos obstáculos que existem, podem alcançar o que se propõem a fazer, demoram mais para desistir diante das dificuldades, e o seu estilo de enfrentamento costuma ser mais pró-ativo, além de focarem mais o que podem ganhar do que o que podem perder. Como essa maneira de enfrentar a vida explica a relação entre otimismo e saúde?

Em geral, o otimismo tem demonstrado ser um preditor de boa saúde. Para estimar essa ligação, foram usados muitos indicadores de medida. Entre eles, autoavaliações, análises realizadas por prestadores de saúde, número de visitas ao médico ou a medição do tempo de sobrevivência após ataques cardíacos. A partir dos resultados dessas investigações, é possível concluir que a correlação entre otimismo e saúde tende a estar entre 0,20 e 0,30.

Tipos de otimismo

O otimismo se refere a uma tendência: a de esperar resultados favoráveis e positivos. É um aspecto que está intimamente ligado ao bem-estar psicológico e físico das pessoas. Entretanto, existem dois tipos de otimismo:

  • Disposicional: ao qual nos referimos normalmente. É a expectativa positiva, constante e generalizada de obter bons resultados. Como tal, é considerado relativamente estável.
  • Situacional: é uma expectativa concreta de obter um resultado positivo em um contexto específico. Surge diante de uma circunstância particular, um evento concreto e estressante.

Mulher feliz deitada na grama

Os estudos, em geral, têm se focado no otimismo disposicional, e principalmente em analisar como podemos fazer com que as pessoas tenham um otimismo generalizado. Os autores Sheier e Carver desenvolveram o Life Orientation Test (LOT): uma ferramenta que mede expectativas generalizadas; ou seja, o otimismo disposicional sobre a obtenção de resultados positivos.

Fatores que afetam o bem-estar

Otimismo, bem-estar e afeto positivo se correlacionam de maneira direta. Assim, existem muitos fatores que determinam um maior ou menor nível desses conceitos:

  • Personalidade: segundo Myers (2000), grande parte do bem-estar subjetivo está determinado pela personalidade. Na verdade, 50 % da variância da felicidade seria explicada por fatores genéticos. Por isso, é relativamente estável ao longo do tempo.
  • Riqueza: o dinheiro não traz felicidade. A nível pessoal,  o crescimento da riqueza não se associa a um aumento da felicidade. De fato, aqueles que têm grande desejo de dinheiro são mais infelizes do que aqueles que não o desejam tanto.
  • Relações interpessoais: ter relações íntimas com outras pessoas é uma necessidade humana básica e essencial. A maior parte das pessoas é mais feliz quando tem relações significativas do que quando não as tem.
  • Realização de metas: entre elas, as de aproximação e as pessoais geram maior bem-estar.

Emoções positivas, otimismo e saúde física

Os otimistas utilizam, em maior grau, estratégias dirigidas à solução direta dos problemas, sobretudo quando sentem que têm controle sobre a situação, isto é, quando acreditam que podem fazer alguma coisa para mudar a situação problemática. Por isso, agem e depois avaliam. Contudo, os pessimistas avaliam e, então, se as expectativas os convencem, agem. (Sanna, L., 1996).

As emoções positivas se associam a aumentos na imunoglobulina A. Esse é um anticorpo considerado como primeira linha de defesa contra as doenças. Porém, não só existem efeitos diretos destas emoções mas, também, subjetivos. Assim, as pessoas que se sentem felizes:

  • Relatam menos sintomas físicos que as que se consideram tristes. Nestas, os sintomas causam muito mais mal-estar.
  • Consideram-se menos vulneráveis que as tristes, o que pode levá-las a realizar menos ações de manutenção da saúde.
  • Consideram-se mais capazes de envolver-se em ações promotoras de saúde e têm mais confiança de que estas amenizarão sua doença.

“Se a mente está tranquila e ocupada com pensamentos positivos, é mais difícil que o corpo se enferme.”
– Dalai Lama –

Post-its tristes em volta de um feliz

Mecanismos explicativos da relação entre otimismo e saúde

Existem três mecanismos que buscam entender a relação entre otimismo e saúde:

  • Mecanismo fisiológico: os otimistas têm menor reação cardiovascular diante do estresse e um melhor sistema imunológico; ou seja, um maior número de defesas biológicas e, portanto, menos problemas de saúde.
  • Mecanismo emocional: a relação entre otimismo e saúde é indireta, através dos estados emocionais. O estado de ânimo negativo se relaciona com um pior funcionamento dos sistemas imunológico e cardiovascular.
  • Mecanismo comportamental: os otimistas realizam ações promotoras de saúde em maior grau que os pessimistas. Têm uma melhor saúde porque realizam mais ações saudáveis, como fazer exercício, beber com moderação, manter uma dieta equilibrada e evitar comportamentos de risco.

Autoavaliações conclusivas

Em geral, são muitos os estudos que concluem que as pessoas otimistas se recuperam de maneira mais satisfatória das doenças que as pessimistas. Algumas evidências que apoiam essa ideia são:

  • Gestação e nascimento: as mulheres otimistas experimentam menos sintomas depressivos durante a gestação e o pós-parto. Além disso, têm menos ansiedade, o que facilita seu ajuste psicológico após abortos espontâneos.
  • Cirurgias: em um estudo longitudinal conduzido com pacientes que haviam sido submetidos a cirurgias, os resultados foram conclusivos: antes da cirurgia, os otimistas relatavam menos níveis de emoções negativas, bem como de estados de hostilidade e depressão.
  • Câncer: as mulheres que se classificaram por sua pontuação como mais otimistas no processo de diagnóstico do câncer de mama relataram menos mal-estar antes e depois da intervenção.
  • Infectados pelo HIV: alguns estudos indicam que as pessoas soropositivas que são otimistas apresentam níveis mais baixos de afeto negativo e preocupações relacionadas ao desenvolvimento da doença.

Mulher de braços abertos

Realizada esta breve mas interessante viagem pelos detalhes sobre a relação entre otimismo e saúde, está em nossas mãos reparar ou adequar a nossa disposição ao que gostaríamos, nossa personalidade e nossos filtros perceptivos a aquilo que acreditamos que nos ajudará. O que temos visto é que, em muitos casos, um certo grau de otimismo representa uma ajuda para o nosso humor e a nossa saúde.

É a qualidade das relações interpessoais a que prediz o bem-estar.

Referências bibliográficas

Sanjuán, P y Pérez, A. M (2006) Personalidad y vida afectiva I: afectos positivos . Psicología de la personalidad: teoría e investigación. Madrid: UNED.

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