Você está em um relacionamento unilateral?

26 Setembro, 2020
Você está em um relacionamento unilateral quando você dá tudo por nada; quando você se sente emocionalmente exausto e psicologicamente esgotado. Esses são os principais efeitos dos relacionamentos amorosos unilaterais.

Um relacionamento unilateral contradiz todos os princípios de como deve ser um vínculo emocional. É a ruptura da reciprocidade e a violação do perfeito equilíbrio que deve constituir o substrato relacional. Tudo desmorona sem um compromisso conjunto, sem aquela vontade espontânea e autêntica de cada pessoa de cuidar dos detalhes do dia a dia.

Agora, o mais complexo de toda essa questão é quanto tempo leva para a pessoa perceber isso. Afinal, o desgaste e o distanciamento ocorrem gradualmente, aparentemente camuflados pela rotina, pela pressão imposta pelo trabalho e por aquelas obrigações externas que consomem tempo em casa e no amor. Nesse momento, a pessoa finalmente percebe que não há mais equidade no relacionamento. Na verdade, a outra pessoa pode mal estar presente nele.

Seu parceiro pode estar sentado bem ao seu lado e, ainda sim, você sente a sua frieza; ele está emocionalmente distante. Essa ausência de afeto e vontade é o que configura a unilateralidade. É um cenário em que apenas uma pessoa contribui, nutre e se esforça para manter o vínculo. Psicólogos geralmente definem esse tipo de dinâmica como um relacionamento doentio. Continue lendo para descobrir por quê.

Casal em crise

Relacionamento unilateral

Poderíamos definir um casal unilateral de uma forma muito simples: é aquele em que apenas um membro investe energia, vontade e tempo na relação. No entanto, é uma realidade muito mais complexa, porque as causas que promovem essa situação podem ser múltiplas.

Às vezes, as pessoas continuam em um relacionamento em que essa dinâmica esteve presente desde o início. Outras vezes, é algo que aparece gradualmente. Em qualquer caso, um relacionamento unilateral não é saudável. Ele constitui uma situação bastante prejudicial para os envolvidos e para aqueles que procuram revertê-lo e sustentá-lo a todo custo.

Isso explica por que este pode ser considerado um tipo de relacionamento doentio. É porque a sobrecarga emocional e psicológica que uma única parte gera para manter o vínculo costuma ser devastadora.

A seguir, você aprenderá a identificar se está em um relacionamento desse tipo.

É você quem sempre acaba cedendo

Um grande conhecedor dos relacionamentos afetivos e de suas dinâmicas mais comuns é o Dr. John Gottman. Seus estudos se estendem por décadas e suas pesquisas no chamado “laboratório do amor” ajudaram centenas de pessoas a salvar seus relacionamentos ou a sair deles.

Um de seus livros mais conhecidos é, sem dúvida, Sete Princípios para o Casamento Dar Certo. Nele, ele enfatiza algo: a necessidade de chegar a acordos. Se isso não acontece e for sempre um dos membros que acaba cedendo, que aceita e fica quieto, que prioriza o outro para salvar o relacionamento, algo inevitável ocorre: o relacionamento acaba se rompendo.

Se a balança sempre pender para o mesmo lado, a outra pessoa experimentará uma lenta asfixia emocional em que a autoestima, a dignidade e até a saúde se deterioram. Essa é uma situação muito comum em um relacionamento unilateral.

Você está em um relacionamento unilateral se não consegue expressar seus sentimentos e ter suas necessidades atendidas

Uma das características comuns desses tipos de laços é a sensação de vazio. Sempre há algo faltando. É como ter sede e nunca se sentir saciado. Seu parceiro pode estar bem ao seu lado e você pode até conversar com ele e fazer coisas com ele. No entanto, há algo errado. É claro que é possível que uma pessoa precise de mais do que a outra pode dar, mas os relacionamentos unilaterais são mais dinâmicos.

Esse “algo” é um bloqueio emocional. É tentar expressar seus sentimentos, pensamentos e necessidades ao seu parceiro e sentir que você está falando com uma parede. Você pode ter ouvido: “agora não é um bom momento para falar sobre isso”, “você sempre está reclamando da mesma coisa”, “o que você quer de mim?” ou “o que devo responder?”. Essas são as reações mais comuns. No entanto, quando seu parceiro precisa do seu apoio ou carinho, você não hesita em responder e atender às necessidades dele o mais rápido possível.

Seu parceiro não faz nenhum esforço

Se algo precisa ser pago, o normal é que você pague, é o que é esperado de você. O mesmo acontece quando um problema precisa ser resolvido, e assim por diante. Esse cenário configura um relacionamento unilateral. Nele, existe uma parte passiva e uma proativa que acaba se esforçando para enfrentar qualquer coisa, qualquer tarefa cotidiana ou desafio que se aproxima.

Além disso, é esperado de você que não proteste ou reclame porque, afinal, está cumprindo seus deveres. Vamos ser claros: o relacionamento deixa de ser saudável no momento em que um de vocês dá esse tipo de coisa como certo e não reconhece o que o outro faz. Também não é saudável apenas um de vocês sempre assumir o comando de uma determinada tarefa ou imprevisto. Esse tipo de cenário é basicamente um golpe fatal para qualquer relacionamento.

Um relacionamento unilateral é confuso e exaustivo

Um relacionamento unilateral é confuso e exaustivo

Existem muitas “bandeiras vermelhas” nesse tipo de relacionamento, mesmo que você se recuse a aceitá-las. O motivo pelo qual isso acontece é simples: você investiu muito esforço, tempo e emoções e não quer desistir. Assim, você dá mais oportunidades, assim como amor, dedicação e paciência, enquanto espera que algo mude.

No entanto, obviamente, nada muda. Inclusive, aparece o cansaço mental e físico. A pessoa afunda em quase todos os sentidos, psicologicamente e muitas vezes até financeiramente. Você não pode esquecer que existem relacionamentos unilaterais em que o vínculo é baseado somente no interesse próprio. 

É claro que cada casal é um mundo, mas há um princípio básico que nunca deve falhar: o amor envolve equilíbrio e reciprocidade. Trata-se de ser uma equipe, de somar forças. Além disso, trata-se de cuidar um do outro e nutrir o relacionamento. Quando isso não acontece, tudo desmorona.

  • Gottman, John (2012) Las siete reglas de oro para vivir en pareja. Debolsillo