Relações destrutivas: por que permanecemos nelas?

Relações destrutivas: por que permanecemos nelas?

Janeiro 17, 2018 em Psicologia 964 Compartilhados
Relações destrutivas: por que permanecemos nelas?

Por mais que você tente, acaba tropeçando no mesmo perfil de pessoas em suas relações amorosas. Aquelas inundadas de desconforto, obsessões e que acabam formando relações destrutivas. Alguma vez você já se perguntou por que atrai pessoas que não lhe convém? Seria má sorte? De forma alguma: isso que acontece com você tem nome e é conhecido como o círculo vicioso da “retraumatização”.

Quando repetimos o mesmo padrão de casal repetidas vezes, alguma coisa está acontecendo. Não é que as pessoas venham a nós porque sim, mas porque as escolhemos e as atraímos por alguma razão. Ao invés de impedi-las, as convidamos para entrar em nossas vidas. Há algo nelas que nos atrai, ainda que cedo ou tarde a história acabe se repetindo…

“Cada um tem o amor que acredita merecer. Cada um tem o destino que acredita merecer e cada um tem a vida que acreditar merecer”.
– Anônimo –

O que ignoramos durante a fase do encantamento? Quais erros continuamos cometendo ao conhecer uma pessoa? Para encontrar respostas, não somente há que se observar como nos comportamos repetidamente quando conhecemos alguém, mas também precisamos olhar para a infância. Porque por algum motivo, estamos repetindo nosso passado e revivendo o que em algum momento nos faz mal.

A história de Laura e suas relações destrutivas

Laura era uma jovem que com 18 anos começou a ter suas primeiras relações amorosas. Ela tinha baixa autoestima e, através das redes sociais e chats, conseguiu sentir que havia pessoas que podiam se interessar por ela. Na verdade, ela se apaixonou pelo primeiro menino que o fez. Ainda que em um primeiro momento ele fisicamente não a atraísse, ela acreditava que com o tempo isso poderia mudar.

Casal com a testa colada

Esse menino enganou Laura. Ela descobriu várias mensagens em seu celular flertando com outras meninas e mencionando “os bons momentos que tivera aquele dia”. Porém, ela se calou, até que com o passar do tempo não aguentou mais. O relacionamento foi arruinado, mas antes de se separar Laura já tinha uma nova pessoa para sair: uma pessoa que era casada. Alguém com quem enganou seu companheiro que havia a enganado.

As relações de Laura foram todas desastrosas e ela não se dava conta de que estava revivendo-as. Nunca se deu um tempo para ficar sozinha e começava relações com pessoas das quais não gostava realmente. Ela enganava a si mesma. Não era amor o que sentia, e sim uma necessidade de aprovação e uma busca por não ficar sozinha.

“As relações destrutivas costumam ser um oito deitado”.
– Bibiana Faulkner –

Todas as relações de Laura eram destrutivas e repetiam o mesmo padrão. As pessoas com quem iniciava uma relação eram casadas ou acabavam sendo infiéis. Isto é, Laura tinha relacionamentos nos quais seus parceiros se afastavam dela, a deixavam sozinha, a substituíam por outra pessoa, a enganavam e mentiam… De onde poderia vir tudo isso?

Laura tinha vivido uma situação familiar na qual seu pai enganava sua mãe, que permitia que isso acontecesse, e que em um dado momento fez o mesmo e o enganou também. Seus pais estiveram a ponto de se divorciar, mas continuaram. Até que depois de vinte anos, terminaram definitivamente. Sua mãe sempre se sentiu enganada, sozinha, como se fosse “a outra”. Seu pai sempre enganou sua mãe, sempre levara uma vida dupla. Inclusive teve um filho em uma de suas outras relações.

Sair do círculo vicioso da “retraumatização”

Laura não era consciente do tanto que seu contexto familiar a havia afetado. Em suas relações, escolhia companheiros similares a seu pai. De alguma maneira, revivia essa solidão, essa sensação de ser a outra e os medos experimentados em sua infância.

Atrair diversas vezes o mesmo não é mais do que um sinal de alerta para começar a ser consciente do que nos acontece e tomar decisões a respeito. De nada nos servirá culpar os outros pelo o que nos acontece agora. Somos responsáveis por nossa própria vida e somente nós mesmos podemos decidir de que maneira a queremos viver.

Casal transparente com as cabeças unidas

Esta não é uma situação simples. Laura, por exemplo, poderia ter chegado ao extremo de pensar que era melhor ficar sozinha para evitar conhecer pessoas que continuariam fazendo mal a ela. Dessa maneira, rejeitaria qualquer potencial parceiro, mesmo que esse não continuasse perpetuando o padrão que havia sido cumprido até o momento. Estaria se limitando e, provavelmente, não seria feliz.

Por isso é importante não cair em extremos. Encontrar o equilíbrio, ver o que está falhando, os erros que estamos cometendo e o que está nos levando a ter relações destrutivas. Tudo isso é muito importante para construir nossas relações.

“As relações destrutivas nos debilitam por dentro, esgotam, roubam toda a energia. No entanto, você não é consciente de que com uma única decisão, essa situação poderia dar um giro de 180˚”
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É possível sair de relações destrutivas. Apenas temos que ser conscientes do trauma que vive em nós e que nos marca. Nosso único objetivo é superá-lo.

Não nos culpemos, não nos façamos de vítimas e não nos conformemos. Com uma decisão, podemos mudar a direção que tomamos até agora. Estamos preparados para enfrentar o medo que a mudança pressupõe?

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