Relembre, acolha e cure a sua criança interior

· janeiro 29, 2016

A minha criança interior continua em mim, não se foi, é a voz que escuto quando me permito ser livre e sonhar por novas coisas. Ela, quem me pede que cure as feridas emocionais do passado...

É normal ouvirmos com frequência expressões como “a necessidade de curar a sua criança interior”. Longe de ser uma corrente espiritual, este conceito tem a sua origem na psicanálise.

A importância dos primeiros anos da nossa vida e suas respectivas experiências prévias irão moldar grande parte da nossa personalidade, nossos valores, equilíbrio emocional e autoestima.

Além disso, muitas destas lembranças iniciais podem se transformar em sombras de medos ou ansiedades, ou em lembranças de uma infância plena e feliz que nos acompanharão quando nos transformarmos em adultos.

Cada um de nós dispõe da sua própria “arca existencial”, onde os 8 primeiros anos de vida são sem dúvida a chave de grande parte do que somos agora.

É aí, em um canto oculto do nosso ser, que se esconde a criança interior. Todos aparentamos ser adultos maduros e seguros, bem protegidos com nossas armaduras de grandes guerreiros, aptos para enfrentar este mundo complexo.

Contudo, são muitas as vezes em que fechamos os olhos e sabemos que algo está faltando. Que dói algo que não tem uma ferida externa, e sim interna.

Existe uma criança em todos nós que ficou em uma idade onde apareceu um determinado tipo de carência, de necessidade não suprida. Falemos disto agora.

A minha criança interior e o seu passado emocional

É possível que algumas pessoas sorriam ou vejam algo de irônico no termo “criança interior”. Para muitos esta expressão denota fraqueza, inocência e o olhar de alguém que ainda não sabe muito bem o que é e como o mundo caminha.

“Os adultos sabem tudo e as crianças não sabem nada” – pensam. E ainda mais, “a infância é essa etapa que todos vivemos sem preocupação e uma felicidade absoluta” – consideram alguns de forma equivocada.

A infância é o despertar da vida, onde aparecem as primeiras perguntas e onde recebemos as primeiras respostas. Se o que nos rodeia é o desapego, a carência, a tristeza e o abandono, será difícil se transformar em um adulto seguro emocionalmente.

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Para crescer com maturidade e felicidade, toda criança precisa desenvolver um carinho saudável onde exista um amor sincero que lhe ofereça segurança em cada passo, em cada queda.

Se o vínculo desenvolvido com os progenitores não for adequado, todas essas primeiras vivências irão nos marcar de uma forma ou de outra.

A infância nem sempre é sinônimo de felicidade ou sossego. Ninguém tem garantido o seu bem-estar físico e emocional ao chegar ao mundo.

Ser criança nunca é fácil, porque todos precisamos do apoio de alguém para começar a andar, para pronunciar as primeiras sílabas e saber que os temores, as angústias, se apagam com abraços e palavras adequadas.

As demandas da nossa criança interior

Esclarecida a necessidade de aceitar que todos temos uma criança interior, é importante saber agora o que ela pode estar nos pedindo.

Reflita alguns instantes sobre estas dimensões:

– A sua criança interior pode estar pedindo que você resolva certos aspectos do passado.

– É possível que você precise de alguma explicação sobre um fato da sua infância, que você demande um perdão ou que você mesmo tenha que oferecê-lo.

– Também pode ser que você não tenha nenhuma carência emocional do passado para resolver. Agora, a nossa criança interior também demanda que sejamos mais livres no nosso dia a dia.

– É preciso que você se permita relativizar um pouco mais a sua realidade, que você deixe de lado as suas preocupações, o estresse…

– Seja mais espontâneo, permita-se rir um pouco mais, recuperar um pouco da sua inocência perdida e com ela a sua ilusão.

– A nossa criança interior também demanda amor. Amar e ser amado. Vença os seus escrúpulos, a sua vergonha ou a sua aparência de adulto cinzento e permita-se um pouco de liberdade emocional.

Como curar a nossa criança interior

Todo processo de cura emocional requer uma plena e autêntica convicção própria. Ninguém pode ser livre à força, se primeiro não existe a necessidade para isto.

Deve ficar claro que não poderemos resolver um determinado problema se primeiro não nos convencermos de que ele existe. Pense, por exemplo, no seu dia a dia…

Você sofre muito estresse? Você perdeu a esperança? Você sente que por mais que o seu parceiro se esforce, não lhe faz feliz? Existe um tipo de amor que falta no seu interior e que você não consegue definir?

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Este pequeno exercício de visualização e de reconstituição emocional pode ajudar em muitos aspectos.

1- Pegue uma fotografia de quando você era pequeno, de quando tinha 7 ou 8 anos.

2- Deixe que as lembranças voltem, com tranquilidade, evoque aqueles anos e sinta-se livre para que as emoções e as imagens venham até você.

3- Agora visualize a si mesmo com essa criança. Estão os dois, o “eu adulto” e o “eu da sua infância” frente a frente.

4- Pergunte-lhe do que ele precisa, o que ele quer, o que lhe faz falta. Pergunte-lhe que carência ele tem e o que desejaria para se sentir livre e completo.

Reflita sobre isto, com certeza lhe será de ajuda.