Que papel a sensibilidade à ansiedade desempenha no consumo de cigarro?

Que papel a sensibilidade à ansiedade desempenha no consumo de cigarro?

25, abril 2017 em Psicologia 548 Compartilhados
Que papel a sensibilidade à ansiedade desempenha no consumo de cigarro?

Todos nós já ouvimos ou dissemos a frase “estou nervoso, preciso de um cigarro“. Assim, a crença de que o tabaco tem um enorme poder ansiolítico está tão difundida que passou a fazer parte do inconsciente coletivo. Muita gente acredita que o cigarro tem um efeito relaxante, parecido com o de uma infusão de valeriana. Desta forma, muitas pessoas continuam fumando com o único propósito de manter a calma.

Mas a realidade é que isso não é verdade. O tabaco é uma substância excitatória. Ao fumar, ficamos mais ativos e também mais nervosos. A “tranquilidade” que sentimos em um primeiro momento ao tragar o cigarro tem a ver com a redução da ansiedade de consumir a substância viciante, não porque ela realmente tenha um efeito relaxante. De fato, a sensibilidade que temos à ansiedade influencia de forma significativa o consumo de tabaco.

“A verdadeira face do cigarro é a doença, a morte e o horror, não o glamour e a sofisticação que a indústria do cigarro tenta retratar.”
-David Byrne-

A ansiedade e as primeiras tragadas

Para começar, o que é a sensibilidade à ansiedade? A sensibilidade à ansiedade é o medo que algumas pessoas têm da ansiedade em si e dos seus sintomas. Essas pessoas pensam que o estresse tem consequências muito prejudiciais para elas. Assim, quando detectam indicadores de que estão experimentando essa emoção, ocorre uma amplificação da mesma.

O perigo de ter uma elevada sensibilidade à ansiedade na hora de começar a fumar é que essas pessoas podem ver o quanto é benéfica essa primeira redução da ansiedade que se consegue imediatamente após a tragada. O fato de encontrarem no consumo de tabaco uma forma efetiva de regular a ansiedade vai fazer com que comecem a fumar habitualmente. Além disso, será uma razão para não deixar o vício.

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Ou seja, essas pessoas interiorizam a ideia de que fumar é uma forma aceitável e “rentável” de reduzir a ansiedade. Em outras palavras, vão fazer do consumo de tabaco a sua estratégia para regular a ansiedade. Por isso, é importante aprender a colocar em prática outro tipo de estratégias de enfrentamento para o estresse, para que sejamos capazes de lidar com ele sem realizar condutas prejudiciais para a nossa saúde, como fumar.

Qual o papel da sensibilidade à ansiedade no fato de continuarmos a fumar?

Assim como para começar a fumar, a sensibilidade à ansiedade também tem o seu papel no fato de continuarmos a fumar. Isso não ocorre somente porque porque essas pessoas têm uma maior sensibilidade ao efeito ansiolítico do cigarro desde a primeira tragada; outros fatores também influenciam.

“Cuide do seu corpo. É o único lugar que você tem para viver.”
-Jim Rohn-

Em concreto, as pessoas com alta sensibilidade à ansiedade têm um maior efeito positivo depois de fumar. Assim, elas também sentem uma maior satisfação. Além disso, a recompensa psicológica para elas aumenta. Desta forma, fumar não só reduz a ansiedade, como também aparecem emoções positivas que vão influenciar para que a pessoa continue fumando.

Isso vai fazer com que as pessoas com alta sensibilidade à ansiedade fumem de forma mais inflexível perante situações estressantes e que lhes causem emoções negativas. Ou seja, novamente, utilizam a conduta de fumar para regular o estresse ao invés de enfrentá-lo de forma mais adaptativa.

Como a sensibilidade à ansiedade age na hora de largar o cigarro?

A sensibilidade à ansiedade é especialmente importante para quem quer parar de fumar. Ela interfere de forma direta nas tentativas de abandono do consumo, já que essas pessoas sentem certos sintomas de abstinência mais intensos na primeira semana. Portanto, têm uma probabilidade menor de parar de consumir cigarro e um risco mais elevado de recaída.

Essas pessoas também apresentam mais tentativas fracassadas de parar de fumar. A consequência é que elas se sentem menos capazes de conseguir fazer isso. Além disso, acreditam que no fim a única coisa que vão conseguir é aumentar sua sensação de desconforto. Como já comentamos acima, essas pessoas têm medo de se sentirem mais ansiosas, e essas expectativas vão significar uma desvantagem adicionada ao processo de deixar o cigarro, que por si só já é difícil.

“A consciência de que a saúde é dependente dos hábitos que controlamos nos torna a primeira geração da história que determina em grande medida o seu próprio destino”.
-Jimmy Carter-

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Por tudo isso, é interessante trabalhar de forma concreta a sensibilidade à ansiedade com as pessoas que querem parar de fumar. Para isso, é necessário que elas se exponham de forma gradual à ansiedade. Ou seja, elas têm que senti-la. Desta forma, poderão ver que são capazes de geri-la e não terão tanto medo dela, o que vai reduzir os efeitos negativos desta sensibilidade no abandono do consumo de cigarro.

Imagens cortesia de Stas Svechnikov, Lucas Filipe e Dmitry Ermakov.

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