Seu melhor amigo também tem consciência

· abril 15, 2015

Se você compartilha a sua vida com um ou mais cachorros, tenho certeza de que algumas dessas questões já vieram a sua mente: O que há por trás de seus olhares? Como podem entender tantas coisas? Será que são seres realmente inteligentes? Será que têm consciência? Será que ele é meu melhor amigo?

Pela primeira vez, neurocientistas dedicaram-se a essas questões na tentativa de desvendar algumas das dúvidas que, historicamente, sempre estiveram na mente de gerações e gerações de amantes de cachorros. Para isto, um conjunto de cães foi submetido a um scaner de fMRI para observar o comportamento de seus cérebros, da mesma maneira como fazemos com os seres humanos. Os resultados foram muito reveladores.

Meu melhor amigo tem a consciência similar a de uma criança?

Antes de conhecer quais foram as conclusões do neurocientista Gregory Burns, vamos falar um pouco sobre o que é a consciência. Como podemos descrevê-la? A consciência é esse conhecimento que temos sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor, formado, por sua vez, por um sentido da moral: saber o que é bom e o que é ruim, conhecer o mundo do qual fazemos parte e integrar, por sua vez, um sentido de ética.

Cão o melhor amigo

Bom, uma vez esclarecido isto, podemos avançar e dizer que os resultados do Dr. Burns revelaram que os cães têm uma consciência comparável a de uma criança. Seu cérebro é rico em receptores de dopamina, um dos neurotransmissores que trabalham a nível do caudado e do tronco cerebral igual ao dos seres humanos.

Nas pessoas, o caudado implica em podermos antecipar as coisas que acontecem ao nosso redor: saber que certa companhia não é agradável, que precisamos de carinho para sermos felizes, que certas situações podem causar mal estar em terceiros e também em nós mesmos…

Ou seja, os cães dispõem de uma refinada conexão cognitiva que os permite reconhecer que certas situações estão ligadas a determinadas emoções. E além disso, eles não são capazes de reconhecer apenas suas próprias emoções, mas também as emoções dos demais. Nunca aconteceu de estar triste e perceber a presença e até mesmo a preocupação de seu fiel amigo?

A estrutura cerebral dos caudados não é a única similar a dos seres humanos: muitas outras partes do cérebro são ativadas da mesma maneira que as nossas. Por exemplo, os cachorros sentem, sonham, pensam, têm medo da solidão e são capazes de elaborar programações bem simples para conseguir objetivos básicos. Os cientistas também falam de um conceito chamado “homologia cerebral”; esse conceito faz, por exemplo, com que os cães estabeleçam associações rudimentares diante de determinadas condutas: se nós não estamos em casa, eles sabem que vão se sentir sós, que não vão ganhar carinho nem comida.

Os cachorros estão emocionalmente unidos a nós e isso vai muito além do sentido prático ou instrumental, e não ocorre unicamente por um mero sentido de alimentação. Pensemos naqueles casos onde os cachorros perdidos conseguem encontrar seus donos, mesmo que estes tenham se mudado de cidade. Ou então na morte de seus donos, quando a tristeza diante da perda costuma ser claramente visível nos animais. Os cientistas falam de um vínculo, de uma união que continua instaurada neles.

A habilidade para experimentar emoções positivas, como o amor e o apego, nos demonstra que os cães têm um nível de sabedoria muito comparável ao de uma criança humana. Tudo isso surge para fazer com que pensemos em muitas coisas: que talvez eles entendam mais do que pensamos, que eles são capazes de nos dar um apoio emocional tão sincero como o de qualquer um de nossos amigos e que, acreditando ou não, eles sofrem da mesma forma que nós sofremos quando são rejeitados, ou abandonados.

Então lembre-se de que este amigo que te olha com respeito também tem a consciência de estar feliz vivendo com você.