Desejo erótico e sexologia

A sexologia tem muito a dizer sobre o desejo erótico. A complexidade que envolve esta questão a torna muito interessante. Cada vez mais profissionais de sexologia estão demonstrando interesse em investigar o tema.
Desejo erótico e sexologia

Última atualização: 26 Abril, 2021

O desejo sexual, também conhecido como desejo erótico, é um dos conceitos mais interessantes da Sexologia. É também um conceito difícil de definir, descrever e medir.

A sexologia, como ciência que estuda os sexos e tudo que os rodeia, é encarregada de estudar o desejo. Até o momento, vários autores tentaram investigar o desejo erótico, mas a verdade é que poucos lançaram alguma luz sobre esse fenômeno.

A psicologia, especialmente em seu campo mais aplicado, concentra-se em três níveis: emoções, pensamentos e comportamentos. Alguns autores tentaram colocar o desejo em um deles. No entanto, o desejo é tão complexo que não pode ser definido como inerente a apenas um deles.

O desejo erótico não é uma emoção, porque nossos estados emocionais podem ser alterados por meio da reestruturação cognitiva ou modificação do comportamento; não é o caso do desejo, que tem um caráter imutável que o distingue de ser considerado uma emoção.

Essa mesma característica é o que descarta o desejo como um fato pertencente ao plano cognitivo. Além disso, não é preciso dizer que o desejo nunca pode ser definido em termos de comportamento, uma vez que podemos desejar de uma maneira e nos comportar de outra por muitos motivos diferentes. Portanto, poderíamos dizer que o desejo erótico é um fato que se conecta com os três planos, mas não pertence a nenhum deles exclusivamente.

Casal na cama

Redefinindo o desejo erótico

Freud tentou definir o desejo usando o conceito de “libido”. Este termo ainda é usado até hoje, embora não seja muito exato. Não é fácil definir o desejo em termos científicos ou operacionais. Se atualmente há muito preconceito na investigação desses conceitos, há cem anos isso era ainda mais forte. O próprio Freud, falando do desejo, disse que “onde os homens amam, eles não têm desejos, e onde desejam, não podem amar “.

Helen Singer Kaplan deu uma contribuição muito importante às teorias do desejo erótico. Esta Ph.D. em Psicologia introduziu o desejo no famoso modelo de resposta sexual humana de Masters e Johnson (excitação, platô, orgasmo, resolução), alterando-o para as fases de “desejo, excitação, orgasmo e resolução”.

Stephen B. Levine é um dos pesquisadores do desejo mais reconhecidos. Este psiquiatra norte-americano o definiu em três componentes: o impulso, o desejo e o motivo.

No entanto, uma das melhores reflexões sobre o desejo é oferecida por John Bancroft. Este médico falou sobre o desejo como algo experiencial e não neurofisiológico. Para ele, esse fato deve ser descrito identificando três dimensões: cognitiva, afetiva e neurofisiológica.

Hoje, existem muitos autores que pesquisam e escrevem sobre o desejo erótico. Na Espanha, há vozes de grande autoridade que estudam esse fenômeno há anos. Joserra Landarroitajauregi, Francisco Cabello ou Miren Larrazabal são três dos sexólogos que mais se dedicaram ao assunto.

Características

Não existe uma definição universal ou oficial deste conceito: ele tem características muito particulares que o tornam um objeto de estudo muito complexo. Algumas das suas características mais importantes são as seguintes:

  • Incontrolável. Sim, o desejo erótico não pode ser controlado. O que está sob nosso controle é o comportamento. Mesmo que tenhamos um certo desejo por algo ou alguém, não temos que realizá-lo, mas suprimir ou mudar o rumo desse desejo é, em princípio, inviável.
  • Involuntário. O desejo não está sujeito à nossa vontade  porque é provável que, se muitas pessoas pudessem escolher a direção ou a intensidade do seu desejo, talvez escolhessem outra forma de desejar.
  • Anárquico. O desejo erótico não tem ordem, não tem hierarquia concreta. Às vezes desejamos pessoas que não têm um papel importante no nosso dia a dia. Podemos até desejar eroticamente as pessoas que acabamos de conhecer, sem razão aparente, mais do que outras que já fazem parte de nossas vidas há anos.
  • Incoerente. Já aconteceu com você de desejar alguém de quem não gosta? Bem, essa é uma das manifestações da incoerência do desejo. A incoerência do desejo ocorre em muitas áreas de nossa vida. Podemos desejar pessoas de ideologias diferentes das nossas, de crenças religiosas diferentes, com estilos de vida diferentes e até, a priori, incompatíveis…
  • Promíscuo. A promiscuidade é a principal característica do desejo. É a palavra que melhor o descreve. Dentro do mundo dos desejos de cada um vale tudo, absolutamente tudo, e ninguém pode governar, independentemente das convenções sociais, estereótipos, preconceitos, padrões de beleza, etc.
Casal se abraçando

Essas características, embora tornem o desejo um objeto muito difícil de investigar, também o tornam um dos fatos mais curiosos, intensos e belos que fazem parte de nós.

O desejo está relacionado à nossa intimidade, acontece nas profundezas do nosso ser, e ninguém tem acesso a ele além de nós mesmos. No mundo do nosso desejo erótico, não há limites nem regras. Portanto, o desejo é uma das manifestações mais puras e belas da liberdade humana.

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  • Alfonso, V. C., Allison, D. B., & Dunn, G. M. (1992). Sexual fantasies and satisfaction: A multidimensional analysis of gender differences. Journal of Psychology.