A Sexologia Substantiva

· abril 19, 2019
A unificação do conhecimento sexológico é determinante para conferir a essa disciplina uma entidade própria, e não de ramificação ou especialidade. Essa corrente que unifica e harmoniza esses conhecimentos é conhecida como Sexologia Substantiva.

A Sexologia Substantiva é a ciência que estuda os sexos. Existe um detalhe nessa breve definição: a utilização do termo sexos (no plural), e não sexo (no singular).

Ou seja, não se estuda somente o “sexo que se faz”, aludindo às relações íntimas. Também não se estuda apenas o “sexo que se tem”, aludindo aos genitais. Essa disciplina estuda os sexos como um fato inerente à própria condição humana.

Fala-se no plural dos sexos, fazendo referência a homens e mulheres. O fato é que os sexos são dois, mas as formas de se sentir e viver como homem ou mulher são infinitas. Portanto, essa é uma disciplina que considera o sexo (os sexos) como um fator diversificante.

Por que é “substantiva”?

Atualmente, contamos com um vasto corpo literário sobre o tema. Existe uma epistemologia suficientemente extensa para falar de Sexologia como disciplina, e não como ramificação ou especialização de outras. No entanto, esses conhecimentos sexológicos estão muito fragmentados e degradados.

A fragmentação é percebida em cada disciplina que estuda o sexo como parte da mesma, não como um todo. Nós nos referimos aqui à “psicologia sexual”, “medicina sexual”, “antropologia sexual”, etc. Essa fragmentação conduz à degradação do conhecimento sexológico.

Casal se beijando na cama

A Sexologia se associa ao que as pessoas fazem em suas camas, e não ao ato sexual humano. Isso é muito mais extenso e inclui não apenas as relações íntimas, mas também todas as questões relacionadas às pessoas como seres sexuais.

A Sexologia Substantiva recebe esse nome porque se apresenta como a Sexologia que engloba todos esses conhecimentos, totalmente estruturados, harmônicos e coerentes em uma disciplina própria.

Por isso, se afasta do “sexual” colocado como adjetivo por muitas disciplinas, tal como comentado anteriormente, como uma (às vezes pequena) parte das mesmas, e se transforma em substantiva, para se tornar a disciplina que estuda “os sexos”.

As vantagens da Sexologia Substantiva

Contar com uma entidade própria, com uma episteme, uma metodologia e ferramentas específicas permite que a Sexologia trate as dificuldades e os problemas de uma forma muito mais eficaz e completa. A seguir, vamos destacar uma série de vantagens dessa reformulação:

  • Profissionais melhor formados. A Sexologia Substantiva garante que os profissionais tenham um conhecimento amplo do ato sexual humano, e não de um âmbito específico do mesmo.
  • Promove a diversidade. Estudar o sexo não apenas como fator diferenciador, mas também como fonte de diversidade, garante a compreensão de todos os fatores da diversidade sexual. Por sua vez, permite que a forma de tratar os problemas e as dificuldades de homens e mulheres seja muito mais holística.
  • Protagonismo acadêmico. O discurso unificado da Sexologia Substantiva torna mais possível que essa disciplina acabe conquistando sua independência no nível acadêmico. A forma de reunir todos os conhecimentos sexológicos e harmonizá-los em uma disciplina é, em si, uma motivação para conseguir realizar esse objetivo.
  • Uma disciplina a serviço da sociedade. Esse conjunto de conhecimentos vai esclarecer as dúvidas em questões bastante extensas. Conceitos como a virgindade, o desejo, a sedução ou práticas que recebem pouca visibilidade vão ficar livres de preconceitos e estereótipos. Isso será feito através dos profissionais da Sexologia Substantiva, através de uma educação sexual de mais qualidade.
Sexologia Substantiva

Essa nova Sexologia é a que melhor descreve todos os fatores da diversidade sexual. Além disso, integra todos os discursos sobre os sexos e tudo que envolvem.

O termo “substantiva”, na qualidade de reivindicativo do que é e há de ser a Sexologia, tem um caráter transitório. Quando a Sexologia adquirir a importância e o reconhecimento que merece, não será preciso outorgar-lhe um sobrenome porque já será substantiva.