O significado dos sonhos ao longo da história

O significado dos sonhos passou por variações ao longo da história. Neste artigo, vamos propor uma viagem reflexiva pelo universo do onírico.
O significado dos sonhos ao longo da história

Última atualização: 11 Julho, 2021

A análise da função e do significado dos sonhos passou por variações ao longo da história. Portanto, as teorias evoluíram, atribuindo ao sono funções relacionadas à aprendizagem, à sobrevivência, ao descanso e às crenças místicas.

Em cada cultura, foram atribuídos conteúdos mágicos à interpretação dos sonhos, influenciando diretamente o dia a dia. Com a evolução dos seres humanos e da tecnologia, a interpretação e o estudo dos sonhos também evoluíram.

A seguir, passamos para a análise do conteúdo mágico e independente do sonhador, as formas de análise baseadas em teorias científicas voltadas para o funcionamento do cérebro de cada indivíduo.

O que são os sonhos?

O sono é um processo biológico ativo com função universal do cérebro. As produções oníricas geralmente aparecem durante o sono REM (rapid eye moviment). Esse período do sono é definido pelas seguintes características:

  • Comportamentais: desativação motora parcial.
  • Fisiológicas: variação da atividade elétrica cerebral (similar à vigília).

Mulher de olhos fechados

O sono REM

É uma fase em que o cérebro está muito ativo e o tronco encefálico bloqueia os neurônios motores, impedindo os movimentos da pessoa. Nessa fase, surgem os sonhos mais lúcidos e com um fio condutor, embora pareçam incoerentes. Os olhos apresentam movimentos e a atividade cerebral é semelhante à da vigília. Também aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial.

As primeiras explicações

Nas civilizações mesopotâmicas, como a Babilônia e a Suméria, os sonhos significavam manifestações da vida após a morte. Os sonhos eram considerados expressões divinas e existiam deuses atribuídos a eles. No Egito, os sonhos funcionavam como presságios, mensagens do destino que precisavam ser decifradas.

O relato mais famoso é o do texto bíblico de Gênesis. Quando o faraó sonhou com 7 vacas magras caminhando ao longo do Nilo, a interpretação retratou como presságio anos iminentes de seca. Com base nisso, foram tomadas medidas político-administrativas.

Os sonhos na Grécia Antiga

Os gregos consideravam os sonhos como mensagens da alma, interpretadas como revelações. Quando uma pessoa tinha pesadelos recorrentes, ela era confiada a Morfeu, deus do sono.

Qual é o propósito de dormir e sonhar?

Os estudos polissonográficos permitem estabelecer que os seres vivos apresentam um ritmo biológico de aproximadamente 24 horas. Esse processo é subjacente ao relógio circadiano, um sistema baseado no hipotálamo. Esse relógio regula o ritmo biológico influenciado por agentes externos, como a luz e a temperatura. É o responsável por nos fazer dormir e nos manter acordados.

Enquanto estamos dormindo, sonhamos o tempo todo?

A resposta é não. Todas as pessoas têm períodos de sono NREM (non rapid eye movement), caracterizados por ondas lentas, e de sono REM. Esses períodos se intercalam ao longo da noite. Cada pessoa experimenta aproximadamente 5 intervalos de sono REM, que ocorrem em maior extensão durante a segunda parte da noite.

Mecanismo de preservação

Diversos autores propõem os sonhos como um mecanismo de preservação adquirido evolutivamente pelos mamíferos. A alta atividade cerebral do sono REM funcionaria como um sistema de alerta periódico para possíveis ataques de predadores. Durante os sonhos, foi detectada uma grande atividade da amígdala e do sistema límbico.

Funções do sono

  • Descanso: permite que os neurotransmissores se recarreguem enquanto os neurônios sensório-motores se ativam.
  • Genética: os sonhos têm uma característica adaptativa, pois permitem a implementação de programas de ensaio de padrões de comportamento.
  • Informativa: o sono REM tem sido associado à consolidação da memória. Nessa fase, as conexões mais fracas do dia anterior são descartadas, consolidando as mais fortes.
  • Criatividade: o sono pode ser visto como uma representação do mundo interior. A imaginação e a capacidade do cérebro de recriar diversas situações são postas à prova.
  • Desenvolvimento cognitivo: o desenvolvimento de habilidades visuoespaciais em crianças tem sido relacionado à qualidade das expressões oníricas.

A interpretação emocional do sono

Sigmund Freud foi um dos primeiros autores a interpretar os sonhos de maneira sistemática. Primeiro, ele relaciona o significado dos sonhos às experiências emocionais, onde o inconsciente se manifesta por meio da linguagem simbólica. Depois, Carl Gustav Jung, já separado das teorias de seu professor, propõe sob o paradigma da energia, uma teoria em que os sonhos revelam arquétipos compartilhados.

Uma porta para o mundo interior

Não é difícil perceber que nossos medos são expressos nos pesadelos, e nossos desejos em sonhos felizes. Em momentos de confusão ou estresse, nossos verdadeiros desejos podem ser expressos nos sonhos, sem as limitações da vida cotidiana.

“Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta”.
-Carl Gustav Jung-

Como interpretar os sonhos?

A partir da perspectiva psicanalítica, houve a tentativa de classificar o significado dos sonhos em vários dicionários. Essa tarefa é muito difícil e pouco precisa devido às variações culturais da linguagem. Encontrar conexões entre o material dos sonhos e a vida diária é uma forma de outorgar significado.

Mundo onírico

Compartilhar os sonhos

Existem pessoas que acham os sonhos perturbadores e preferem não contá-los, mas outras pessoas têm curiosidade sobre o assunto e tentam analisá-los. A seguir, vamos deixar algumas dicas caso você pertença ao segundo grupo:

  • Anotações. Se um sonho chamar a nossa atenção, devemos anotá-lo logo nos primeiros minutos após acordar. Quanto mais tempo passar, menos detalhes poderão ser recuperados.
  • Objetividade. É necessário ver os sonhos de maneira objetiva e analisá-los por aquilo que eles são, diálogos internos da nossa mente. Foi comprovado que muitas vezes os sonhos são influenciados diretamente por agentes externos. Um exemplo claro: sonhar com gelo pode ter uma explicação tão simples quanto dormir em um quarto muito frio.
  • Consultar. Sempre que um sonho chamar a nossa atenção ou se repetir excessivamente, podemos consultar um especialista. Um profissional poderá nos dar uma visão global e crítica sobre o tema.

E quanto aos pesadelos?

Em geral, são sonhos perturbadores que evidenciam momentos de estresse e preocupação. Para evitar que a sensação de angústia nos persiga ao longo do dia, duas estratégias podem ser aplicadas:

  • Tarefa de distração. Foi comprovado que quanto mais repetirmos o sonho ao acordar, mais ele ficará impregnado em nossa memória. Para evitar isso, podemos fazer tarefas simples, como pequenas operações matemáticas, nos primeiros minutos de vigília.
  • Distanciamento psicológico. É importante entender que o que aconteceu no sonho não precisa se repetir durante o dia e que são apenas manifestações dos nossos medos.

Por fim, é importante ressaltar que o significado dos sonhos sempre terá um grande componente subjetivo. Consequentemente, tanto seus aspectos fisiológicos quanto simbólicos são passíveis de interpretação.

De qualquer forma, somos nós que, em última análise, temos que decidir o que fazer com o que lembramos dos nossos sonhos.

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