Do sim ao não, quantos talvez?

· julho 23, 2016

Não dizemos o que queremos dizer. Falamos sim quando queremos falar não, negamos quando queremos consentir, um talvez significa não ou significa sim; por que temos medo de dar a nossa opinião verdadeira?

Sem dúvida muitas vezes nos vemos presos em situações nas quais não gostaríamos de estar desde o princípio por não sabermos dizer “não”, às vezes por medo das reações de outras pessoas, às vezes por compromisso.

A razão não é o que importa. O que é importante é que estamos indo contra nós mesmos ao desconectarmos o que pensamos e desejamos do que dizemos.

“A felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia.”
-Mahatma Gandhi-

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Saber dizer “não” em vez de “sim” ou “talvez”

Aprender a dizer não, a nos negarmos a fazer o que não queremos ou o que nos faz sentir mal é importante para a nossa felicidade e para sermos coerentes com nós mesmos.

Há muitas razões pelas quais dizer não é essencial:

Não ser complacente

É necessário aprender a dizer não quando realmente estamos concordando somente para agradar outras pessoas (parceiro, pais, amigos, etc). Evitar depender ou viver agradando continuamente os outros nos permitirá ser mais livres.

Escolher por nós mesmos

Nossa vida não pode estar nas mãos de outras pessoas. Se não somos nós que escolhemos o que queremos fazer, onde queremos ir, que tipo de pessoa queremos ao nosso lado, estaremos vivendo a vida dos outros, e não a nossa.

As pessoas que nos amam muitas vezes pensam que sabem o que é melhor para nós, mas apesar de suas boas intenções, talvez estejam sendo guiadas por seus medos, que não são os nossos.

“A alma se tinge da cor dos seus pensamentos. Pense somente naquelas coisas que estão em linha com os seus princípios e que podem ver a luz do dia. O conteúdo do seu caráter é algo que você deve escolher. Dia após dia, o que você escolhe, o que pensa e o que faz é o que define no que você se transforma. Sua integridade é seu destino… é a luz que guia seu caminho.”
-Heráclito-

Diga “não” e elimine a ansiedade

Quando queremos dizer “não” e dizemos “não” nos sentimos livres, em harmonia com nosso pensamento e com nossa essência mais profunda.

Por outro lado, quando nos encontramos diante de uma situação na qual nos metemos por medo de dizer “não”, nos invadem o incômodo, o estresse e a ansiedade.

Faça a si mesmo feliz, e não aos demais

É verdade que às vezes é preciso ceder, mas nunca às custas da nossa felicidade. As decisões tomadas por medo de reações de outras pessoas ou por um senso de compromisso com alguém provavelmente nos afetarão negativamente no futuro, porque não estamos sendo felizes e decidindo por nós mesmos.

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Conselhos para aprender a dizer o que queremos dizer

Seja assertivo

A assertividade nos permite expressar nossas emoções e o que pensamos de forma clara e sem criar incômodo e hostilidade.

A assertividade pode ser aprendida através da capacidade de ter conversas nas quais expressamos o que queremos, pensando em nossos interlocutores com empatia, mas sem deixar de lado o que realmente queremos dizer. Trata-se de falar com amor, respeito e firmeza o que desejamos.

Reforce a sua autoestima

A autoestima ou a ideia que temos de nós mesmos é um valor fundamental para podermos dizer o que queremos. Uma baixa autoestima nos deixará à mercê das opiniões de outras pessoas, que não são as nossas opiniões.

É essencial aprender a ter opiniões próprias e nos fazermos valer como pessoas para termos uma vida plena e feliz, para termos a vida que queremos.

Elimine o sentimento de culpa

Pense em todas aquelas vezes nas quais você disse o que pensava e não se sentiu nada culpado, e sim livre consigo mesmo. Este é o sentimento que deve predominar.

Seja você mesmo, com seus defeitos e com suas virtudes, mas você mesmo. Não se sinta culpado por ser quem você é.

Pense em todas as coisas às quais está dizendo “sim” quando diz “não”. Se por exemplo no trabalho propõem que você faça horas extras e você diz que não, está dizendo “sim” a passar um tempo com sua família, aproveitar a companhia dos seus amigos, desenvolver projetos pelos quais seja apaixonado, etc.

“O simples fato de se perguntar sobre a possível escolha vicia e turva o que pode ser escolhido. Que sim, que não… pareceria que uma escolha não pode ser dialética, que este pensamento a empobrece, a torna falsa, a transforma em outra coisa. O que há entre o Ying e o Yang? Do sim ao não, quantos talvez?
-Julio Cortázar-

Imagens cortesia de Alexandra Nedzvetskaya, Cathy Delanssay.