SIMS: teste de simulação de sintomas

· outubro 11, 2018

Algumas pessoas tentam enganar o psicólogo com base na simulação de sintomas para que o profissional emita um diagnóstico que lhes interessa. Estamos falando de um problema sério, frente ao qual muitas vezes os psicólogos se encontram indefesos: a atuação desse profissional depende da honestidade do paciente. Então, o que os psicólogos podem fazer para não ser enganados?

A mentira pode se tornar uma arte. Por isso, sua identificação é um verdadeiro desafio para os especialistas. Assim, são necessários instrumentos de medida específicos para desmascarar esses pacientes “fictícios”. 

Nesse sentido, e com o objetivo de detectar padrões de falseamento e exageração de sintomas, foi desenvolvido o Inventário Estruturado de Simulação de Sintomas (SIMS, na sigla em inglês). Graças a ele, é possível contrastar a hipótese de simulação e aumentar a fiabilidade, a validade e a precisão da avaliação psicológica.

Credibilidade dos sintomas

É responsabilidade do psicólogo julgar a precisão e a confiabilidade de qualquer fonte que possa influenciar o resultado da avaliação e, quando for possível, corroborar a informação. Assim, é preciso considerar a possibilidade de que o paciente esteja no terreno da enganação. Por vezes, familiares e amigos podem ser mais fiáveis do que o próprio paciente, especialmente em casos que envolvam anosognosia.

O problema: os sintomas ou os depoimentos dados por essas pessoas não podem ser objeto de grande pesquisa, ainda que seja somente pela quantidade de recursos que demandaria. Por isso, deve-se optar por explorar o que se pode analisar: os sintomas, as observações e o quadro clínico do paciente. Assim, seria possível determinar, de acordo com critérios científicos e diagnósticos, o possível fingimento da doença.

Sessão de terapia

No que consiste o SIMS

A finalidade do SIMS é detectar a simulação de sintomas psicopatológicos e neuropsicológicos. É um instrumento de análise formado por 75 itens de resposta dicotômica (verdadeiro ou falso). Além disso, é composto por 5 escalas de 15 itens cada uma:

  • Psicose. Sintomas psicóticos inusitados ou extravagantes, atípicos da patologia real. Sua área de busca de simulação de sintomas é a psicopatológica. “Acho que o governo instalou câmeras nos semáforos para me espionar”. “Não há nada que eu possa fazer que tenha algum efeito sobre as vozes que ouço, além de tomar as medicações”.
  • Deterioração neurológica. Sintomas de tipo neurológico ilógicos ou muito atípicos. Sua área de busca de simulação de sintomas é a física. “Para mim, andar é muito difícil devido aos problemas de equilíbrio que tenho”.
  • Transtornos amnésicos. Sintomas relacionados a transtornos de memória. Por exemplo, “Meu maior problema é a minha memória” ou “Tenho dificuldades para me lembrar dos dias da semana”. Sua área de busca de simulação de sintomas é a cognitiva.
  • Baixa inteligência. Exagero do déficit intelectual por meio de erros sobre perguntas de conhecimento geral. Assim como a anterior, sua área de busca de simulação de sintomas é a cognitiva. “A capital da Itália é a Hungria” ou “Uma semana tem seis dias”.
  • Transtornos afetivos. Sintomas atípicos de depressão e ansiedade. Sua área de busca de simulação de sintomas é a psicopatológica. Por exemplo, “Raramente dou risada” ou “Choro pouquíssimas vezes”.

Para estabelecer ou não a simulação, há pontos críticos em cada escala. Assim, a pontuação em cada uma delas permite detectar a sintomatologia que se apresenta de maneira atípica; ou a forma como a pessoa analisada tenta distorcer um transtorno específico. Isso permite conhecer tanto o grau de suspeita de simulação quanto as áreas nas quais aparece.

Tempo de aplicação

Seu tempo de aplicação é bem rápido, variando entre 10 e 15 minutos. Graças a isso, pode ser usado como teste a fim de identificar sinais clínicos de forma rápida e eficaz; ou como parte de uma bateria de testes mais extensa, completa e exaustiva. Além disso, pode ser aplicado em diferentes contextos e se adapta a distintas condições e necessidades de índole clínica, laboral, médico-legal e/ou forense.

Pessoa fazendo prova

Quem recorre à simulação de sintomas?

A simulação de sintomas é mais comum em indivíduos envolvidos em uma investigação criminal ou em litígio civil, bem como no processo de alegações de incapacidade de um seguro ou compensação a um trabalhador. No entanto, esse teste também é útil para detectar ladrões de lojas que simulam ser cleptomaníacos para evitar um processo ou usar como atenuante no julgamento.

A simulação de sintomas não é tecnicamente uma doença psiquiátrica. Em todo caso, o ideal é deixar registrado no relatório quando a pessoa tentou enganar consciente e voluntariamente o examinador na aplicação de medidas como o Inventário Estruturado de Simulação de Sintomas.