5 sinais de que você deve revisar suas crenças

É importante rever suas crenças de tempos em tempos, especialmente quando elas o levam a sentir um desacordo essencial com o mundo, desrespeitar o outro ou lhe dão uma sensação de superioridade.
5 sinais de que você deve revisar suas crenças

Última atualização: 20 julho, 2022

Revisar suas crenças de tempos em tempos é um exercício saudável. Nada melhor do que colocar na mesa aquelas ideias arraigadas que nos orientam no dia a dia e que muitas vezes não sabemos de onde vieram ou quão válidas são.

Há circunstâncias em que esta não é apenas uma ação conveniente, mas também necessária para se posicionar melhor no mundo. Existem sinais que você não deve ignorar e que indicam que é hora de rever suas crenças. Por quê? Porque elas começaram a atrapalhar sua vida e seus relacionamentos com os outros. As crenças são sempre um fator muito influente, mas há momentos em que sua influência se dispara. Por exemplo, elas levam você, sem que você perceba, a um comportamento irracional ou a uma intolerância infundada. A seguir estão alguns dos sinais de que é hora de rever o que você pensa e como você faz isso.

A realidade é aquilo que, mesmo que você deixe de acreditar nela, continua a existir e não desaparece.”

-Philip K. Dick-

1. Você quer mudar o comportamento dos outros

É muito bom que você acredite em algo e faça disso uma das “bandeiras” da sua vida. Adotar essa atitude militante em relação a alguma crença pode ser muito saudável, pois lhe dá um norte e dá sentido a muitas das coisas que você faz. Muito melhor quando aquilo em que você acredita se traduz em ações concretas.

É natural que você queira compartilhar suas crenças com os outros e até mesmo tentar “recrutá-los” para sua causa. O ruim vem quando você assume a idéia de que quem não pensa como você está necessariamente errado. Por outro lado, você cruza a linha vermelha quando, a favor da persuasão, viola os direitos do outro ou pensa que o valor da conversão justifica essa prática.

Mulher conversando com seu parceiro
Querer mudar os outros implica não aceitá-los ou respeitá-los.

2. Você tem a mesma discussão muitas vezes

É algo que, em geral, é derivado do exposto. Você levanta as mesmas ideias repetidamente para pessoas que já expressaram para você de maneiras diferentes que pensam ou querem agir de maneira diferente do que você. Apesar disso, você insiste e tem a mesma discussão repetidas vezes.

Tudo o que se repete de maneira estéril nos fala de estagnação. O que impulsiona nossa cegueira é a obstinação. Há uma relutância em abandonar o assunto sobre o qual não há acordo. Pensa-se erroneamente que a persistência é o que vai quebrar a barreira quando a única coisa que quebra é a boa comunicação.

3. Você sente que “odeia” pessoas que não conhece

Este é um sinal claro de que é hora de rever suas crenças. Se com base nelas você acaba sentindo raiva, desprezo ou até ódio por pessoas que você nem conhece, significa que aquilo em que você acredita se tornou uma força destrutiva e prejudicial para os outros. Seria necessário ver quão válida é uma ideia ou uma causa que pode prejudicar outras pessoas.

Na base dos atos de violência está aquela atitude de “odiar” o outro simplesmente porque não coincide com o que é considerado bom ou valioso. Este é o fundamento último das guerras e do terrorismo. Este tipo de atitude invalida moralmente as ideias ou causas que se defendem.

4. Você julga os outros com muita severidade

Uma das fontes mais comuns de conflito é a ideia de que as próprias crenças são superiores às dos outros. Essa suposta superioridade é o suporte para que alguns se sintam no direito de julgar os outros, às vezes de uma perspectiva tão tendenciosa quanto injusta. Nesses casos, partimos da ideia de que o mundo de quem não pensa como “eu” apresenta uma carência.

As coisas não funcionam assim. Toda crença é respeitável, pois não precisa ser validada cientificamente, nem por meio de religião ou política para existir. Somente as idéias que fazem uso do crime, da mentira ou da destrutividade devem ser rejeitadas.

Colegas conversando no trabalho
Julgar continuamente os outros indica rigidez cognitiva e, portanto, a necessidade de revisar as próprias crenças.

5. Você é excessivamente apaixonado por uma tendência ou ideia

Algo acontece com essas paixões que levam a um entusiasmo vivo, em comparação com aquelas que levam a um sofrimento sombrio. No primeiro caso, há uma adesão alegre e firme a uma ideia ou causa; na segunda, as crenças tornam-se pretexto para dar vazão a impulsos obsessivos ou autoritários.

Lembre-se que é bom rever suas crenças sempre que detectar que elas lhe causam conflitos contínuos ou distanciamentos com os outros. Também quando você percebe que pode haver algo exagerado ou superdimensionado nelas, ou  se elas estão presentes em áreas de sua vida onde não deveriam estar.

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  • Bermúdez, M. P., Teva Álvarez, I., & Sánchez, A. I. (2002). Análisis de la relación entre creencias irracionales, estabilidad emocional y bienestar psicológico. Rev. argent. clín. psicol, 287-291
  • Haya, G. (1961). La temeridad de juzgar. Proyección: Teología y mundo actual, (31), 297-303.