A síndrome de burnout em professores

dezembro 27, 2018

O estresse é um dos problemas mais graves da sociedade atual. Quase todas as pessoas se sentem estressadas de maneira mais ou menos habitual. Embora tenhamos aceitado este fato como algo normal (normalizado), a verdade é que pode causar muitos problemas a longo prazo. Um dos problemas mais comuns é a síndrome de burnout em professores, também conhecida como burnout docente.

Esse problema é especialmente grave devido à sua alta incidência no mundo do ensino e às consequências que traz para a educação dos nossos filhos. Por isso, neste artigo, vamos contar um pouco mais sobre essa síndrome, suas características e suas causas, assim como o que se pode fazer para prevenir, tanto se você é professor quanto pai de uma criança em idade escolar.

O que é a síndrome de burnout em professores?

O burnout é uma síndrome relacionada com o desgaste provocado no âmbito profissional. As pessoas que sofrem dessa síndrome apresentam níveis elevados de estresse durante um período prolongado de tempo, de maneira que vão acumulando um cansaço mental, emocional e físico cada vez maior. Devido a isso, o desempenho no trabalho é cada vez pior, e a pessoa pode se sentir muito mal.

Síndrome de burnout em professores

A síndrome de burnout em professores não é mais do que uma variante específica do burnout que ocorre nos profissionais do campo da educação. Devido aos novos desafios presentes na educação, como a perda de autoridade dos professores ou a rebeldia dos alunos, muitos educadores se sentem insatisfeitos com seu trabalho e podem apresentar uma grande quantidade de sintomas relacionados ao estresse.

A maioria dos casos ocorrem por uma diferença de expectativas entre a ideia que tinham de como seria o trabalho e o que realmente acontece. Isso pode provocar uma dissonância cognitiva, fomentando o aparecimento da síndrome de burnout em professores. Mas quais são seus principais sintomas?

Sintomas mais comuns do transtorno

A seguir, vamos ver alguns dos sintomas mais comuns da síndrome de burnout em professores.

1. Esgotamento emocional

Um dos principais indicadores de que o problema existe é a sensação, constante e intensa, de “não poder mais”. Assim como na maioria das síndromes provocadas pelo estresse, as emoções ficam descontroladas e a pessoa tende a se sentir triste, cansada e sem vontade de fazer nada.

Isso pode inclusive levar alguns professores a desenvolver problemas fisiológicos, como insônia, dores de cabeça ou problemas intestinais. No entanto, a causa não tem origem física. Ela pode ser encontrada no próprio estado emocional alterado.

2. Realização pessoal reduzida

Devido ao fato de que uma das principais causas da síndrome de burnout em professores é a impossibilidade de realizar o trabalho da maneira como o docente gostaria, é comum apresentar uma grande insatisfação com o trabalho que está realizando. Essa insatisfação, na prática, é sentida como uma sensação de fracasso ou derrota, assim como a crença de impotência diante das situações na sala de aula.

Essa sensação de fracasso pode se propagar, inclusive, para outras áreas da vida, gerando problemas nas relações pessoais do professor e em outros aspectos da vida diária da pessoa.

3.- Despersonalização

Como os professores que sofrem dessa síndrome se sentem impotentes e inúteis, em muitas situações tendem a se fechar em si mesmos e perdem todo o interesse pelo trabalho. Dessa forma, a paixão pelo que fazem desaparece e começam a realizar suas tarefas de maneira mecânica, o que pode levá-los a entrar num círculo vicioso que os fará se sentir muito piores em relação ao trabalho.

Professor exausto

Como tratar o problema?

A síndrome de burnout em professores é um problema sério que pode afetar tanto a qualidade da educação das crianças quanto a vida pessoal dos docentes. Mas o que você pode fazer para resolver esse problema?

  • Se você é professor e percebe que está desenvolvendo alguns dos sintomas descritos anteriormente, o melhor que você pode fazer é aprender alguma técnica de gestão do estresse. Algumas das mais eficazes são o mindfulness e o relaxamento muscular progressivo. No entanto, se você perceber que o problema está saindo de controle, uma consulta com um psicólogo pode ser de grande ajuda.
  • Se, pelo contrário, você é um pai ou mãe, também pode contribuir para evitar que os professores dos seus filhos tenham esse problema. Ensine as crianças a se colocar no lugar do professor e a tentar facilitar o trabalho educativo sempre que puderem. Afinal de contas, a educação dos seus filhos também é uma tarefa sua.

Talvez, nesse sentido, embora o trabalho com os docentes que já entraram nesse círculo de estresse seja importante, o trabalho preventivo é ainda mais. Essa, portanto, é a nossa responsabilidade como sociedade, quer nos dediquemos ou não ao ensino profissionalmente.

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