A síndrome do membro fantasma

março 6, 2019

A síndrome do membro fantasma é caracterizada por sensações fantasmas em membros que foram amputados. Essas sensações podem fazer a pessoa sentir que a parte que falta do corpo ainda está presente e funcional (o cérebro continua trabalhando com ela). Também pode apresentar dor, ardor, coceira, cãibras e até paralisia da área afetada.

Esta síndrome pode afetar cerca de 60% das pessoas que perderam alguma parte de seu corpo. As extremidades são as partes do corpo que mais geram este fenômeno, mas também pode ser sentido ao perder um olho, um dente ou um seio. A maioria das pessoas afetadas apresenta fortes dores, tornando a falta da parte restante do corpo praticamente insuportável.

O termo “síndrome do membro fantasma” foi cunhado pelo médico Silas Weir Mitchell em 1871. Ele percebeu, ao tratar vários soldados da guerra civil dos Estados Unidos, que a maioria dos amputados continuavam sentindo a presença de extremidades que na realidade não tinham mais. Agora vamos ver os sintomas, as possíveis causas e os tratamentos da síndrome do membro fantasma.

O que sente a pessoa que sofre com a síndrome do membro fantasma?

As sensações que as pessoas que sofrem da síndrome do membro fantasma podem chegar a sentir são muito variadas. Muitas das sensações dependem da situação em que o indivíduo perdeu alguma das partes do corpo. No entanto, pode-se dizer que as sensações mais comuns são:

  • Dor recorrente ou acentuada.
  • Presença da parte do corpo ausente e sensação de ela estar totalmente funcional.
  • Dormência da área afetada.
  • Formigamento que pode se tornar cãibra.
  • Sensibilidade ao frio e ao calor.
  • Sensação de deformidade; a parte do corpo está lá, mas não é a mesma.
  • Movimento dos dedos das mãos e dos pés nos casos de perda destas extremidades.
Homem com síndrome do membro fantasma

A dor é a sensação mais recorrente das pessoas que sofrem com a síndrome do membro fantasma. Além disso, se for crônica, ela é chamada de dor do membro fantasma. Esta dor pode ser pulsante, persistente, e a pessoa pode até sentir como se a parte do corpo ausente estivesse queimando.

A dor do membro fantasma pode piorar quando o paciente está estressado ou muito cansado. Também pode se intensificar ao exercer pressão sobre o coto ou parte do corpo que ainda existe no braço e nas pernas. Isso pode ser causado pelo uso de um membro artificial que não se encaixa corretamente ou é de baixa qualidade.

Causas da síndrome

A causa exata da síndrome do membro fantasma é desconhecida; assim, várias hipóteses são consideradas. Durante muito tempo pensou-se que sua origem fosse uma combinação de fatores biológicos e psicológicos. Em muitos casos, era considerada uma ilusão mental produto do estresse pós-traumático depois de perder alguma parte do corpo. Agora, existem novas teorias que colocam a origem em várias áreas do cérebro.

Atualmente, presume-se que esta síndrome seja produto da reorganização cerebral que é executada após a perda de uma das partes do corpo. Em outras palavras, o cérebro deve reorganizar os cabos nervosos para se ajustar às novas mudanças no corpo.

Isso faz com que, durante um tempo, o cérebro ainda tenha uma área dedicada à parte do corpo ausente. Portanto, as pessoas amputadas podem sentir sensações como se a parte em falta ainda estivesse lá.

A duração do reajuste do cérebro para aceitar neurologicamente a falta de uma parte do corpo depende de vários fatores, como o nível de dano nos nervos que ligavam o membro ao cérebro, bem como a memória física da dor antes da amputação em caso de infecção ou coágulos sanguíneos.

Os enigmas do cérebro

Possíveis tratamentos

A maior parte dos casos da síndrome do membro fantasma, sobretudo dos que apresentam dor, normalmente desaparece com a intervenção. No entanto, nos poucos casos de dor persistente no membro fantasma, o tratamento pode ser desafiante.

Durante décadas foram desenvolvidos inúmeros tratamentos para esta síndrome e para a dor crônica associada. Desde medicamentos analgésicos e antidepressivos até a estimulação nervosa e cerebral.

Infelizmente, estes tratamentos nem sempre são eficazes: eles atenuam a dor, mas não a fazem desaparecer nem a retardam no tempo.

Na década de 1990 foi desenvolvida a terapia de retroalimentação visual, com resultados promissores. Ela foi criada pelo neurologista V. S. Ramachandran e consiste em usar espelhos para criar a ilusão de presença da parte do corpo perdida.

Isso gera uma retroalimentação visual que permite que o paciente “cumpra” com os sinais motores que o cérebro envia. Desta forma, com determinados exercícios físicos na frente do espelho, a dor pode diminuir imediatamente e até mesmo desaparecer completamente depois de algumas sessões.

Na última década também foram implementados alguns avanços tecnológicos para tratar a síndrome do membro fantasma. Por exemplo, a realidade virtual e a realidade aumentada geraram resultados promissores para a diminuição da dor. O único inconveniente é que, embora ao longo dos anos tenham se tornado mais acessíveis, o custo dessas tecnologias permanece alto.

No entanto, assim como indicado por um estudo realizado por neurologistas colombianos, nenhum desses tratamentos teve sua eficácia totalmente comprovada, já que apenas 10% dos pacientes com dor do membro fantasma apresentaram melhorias a longo prazo.

  • Angarita, M., Alejandra, M., Carrillo Villa, S., Ribero, G., Fernando, O., García, R. G., & Silva Sieger, F. A. (2014). Pathophysiology and treatment of phantom limb pain. Revista Colombiana de Anestesiología42(1), 40-46.
  • Flor, H. (2002). Phantom-limb pain: characteristics, causes, and treatment. The Lancet Neurology, 1(3), 182-189.