Síndrome do rosto mascarado ou hipomimia: em que consiste?

Hipomimia é a incapacidade de expressar emoções com o rosto por causa de uma alteração nos músculos da face. É muito comum naqueles que sofrem de Parkinson, como o ator Michael J. Fox.
Síndrome do rosto mascarado ou hipomimia: em que consiste?

Última atualização: 11 junho, 2022

O termo hipomimia descreve um problema motor que impede a pessoa de expressar emoções através do rosto. É uma característica comum em pacientes com mal de Parkinson. Essa característica dificulta completamente o uso de gestos emocionais que harmonizam qualquer interação e comunicação. O rosto mascarado, como é conhecido, também é típico em outras condições.

A esquizofrenia catatônica ou a depressão maior também podem apresentar essa característica marcante. De fato, muitas vezes podemos interpretar mal a expressão de uma pessoa e rotulá-la como grosseira, insensível ou fria, sem saber que ela sofre com essa alteração nos músculos faciais. Da mesma forma, embora ainda não se compreendam totalmente os mecanismos que produzem essa condição, o que fica evidente é o desconforto que ela gera.

Por exemplo, alguém com Parkinson também sente felicidade, tristeza, surpresa ou nojo, mas não pode demonstrar essas emoções através do rosto. Por outro lado, ainda há a prosódia afetiva (a sua voz e entonação revelam o seu estado emocional), porém os seus gestos são os mesmos de uma figura de pedra. Assim, isso gera uma grande angústia em quem apresenta o problema.

A hipomimia também é chamada de rosto mascarado ou face em máscara.

Homem idoso pensando que sofre de hipomimia
As pessoas com Parkinson apresentam até mesmo anormalidades no movimento dos olhos.

Síndrome do rosto mascarado ou hipomimia: características e origem

A hipomimia é um distúrbio de comunicação que impede a capacidade de expressar gestos motores adequados. Aparece em maior grau em pacientes com Parkinson, uma doença na qual, como bem sabemos, também há outros problemas neurodegenerativos.

Vamos pensar o que significa viver sem que o nosso rosto seja capaz de expressar o que sentimos ao nosso parceiro, filhos, amigos ou colegas de trabalho. O riso nunca mais parecerá sincero. O gesto ficará congelado em um rosto amuado ou até mesmo mal-humorado. Fica difícil se reconhecer no espelho e é ainda mais difícil aceitar que isso pode condicionar a vida de diversas maneiras.

A hipomimia ou síndrome do rosto mascarado geralmente é devastadora. Michael J. Fox foi diagnosticado com Parkinson aos 29 anos, e uma coisa que ele sabia era que, de forma lenta e gradual, perderia as expressões faciais. Nada poderia ser tão traumático para um ator quanto não ser capaz de gesticular e expressar qualquer emoção com o rosto.

Por outro lado, o impacto dessa alteração nos músculos faciais não se processa de forma problemática em alguém que sofre de esquizofrenia catatônica. Tampouco naqueles que sofrem de depressão maior. Nesse caso, não há a autopercepção ou consciência dessa gestualidade facial nula. A agitação mental e o sofrimento psicológico pesam mais nesses casos.

Como se manifesta?

A hipomimia aparece de forma lenta e progressiva em pacientes com Parkinson. Conforme progride e se torna mais visível, o que pode ser percebido primeiramente são olhos mais abertos e movimentos anormais. A expressão é sempre séria, marcada por uma rigidez dos músculos faciais que parecem quase de borracha. Além disso, também há bradicinesia (lentidão para desenvolver qualquer movimento).

É difícil demonstrar emoções tanto de valência positiva quanto negativa. Algo tão básico quanto sorrir ou erguer as sobrancelhas, aos poucos, deixa de ser possível. Além disso, em estágios mais avançados da doença, aparecem outras alterações. A hipomimia também pode levar a problemas de deglutição e, finalmente, até mesmo de comunicação.

Da mesma forma, embora seja verdade que nos estágios iniciais a pessoa não tenha problemas para sentir e reconhecer emoções, nas fases mais graves do Parkinson, há dificuldade para reconhecer o que os outros sentem por meio das suas expressões faciais. Isso pode ser explicado pelo declínio cognitivo que geralmente acompanha esse distúrbio neurodegenerativo do sistema nervoso.

Quais são as causas?

Atualmente, ainda não se sabe o que causa esse distúrbio motor da comunicação. Uma pesquisa do serviço de Neurologia do Hospital Universitário de Quirón (Madri) indica uma hipótese. No caso do Parkinson, a hipomimia surge como resultado da morte gradual da região do cérebro chamada de substância negra.

Esses neurônios são responsáveis pela produção de dopamina, um neurotransmissor envolvido no movimento. O mais impressionante, e também mais animador, é que é possível reduzir o problema da inexpressividade facial, assim como os tremores, por meio do tratamento utilizado para esta doença: a levodopa.

casal que sofre de síndrome do rosto mascarado ou hipomimia
É importante oferecer apoio psicológico tanto para os pacientes com Parkinson quanto para os seus familiares.

Quais são as terapias e tratamentos existentes?

A hipomimia nunca aparece sozinha. Estamos diante de um distúrbio que surge em 70% dos casos dos pacientes com mal de Parkinson. Portanto, a abordagem terapêutica será multidisciplinar: farmacológica com levodopa, além de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

Da mesma forma, o apoio psicológico é essencial tanto para os próprios pacientes quanto para os seus familiares. É muito comum que essas dificuldades de comunicação levem à depressão em muitos casos. Afinal, a pessoa perde a capacidade de interagir com as pessoas de forma eficaz e, em alguns casos, isso leva gradualmente ao isolamento social.

Assim, o suporte para a saúde mental é tão crucial quanto os tratamentos farmacológicos e as terapias ocupacionais. Afinal, não conseguir expressar as emoções nos faz perder parte do que nos torna humanos. Ou seja, pessoas com a capacidade de se conectar umas com as outras em harmonia e felicidade.

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