Você aguenta até se queimar? Conheça a Síndrome do Sapo Fervido

· setembro 22, 2016

Às vezes aguentamos situações e pessoas prejudiciais por um tempo muito prolongado, só porque seguimos o ditado tácito que diz que “temos que aguentar quando não há outra solução”. Para refletirmos sobre isso, compartilharemos hoje uma história sobre a Síndrome do Sapo Fervido.

Não podemos ignorar que muitos de nós submetemos nosso bem-estar emocional a necessidades que consideramos mais básicas. Também acontece muitas vezes de já não pensarmos apenas no nosso bem-estar, mas também no de outras pessoas que dependem de nós de alguma forma.

Também podemos suportar uma situação limite durante muito tempo por dependência emocional, por um relacionamento destrutivo ou porque precisamos de cultura emocional para saber o que é normal e o que não é.

Talvez você aguente as situações até se queimar, sem nunca ter percebido antes a necessidade de saltar a tempo para se salvar. É por isso que queremos que você conheça a Síndrome do Sapo Fervido, que foi descrita pela primeira vez por Olivier Clerc.

A Síndrome do Sapo Fervido

Coloque um sapo em um recipiente cheio de água e comece a aquecer a água. À medida que a temperatura da água começa a subir, o sapo ajusta sua temperatura corporal em conformidade. O sapo continua a ajustar sua temperatura corporal com o aumento da temperatura da água.

Justo quando a água está prestes a alcançar o ponto de ebulição, ela fica quente demais e o sapo não consegue mais se adaptar. É quando ele decide saltar. Ele tenta, mas é incapaz de fazê-lo pois perdeu toda a sua força ajustando a temperatura corporal. Logo, o sapo morre fervido.

O que matou o sapo? Pense nisso! Sei que muitas pessoas vão dizer que foi a água fervendo, mas, na verdade, o que matou o sapo foi sua própria incapacidade de decidir quando saltar.

Todos nós temos que nos ajustar em relação a pessoas e a situações, mas temos que estar seguros a respeito de quando é hora de se adaptar e quando devemos seguir em frente. Existem momentos nos quais precisamos enfrentar a situação e tomar as atitudes apropriadas.

Se permitirmos que as pessoas nos explorem física, emocional, financeira, espiritual ou mentalmente, elas vão continuar fazendo isso. Vamos decidir o momento certo de saltar! Vamos saltar enquanto ainda temos forças.

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O que esta metáfora nos diz sobre nós mesmos

Esta metáfora tem muitos significados para diversas situações da vida, para nossos relacionamentos, trabalho, personalidade, comportamento de saúde, etc. As pessoas que estão envolvidas em uma relação que não lhes causa bem-estar se ajustam constantemente aos desejos, opiniões e renúncias do parceiro para não causar desconforto. Elas acreditam que podem aguentar ou que não têm outra solução além de fazer isso.

No entanto, em geral aguentar dessa forma por um tempo prolongado não leva a nada mais do que a problemas ou a situações limites. No momento em que menos se espera, chegaremos a uma situação extrema, não iremos suportar mais e vamos precisar saltar, fugir ou ao menos aumentar a nossa retirada da situação ou da relação, mas talvez já estaremos muito magoados.

Talvez já não tenhamos forças para lidar com esta última situação extrema que ocorre porque não temos energia, não temos escapatória, não pensamos nada antes ou já fomos muito danificados ou feridos para sairmos dessa situação e cairmos em outra que não sabemos se será pior.

Às vezes a nossa capacidade de resistência chega muito longe, mas as forças e os sonhos vão ficando pouco a pouco pelo caminho. 

Uma questão de estresse cotidiano e estresse agudo

Richard Lazarus já assinalou as diferentes formas de lidar com o estresse e também indicou que existem dois tipos de estresse: o estresse cotidiano e os eventos estressantes da vida.

Normalmente nos dizem que as situações estressantes da vida, como divórcios, morte de entes queridos, perda da casa ou do trabalho, irão nos afetar muito, e talvez seja assim. Mas diante de tais eventos com grande carga negativa, preparamos o nosso organismo e enfrentamos a situação: “saltamos a tempo”.

No entanto, é com os eventos estressantes diários (mais ainda quando se prolongam por um longo período de tempo) que temos que nos preocupar em maior medida. Alguns destes eventos não são diferenciados como negativos por muito tempo. É o caso do abuso entre casais, já que às vezes recebemos atitudes positivas, outras negativas, outras suportáveis. Assim, o desconforto vai se mantendo, vai se ajustando, até que a situação se torna insuportável.

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A melhor forma de enfrentar este fato é reconhecê-lo, ou seja, não boicotarmos a nós mesmos dizendo que talvez isso seja normal. Se você se sentir mal na mesma situação ou com a mesma pessoa por um período muito prolongado, alguma coisa está errada.

Você deve saltar. Não se trata de fugir, mas de saltar, enfrentar a situação e pensar nas soluções que existem. Lembre-se de que aquele que aguenta demais raramente chega com forças ao fim para tentar mudar a situação. Talvez o dano já tenha sido feito e já esteja interiorizado, assim como no caso da Síndrome do Sapo Fervido.