Sintomas físicos da depressão: quando seu corpo fala

· janeiro 9, 2019

Os sintomas físicos da depressão são acompanhados pelos psicológicos. No entanto, é comum que muitas pessoas prestem atenção em primeiro lugar às dores de cabeças ou nas costas, à insônia, ao cansaço, etc.

Os sintomas físicos da depressão são um modo através do qual nosso cérebro nos avisa que algo não está certo. Esse transtorno complexo não altera apenas o ânimo e os pensamentos.

Se há um aspecto comum, é o claro impacto que tem sobre nosso corpo, trazendo-nos dor, fadiga, inflamações, problemas de sono, etc. Poucas condições alteram de forma tão intensa todo o nosso ser.

A dor mental existe e é a verdadeira responsável por muitas de nossas doenças físicas. No entanto, parece mais fácil dizer que estamos com dor nas costas, na cabeça ou no estômago do que dizer em voz alta algo tão dramático quanto “estou com dor na vida”. Porque se existe algo que sabemos é que nossa realidade é, muitas vezes, bastante dolorosa.

Os fracassos, as perdas, as decepções, o não saber o que fazer ou como reagir perante algo traz sofrimento. E mais, é comum sentir uma profunda angústia emocional sem forma e sem origem específica, um mal-estar persistente ao qual não sabemos dar explicações ou um desencadeador específico.

A depressão, como vemos, tem mil formas e tantos relevos que é como se fosse uma impressão digital. Não existem duas iguais.

É comum, por exemplo, essa combinação tão desgastante na qual a ansiedade se mistura com a depressão. É então que os pacientes costumam definir esse estado como estar assustado e extremamente cansado ao mesmo tempo. Como querer ficar sozinho e temer a solidão ao mesmo tempo. Como ter vontade de fugir e se sentir paralisado ao mesmo tempo.

Viver com depressão ou qualquer outro transtorno não é fácil para ninguém. No entanto, aprofundar-nos na anatomia dessas condições é muito necessário para compreender melhor o que estamos enfrentando.

 “Se você conhece alguém com depressão, nunca pergunte à pessoa por que ela está assim.  A depressão não tem explicação, não há respostas, não há nada que você fez de errado e pelo que tenha que se justificar perante os outros. A depressão é como o clima”.
-Stephen Fry-

Sintomas físicos da depressão

Sintomas físicos da depressão (o corpo dolorido)

A depressão dói. Poderíamos defini-la de muitas formas: um estado paralisante, pensamentos negativos e, inclusive, prejudiciais, angústia, medo, tristeza, apatia, desânimo, etc.

No entanto, não é comum escutar na boca de ninguém essa definição que nos revela que a depressão é, acima de tudo, sentir dor. Uma dor na qual o sofrimento físico (além do emocional) é real.

Estudos como o realizado na Universidade de medicina do Texas, nos Estados Unidos, em 2004, confirmam essa mesma informação: os sintomas físicos são comuns na depressão e, de fato, toda essa sintomatologia aparece por meio da dor ou de alguma alteração orgânica.

De tal forma, assim como nos revela o doutor Madhukar H. Trivedi, responsável pelo trabalho citado, grande parte dos pacientes procuram os postos de saúde com dores na cabeça, nas costas ou problemas de sono ou digestivos sem saber que todas essas sensações são os sintomas físicos da depressão.

Vamos analisar a seguir quais são esses sintomas mais recorrentes.

Cansaço, sensação de peso e dor generalizada

Tudo pesa, tudo dói, o corpo se torna lento. É como viver no interior de um opressivo escafandro. Esta, sem dúvida, é uma das características que grande parte das pessoas com um transtorno depressivo sente.

Ao mesmo tempo, assim como nos explica em um estudo o doutor Steven Targum, diretor do Hospital de Boston, nos Estados Unidos, as pessoas deprimidas nem sequer se beneficiam de um sono reparador. Mesmo que durmam 12 horas, continuarão se sentindo exaustas. 

Dores nas costas

Se tivéssemos que falar de uma dor clássica associada à depressão, as dores nas costas estariam presentes. Este incômodo supera, inclusive, as dores de cabeça. Agora, para responder sobre o porquê dessa relação, podemos citar um estudo da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, realizado em 2016:

  • Há um vínculo entre as vias inflamatórias e os neurocircuitos do cérebro quando experimentamos sensações de alerta, medo ou angústia.
  • Ocorre uma reação, um enfraquecimento do sistema imunológico e uma resposta inflamatória que se localiza, sobretudo, na coluna vertebral, nos nervos e nas vértebras das costas.

Maior sensibilidade à dor

Outro dos sintomas físicos da depressão é nosso limite de dor. De repente, tudo fica doloroso, um arranhão, uma batida leve, as mudanças de temperatura, os diferentes tecidos de roupa, etc. A pele e nossos receptores ficam mais sensíveis. Dessa foram, sofremos mais.

Sintomas físicos da depressão

Problemas digestivos

Com a depressão, é comum a ocorrência de alterações digestivas:

  • Cólicas.
  • Digestões lentas.
  • Cólon irritável.
  • Dor de estômago.
  • Sensação de ardor…

Assim como indica um trabalho da Universidade de Harvard, não podemos esquecer que existe uma íntima relação entre nosso cérebro e o sistema digestivo.

Fatores como o estresse, a ansiedade, os medos, as angústias e as tristezas provocam uma série de alterações que partem desde o esôfago e vão até o cólon.

Problemas oculares

Esse dado é curioso. Outro dos sintomas físicos da depressão é a percepção do contraste. Trata-se de uma pequena disfunção na vista na qual a pessoa tem dificuldade para focalizar as coisas. Além de a visão ficar mais embaçada, também há uma leve dificuldade para diferenciar o branco do preto.

Estudos como o realizado pela Universidade de Harvard nos indicam que quando alguém está deprimido, o mundo fica mais monocromático e, acima de tudo, as cores azul e cinza ficam mais fortes.

Trata-se de um dado muito interessante com o qual muitos pacientes que sofrem dessa condição psicológica concordam.

Olho feminino

Para concluir, assim como pudemos verificar, os sintomas físicos da depressão são variados. No entanto, devemos nos lembrar de que essa série de incômodos ou particularidades devem ser relacionadas com uma série de alterações emocionais e cognitivas para poder constituir o quadro clínico de uma depressão.

A tipologia e o modo de enfrentar a doença é algo que o profissional da saúde deve decidir. Devemos nos lembrar, por sua vez, de que independentemente do tipo de depressão que temos, todas são tratáveis.

No momento em que se sente uma melhora, a maior parte desses sintomas físicos desaparece. É quando nossa mente fica em paz e nosso corpo para de gritar para se deixar levar em sintonia com nosso bem-estar emocional.