Choramos tantas lágrimas que nelas poderiam nadar baleias

Às vezes choramos tantas lágrimas que nelas poderiam nadar baleias

9, maio 2016 em Emoções 130 Compartilhados
Baleias nadando em nossas lágrimas

Chorar é aquela ação involuntária que não precisa ser realizada para existir: você exterioriza o choro (e as lágrimas são a representação disso), mas também o interioriza e, para isso, não há imagem possível… fica apenas um nó na garganta. Qualquer uma dessas duas maneiras de chorar envolve desespero e acaba nos afogando.

O choro que a gente não consegue exteriorizar geralmente é o mais verdadeiro. Você não sabe exatamente como aconteceu, mas está preso ao que está sentindo e pensa que não vai conseguir escapar. O sofrimento é tão íntimo que você não consegue perceber a diferença entre os limites dele e os seus próprios: seu limite é tolerante, mas você sempre acaba ultrapassando-o.

“A verdadeira dor é indizível. Se conseguimos falar do que nos angustia estamos com sorte: significa que não é assim tão importante. Porque quando a dor cai sobre nós sem paliativo, a primeira coisa que nos arranca é a palavra. Falo daquela dor que é tão grande que nem sequer parece que nos nasce de dentro, que é como se tivéssemos sido sepultados por uma avalanche.”
–Rosa Montero–

O valor das lágrimas

Você experimentou a dor na própria pele e sabe o que sente quando algo lhe parte o coração: os dias demoram a passar e os meses parecem anos. Aquela vontade de viver que brilha exatamente por não existir. Noites em silêncio escutando os próprios gritos…

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A moral da história é que a angústia se identifica com o valor de uma lágrima; é a essência que você aparenta ao chorar ou quando vê alguém chorando. É provável que, muito mais que um sorriso, uma lágrima aproxime as pessoas, e é muito possível que ver a dor de outra pessoa possa ter sido a ponte direta para conhecê-la e também deixar-se conhecer.

“Conheço essas lágrimas que não caem e se consomem nos olhos, conheço essa dor feliz, essa espécie de felicidade dolorosa, esse ser e não ser, esse ter e não ter, esse querer e não poder.”
-José Saramago-

Você com certeza consegue se identificar com esse ser e não ser, querer e não poder… É por isso que se dá bem com pessoas que se abrem e sentem o mesmo que você sentiu um dia: as lágrimas nos dão a certeza de que somos humanos com diferentes formas de sentir, mas de que temos os mesmos sentimentos.

Você vai conseguir superar o naufrágio de lágrimas

Toda fruta madura se desfaz… Nascemos chorando exatamente para poder respirar depois. Portanto, sei que você vai conseguir! Pouco a pouco, o nó na garganta vai desaparecendo, deixando para trás apenas aprendizado e superação.

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A dor vai ser apenas uma prova de que você existiu. Vai acompanhá-lo aonde for, mas vai chegar o dia em que será apenas passado. Você terá superado o naufrágio e, então, se dará conta da realidade das palavras de Paula Bonet: “Às vezes choramos tantas lágrimas que nelas poderiam nadar baleias, mas você não pode permitir que elas se afoguem.”

Você também não se afogará, ainda que a água esteja na altura do pescoço. Lembrará que sempre existirá o fogo, pois algo precisa equilibrar o frio. Sendo bastante esforçado, você encontrará pessoas que possam lhe dar o calor do qual tanto precisa. Inclusive, talvez nem seja necessário tanto esforço assim… Os amigos chegam sem pedir licença e justo quando a gente mais precisa.

“Não te rendas, ainda estás a tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo
.
 
Não te rendas que a vida é isso,
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu […]”
-Mario Benedetti-
Não se renda. Chore, mas não se renda. A vida precisa de gente que se levante das quedas, aprenda a ficar em pé e consiga dizer como conseguiu esse feito. As outras pessoas precisam de gente como você! Que seja capaz de chorar e, ao mesmo tempo, de entender as próprias lágrimas.
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