8 técnicas derivadas do psicodrama

As técnicas psicodramáticas favorecem a catarse (descarga emocional), a compreensão de processos encobertos e a execução de um novo comportamento. Este artigo apresenta algumas dessas técnicas e explica o que faz com que sejam tão valiosas para o desenvolvimento emocional de uma pessoa.
8 técnicas derivadas do psicodrama

Última atualização: 25 março, 2022

O psicodrama é uma técnica ou um conjunto de técnicas terapêuticas com foco na encenação/dramatização de uma realidade a partir de um ponto de vista específico. Busca-se favorecer a expressão de sentimentos não manifestados, reprimidos ou pouco compreendidos para promover a catarse e a mudança de comportamento. Para isso, são utilizadas diferentes técnicas derivadas do psicodrama.

Os elementos a serem trabalhados podem estar relacionados a memórias, eventos presentes e também futuros. Por esta razão, é muito útil para todos os tipos de transtornos, desde a depressão, aqueles incluídos no espectro da ansiedade — TAG, TOC…—, transtornos do comportamento alimentar ou problemas de gestão emocional.

Mulher sentada praticando a técnica da cadeira vazia

Qual é o objetivo da dramatização?

O psicodrama tem vários objetivos, entre os quais podemos encontrar:

  • Obter uma compreensão real e mais profunda de uma situação concreta. Isso pode ser aplicado tanto a situações vividas há muito tempo, que podem ter deixado feridas que não terminaram de cicatrizar, quanto a situações angustiantes que geram ansiedade para o futuro. As técnicas derivadas do psicodrama podem nos ajudar a entrar em contato com essas emoções vivenciadas e os sentimentos que elas geraram ou continuam a gerar. A ideia é entrar em contato com sentimentos, ideias e pensamentos que talvez geralmente não tenham lugar na nossa rotina.
  • Compreender pontos de vista diferentes dos próprios: inúmeras técnicas derivadas do psicodrama permitem ver a posição do outro em relação a um conflito, passado ou ainda por acontecer. Observar o modo de pensar dos outros e, sobretudo, ser participante do próprio discurso, pode nos ajudar a trabalhar a empatia, a entender a motivação de determinados atos.
  • Treinamento de habilidades: algumas dessas técnicas nos permitem adotar diferentes papéis com os quais talvez não saibamos lidar. Isso pode servir de treinamento para vivenciar outras posturas, comportamentos ou até mesmo aspectos da personalidade.

Regras psicodramáticas

Nas técnicas derivadas do psicodrama, busca-se que o sujeito — ou protagonista, como geralmente se diz nesse campo— não descreva os seus conflitos verbalmente. Isso difere da maneira como as pessoas compartilham, controlam e pensam sobre os seus problemas: isso geralmente ocorre de forma verbal. Com isso, queremos alcançar uma participação mais autêntica e profunda.

Embora o psicodrama seja realizado inicialmente com mais pessoas, com a existência de uma plateia — que funciona como uma caixa de ressonância afetiva durante a representação —, ele também pode ser realizado com menos pessoas ou até mesmo individualmente.

Quando feito com outras pessoas, a representação de um colega pode nos ajudar a entender a forma como as outras pessoas agem. O protagonista age de acordo com suas emoções e critérios, de acordo com a sua realidade subjetiva.

O psicodrama também é recomendado para muitos tipos de pessoas, onde também se encontram os indivíduos mais tímidos ou retraídos. O protagonista pode ser reservado e pouco natural. Não há nenhum problema nisso, desde que nada seja feito de forma forçada.

A mudança no psicodrama

O que é realmente interessante nas técnicas derivadas do psicodrama é que o insight, ou seja, a consciência ou a compreensão, é alcançado através da própria dramatização.

A presença de um terapeuta não é essencial, nem mesmo as verbalizações que ele elabora. Esse insight é alcançado não por causa de algo que o terapeuta diz, mas sim surge espontaneamente a partir dessa representação.

Técnicas psicodramáticas

Pois bem, algumas das técnicas do psicodrama são:

Explicitação do diálogo interno

A técnica do solilóquio busca fazer com que o protagonista expresse o que está pensando e sentindo antes de enfrentar determinada situação. Essa situação pode causar angústia no presente, por causa do futuro ou pode ter causado angústia no passado. Isso pode ser útil ao receber uma ligação do chefe ou ao sentir medo do abandono quando uma discussão começar.

Da mesma forma, a técnica do aparte serve para entrar em contato com o que se pensa e sente diante de um determinado evento, mas que geralmente não se expressa. Assim, o aparte procura expressar em voz alta o que, durante um diálogo, um confronto ou uma discussão é silenciado por medo, vergonha. Este aparte é como um parêntese. Isso permite que a pessoa fique em contato real com a sua realidade.

Por outro lado, também temos a técnica da cadeira vazia, que tem como objetivo resolver conflitos internos (consigo mesmo) e externos (com os outros) que não nos permitem seguir adiante. Para isso, o protagonista deve imaginar que está sentado diante de qualquer personagem com quem tenha um conflito (pode ser uma pessoa fictícia, alguém próximo, uma parte de si mesmo, etc.). Portanto, geralmente há duas cadeiras, uma diante da outra ou uma de costas para a outra. Dessa forma, o protagonista troca de cadeira enquanto trabalha as duas partes em conflito, ou facilita a convocação do outro.

Troca de papéis

A técnica da troca de papéis consiste em expor uma situação específica na qual nos encontramos imersos. Pode ser, por exemplo, uma conversa com um amigo ou uma reunião de trabalho.

A ideia é que o protagonista faça o papel do outro, daquela pessoa com quem discutiu, que fez algo que não gostou ou que o deixou angustiado. Dessa forma, busca-se que o protagonista compreenda a situação a partir da perspectiva do outro, podendo assim chegar a ter outros tipos de emoções e a compreender aquelas que levaram a outra pessoa a agir daquela forma.

O protagonista e o ego auxiliar

Algumas dessas técnicas requerem a presença de um ego auxiliar. Esse ego quer abrir espaço para esses aspectos esquecidos nas interações, que geralmente contêm informações muito valiosas.

Na técnica do duplo, o ego auxiliar fica atrás do protagonista e, enquanto ele fala, verbaliza questões não manifestadas pelo protagonista, como uma extensão do discurso.

Essas questões que não são explicitadas geralmente são de natureza ameaçadora, dolorosa ou semi-inconsciente. Dessa forma, manifestando questões que acredita serem relevantes, o ego devolve partes alienadas dele mesmo ao protagonista, levando-o a níveis mais encobertos.

duas cadeiras pretas

Também se usa um ego auxiliar na técnica do espelho. Nesse caso, ele não fala, mas fica diante do protagonista e, enquanto ele dramatiza uma situação, passa a imitar o seu comportamento não verbal. Isso inclui gestos, posições, tiques, expressões faciais.

Os elementos que geralmente consideramos relevantes são os verbais, o que uma pessoa ou nós mesmos expressamos. No entanto, o comportamento não verbal também tem significado e pode ser muito mais informativo do que a mensagem em si.

Mudando a realidade

As técnicas derivadas do psicodrama como, por exemplo, a realidade suplementar, permitem que o protagonista tenha outra experiência de algo que já aconteceu. A realidade suplementar busca desfazer os acontecimentos como eles aconteceram para que o protagonista tenha a oportunidade de vivenciá-los de outra forma.

Vivenciar situações que já ocorreram da forma que gostaríamos de ter vivenciado pode nos levar a compreender a dor de determinadas situações e a ter outra realidade simbólica que possa mergulhar nessa dor, na paz que permite a sua cura.

Na técnica do papel substituto, semelhante à troca de papéis, propõe-se uma situação que a pessoa tem medo de vivenciar como ela mesma. Pode ser uma lembrança de infância, uma sessão com seus gerentes de projeto, a perda de um parceiro…

Durante este exercício, a ideia não é que a pessoa se coloque no lugar do outro, mas sim que se coloque em outro lugar. Ou seja, a ideia é que o protagonista veja essa situação sem a carga emocional que deriva do seu papel fora de cena.

Viver uma memória de infância sem ser você mesmo, mas sim sendo um irmão, primo, vizinho; dramatizar a perda do parceiro como espectador, um amigo que vê tudo… Isso pode levar a um distanciamento emocional da situação para começar a observá-la com mais calma, mais tranquilidade para pensar, compreender e integrar.

A dramatização é, portanto, um bom recurso para alcançar a catarse e mudar o comportamento por meio da compreensão dos próprios sentimentos. Pode ser útil não apenas para progredir na melhora de transtornos psicológicos, como também é extremamente benéfica para as pessoas que desejam se descobrir e descarregar emocionalmente para que possam se conectar com os sentimentos, sensações e pensamentos que, anteriormente, estavam ocultos.

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  • Mercader, C. (2013). Teoría y técnica del psicodrama. Apuntes de Psicología, 31(3), 321-325.