Estou tentando ser melhor, mas continuo tendo o direito de falhar

01 Fevereiro, 2021
Ao tentar mudar algo em nós mesmos, nem sempre o ambiente facilita esta tarefa. Por isso, lembre-se de que, enquanto você melhora, você tem direito de falhar, se levantar e tentar novamente.

Quando embarcamos em qualquer tarefa de crescimento pessoal, precisamos saber que tudo é um processo. As mudanças não vão acontecer de um dia para o outro. Para obter resultados, precisamos ser persistentes e disciplinados. Ainda assim, esperamos que nossos entes queridos se alegrem pela nossa decisão e nos apoiem ao longo do caminho. Por isso, podemos ficar zangados e decepcionados quando essas pessoas aproveitam qualquer contratempo para menosprezar os nossos esforços. O que acontece é que parece que algumas pessoas se esquecem de que, mesmo que você esteja tentando ser melhor, ainda tem o direito de falhar.

Portanto, é fundamental ter consciência de que o nosso bem-estar deve ser o principal motor da mudança. Se esperarmos por aprovação, reconhecimento e apoio vindos de fora, provavelmente desistiremos antes de atingir nossas metas. Precisamos mudar por nós e para nós mesmos, nos tornando nossos próprios técnicos e líderes de torcida. No entanto, por que os outros podem querer nos frear? Como podemos lidar com isso?

Mulher com o olhar perdido

Quando as pessoas esquecem o seu direito de falhar?

É provável que você já tenha passado por diferentes momentos que refletem essa situação ao longo da sua vida, certo? Por exemplo, quando você diz aos seus parentes que está tentando se alimentar de forma mais saudável e eles respondem de forma irônica, sem nenhum cuidado. Não importa se você atingiu sua meta por uma semana inteira, eles se concentram naquela refeição ou momento específico para diminuir o seu esforço.

O mesmo pode acontecer quando você decide enfrentar um medo. Talvez você esteja tentando lidar com sua fobia de dirigir e, para isso, esteja fazendo pequenos trajetos diferentes todos os dias. Mas, mesmo assim, você pede para seu parceiro dirigir em algum momento porque não se sente preparado para isso. É possível que, com base nesse fato isolado, tentem destruir seu progresso.

Essas reações podem aparecer até mesmo quando você está tentando melhorar a comunicação em um relacionamento. Você pode ter sugerido que a outra pessoa iniciasse um esforço conjunto para melhorar a comunicação. A partir daí, embora ela não tenha mudado nada, no momento em que você perde a compostura e recorre aos velhos padrões de comunicação, ela pode aproveitar a oportunidade para recriminá-lo.

“Não era para você comer de forma saudável?”, “Você não disse que já superou o medo de dirigir?”, “Nossa, olha só, não ia ser mais compreensiva?” Todas essas perguntas e declarações são, no fundo, uma reprovação. Não foram formuladas para nos apoiar e encorajar a continuar, muito pelo contrário. Mas por que isso acontece?

Por que isso acontece?

Em primeiro lugar, é preciso saber que esses tipos de situações são frequentes. Por outro lado, esses tipos de reações dizem mais sobre quem está falando do que sobre quem as está recebendo. Uma pessoa com um equilíbrio emocional saudável, que se sinta à vontade consigo mesma e que tenha, inclusive, passado pelo seu próprio processo de desenvolvimento pessoal, não tentaria atrapalhar o processo alheio.

É importante enfatizar que a mudança nem sempre é bem recebida pelas pessoas ao nosso redor, inclusive quando está voltada para o nosso próprio benefício. Isso acontece porque, quando nós mudamos, obrigamos uma modificação das dinâmicas que existem nas nossas relações com os demais. Se uma pessoa dependente deixa de ser assim, a outra pessoa perde sua posição de superioridade. Se decidimos nos comunicar de forma respeitosa, acabamos deixando de colaborar com o conflito. Portanto, se os outros não estiverem dispostos a mudar, nossos esforços para melhorar podem ser desagradáveis para eles.

Homem observando o horizonte

Dê valor ao seu processo

Nossa tarefa, então, consiste em nos mantermos firmes diante dessas relações de medo. Consiste em não cair no erro de acabar negando a nós mesmos o nosso direito de falhar.

Se você quer mesmo realizar alguma mudança interior, deve respeitar o seu processo e encontrar o seu ritmo. Não é preciso ser perfeito, muito menos no começo. Tudo bem descansar no caminho, se desviar um pouco e até mesmo retroceder. O crescimento não é linear e nem sempre temos a disposição de realizar o esforço necessário.

Uma queda não é uma recaída, um erro não indica o fim do caminho nem o fracasso do plano. Dê valor ao seu processo, ao seu esforço, e lembre-se de que você está, de fato, tentando ser melhor, mas ainda tem o direito de falhar.

  • Fernández, G. C. (1997). La homeóstasis familiar. Revista Costarricense de Trabajo Social, (7).
  • Pereira, M. L. N. (2008). Relaciones interpersonales adecuadas mediante una comunicación y conducta asertivas. Actualidades investigativas en educación8(1).