A teoria clássica dos testes (TCT)

· abril 17, 2019

A teoria clássica dos testes (TCT) apareceu pela primeira vez no século XX a partir do trabalho de Spearman. Pode, de alguma forma, ser considerada o começo da psicometria. A palavra teste, neste conceito, refere-se às provas destinadas a avaliar conhecimentos, aptidões ou funções.

Em psicologia, os testes são provas de caráter psicológico ou psicotécnico para estudar ou avaliar uma função. Assim, os testes psicológicos são ferramentas destinadas a avaliar ou medir as características psicológicas de um indivíduo.

Por que são necessárias teorias dos testes?

Os testes são instrumentos sofisticados de medição que, em muitos casos, constituem uma ajuda de valor incalculável no contexto de uma avaliação psicológica. Para que este seja o caso, o teste deve atender a requisitos psicométricos mínimos e o especialista que o aplica deve conhecer o protocolo de administração e respeitá-lo.

Por outro lado, as teorias dos testes nos dizem como podemos avaliar a qualidade de um teste, e também, em muitos casos, como podemos depurar o instrumento para reduzir o erro ao mínimo. Neste sentido, talvez os dois conceitos mais importantes dentro da teoria clássica dos testes sejam a confiabilidade e a validade.

A confiabilidade é entendida como a consistência ou estabilidade das medidas quando o processo de medição é repetido. No final, falamos de uma utopia, porque na prática é impossível replicar as mesmas condições em duas medições diferentes. É relativamente simples atuar sobre variáveis ​​externas, como controlar que exista uma temperatura ou um nível de ruído similares. No entanto, controlar as variáveis ​​internas da pessoa que realiza o teste é mais complicado. Pensemos no humor, por exemplo.

A validade refere-se ao grau em que a evidência empírica e a teoria apoiam a interpretação dos resultados dos testes. (2) De outra maneira, poderíamos dizer que a validade é a capacidade de um instrumento de medição para quantificar de forma significativa e adequada a característica para a qual a medição foi projetada.

Assim, existem duas grandes teorias quando se trata de construir e analisar os testes. A primeira, da qual falamos, é a teoria clássica dos testes (TCT). A segunda é a teoria de resposta ao item (TRI). A seguir, apresentamos os principais aspectos da TCT.

A teoria clássica dos testes

A teoria clássica dos testes

Esta abordagem tende a ser a mais utilizada na análise e construção dos testes. As respostas dadas por uma pessoa em um teste são comparadas através de métodos estatísticos ou qualitativos com as respostas de outros indivíduos que complementaram o mesmo teste. Isso permite fazer uma classificação.

No entanto, realizar essa classificação não é tão simples. O psicólogo, como qualquer outro profissional, deve se certificar de que o instrumento que ele utiliza mede com precisão, com uma baixa margem de erro.

Assim, quando um psicólogo aplica um teste a uma ou várias pessoas, o que ele obtém são as pontuações empíricas que essa pessoa ou essas pessoas obtêm no teste. No entanto, isso não nos informa sobre o grau de precisão dessas pontuações; não sabemos se essas pontuações empíricas correspondem ou não às pontuações que realmente correspondem a essa pessoa no teste.

Por exemplo, pode acontecer que as pontuações tenham diminuído porque naquele dia a pessoa examinada não estava bem. Ou até porque as condições físicas nas quais a aplicação do teste foi desenvolvida não eram as melhores.

“Os psicólogos, como acontece com aqueles que constroem bombas de combustível, são obrigados a garantir que os resultados dos testes sejam precisos, que tenham poucos erros…”.
-José Muñiz, 2010-

O modelo linear clássico

Foi no início do século XX, como já dissemos, que Spearman propôs essa teoria clássica dos testes. O pesquisador criou um modelo muito simples para as pontuações das pessoas nos testes: o modelo linear clássico.

Este modelo consiste em assumir que a pontuação obtida por uma pessoa em um teste, que chamamos de sua pontuação empírica e que geralmente é designada com a letra X, é formada por dois componentes. O primeiro é a pontuação verdadeira (V) e a segunda é o erro (e). Este último pode ser devido a muitas causas que não podemos controlar. É por isso que a TCT é responsável por determinar precisamente o erro de medição.

Isso pode ser expresso da seguinte forma: X = V + e

Assim, posteriormente, Spearman adicionou três pressupostos ao modelo.

Os três pressupostos do modelo clássico

  • A pontuação verdadeira (V) é o valor esperado da pontuação empírica. Pode ser escrito assim: V = E (X).
    • Assim, define-se a pontuação verdadeira de uma pessoa em um teste como aquela pontuação que seria obtida, em média, se o mesmo teste fosse aplicado infinitas vezes.
  • Não há relação entre a quantidade de pontuações verdadeiras e o tamanho dos erros que afetam essas pontuações. Pode ser expresso: r(v, e) = 0
    • O valor da pontuação verdadeira independe do erro de medição.
  • Os erros de medição em um determinado teste não estão relacionados aos erros de medição em um teste diferente. Isso é expresso por: r (ex, ek) = 0
    • Erros cometidos em uma ocasião não apresentam covariação com os cometidos em outra ocasião.
Pessoa preenchendo gabarito

A teoria clássica dos testes é simples, não requer conhecimento matemático avançado para colocá-la em prática e pode ser aplicada em qualquer contexto. O problema é que os resultados fornecidos sempre estarão vinculados à população na qual o teste foi validado. Além disso, em muitos casos, o mínimo que exige dos testes para que sejam considerados aceitáveis não é suficiente.

  1. Muñiz Fernández, J. (2010). Las teorías de los tests: teoría clásica y teoría de respuesta a los ítems. Papeles del Psicólogo: Revista del Colegio Oficial de Psicólogos.
  2. Prieto, G., & Delgado, A. R. (2010). Fiabilidad y validez. Papeles del Psicólogo, 31(1), 67-74.
  3. De la Lengua Española, D. (2001). real Academia española.
  4. Spearman, C. (1904). The proof and measurement of association between two things. The American journal of psychology, 15(1), 72-101.
  5. Spearman, C. (1907). Demonstration of formulae for true measurement of correlation. The American Journal of Psychology, 161-169.
  6. Spearman, C. (1913). Correlations of sums or differences. British Journal of Psychology, 1904‐1920, 5(4), 417-426.