Teoria da inteligência social segundo Daniel Goleman

Por que algumas pessoas são imediatamente queridas e são muito hábeis em chegar a acordos? É por causa de seu magnetismo ou carisma? Na verdade, a chave está em sua inteligência social, uma habilidade que todos nós podemos aprimorar. Descubra mais sobre ela!
Teoria da inteligência social segundo Daniel Goleman
Valeria Sabater

Escrito e verificado por a psicóloga Valeria Sabater.

Última atualização: 30 abril, 2023

Tem gente que tem o dom de ser querida e deixar uma marca positiva por onde passa. Outras pessoas, por outro lado, são como cactos, picam toda vez que conversam e até sua simples presença é ameaçadora. Por que o ser humano é tão diverso no campo das relações? Por que algumas pessoas são tão aptas e outras tão problemáticas nessa área?

Nossa capacidade de criar relacionamentos saudáveis e eficientes depende de fatores educacionais, sociais e até de personalidade. O que ninguém pode negar é que é uma competência relevante que medeia em qualquer campo da vida. Saber interagir com quem temos à nossa frente facilitará relacionamentos satisfatórios no trabalho, amor, amizades, etc.

Esse é um assunto que sempre atraiu a atenção da psicologia. Tanto que o psicólogo Edward Thorndike foi o primeiro a cunhar o termo “inteligência social” em 1920. Mais tarde, Howard Gardner faria isso com sua controversa teoria das inteligências múltiplas. Finalmente, e já em 2006, foi Daniel Goleman quem nos deu uma nova e interessante perspectiva.

Vejamos em que consiste.

Quando focamos nos outros, nosso mundo se expande. Nossos próprios problemas se movem para a periferia da mente e, portanto, parecem menores, e aumentamos nossa capacidade de conexão ou ação compassiva.

-Daniel Goleman-

Teoria da inteligência social segundo Daniel Goleman
Nossa capacidade de navegar com sucesso nas relações sociais requer o domínio de várias dimensões, como consciência e facilidade social.

Inteligência social: o que é?

Embora ainda não haja unanimidade na definição de inteligência social, podemos entendê-la como a capacidade de navegar no complexo oceano das relações humanas com eficiência, bem-estar e satisfação. Isso inclui desde a área familiar, afetiva, profissional e qualquer cenário em que nos encontremos na situação de ter que interagir com outras pessoas.

Note-se que esse conceito, essa ideia, não deve ser vista como uma variável isolada da própria inteligência geral. É mais uma variável, é aquela habilidade que facilita nossa adaptação em qualquer ambiente e que medeia diretamente nossa satisfação e bem-estar. Da mesma forma, é um conceito que desperta grande interesse da comunidade científica devido à sua importância.

As Universidades do Texas e Tromsø, na Noruega, publicaram um estudo em que apresentam uma escala interessante para medir a inteligência social. Com ela podemos avaliar uma pessoa para perceber se é solvente na compreensão de situações sociais, se tem competências adequadas para as gerir e se demonstra consciência social adequada.

Da mesma forma, figuras como o psicólogo Martin Seligman destacam que esta dimensão, na realidade, representa uma força cognitiva, um guarda-chuva psicológico que nos fortalece como comunidade e que contribui para a própria felicidade.

“A capacidade de ouvir parece um talento natural. Mas, como acontece com os outros ingredientes que compõem a inteligência social, todos podem exercitar e melhorar sua capacidade de sintonizar simplesmente prestando mais atenção.”

-Daniel Goleman-

A teoria de Daniel Goleman

Daniel Goleman publicou o livro Inteligência social: A ciência revolucionária das relações humanas em 2006. Neste trabalho lançou as bases para compreender este conceito de forma mais sólida e prática. Sua teoria sobre inteligência social constitui uma ferramenta muito útil para decompor seus componentes, de forma a favorecer o treinamento.

Em suas páginas, ele nos lembra que todos estamos programados para nos conectar com os outros do ponto de vista neurobiológico. No entanto, às vezes, por fatores educacionais, de formação, de personalidade ou ambientais, não terminamos de desenvolver essa área tanto quanto deveríamos. O que dá esperança é saber que estamos sempre a tempo de dar esse passo, de o impulsionar um pouco mais.

Vamos agora entender os componentes que compõem a teoria da inteligência social.

Consciência social

A consciência social traça essa poderosa capacidade de se conectar com a realidade alheia. Nosso cérebro é projetado para simpatizar com as pessoas, independentemente de sua cultura, origem, circunstância ou contexto particular. Ler os indicadores sociais ao nosso redor nos permite navegar melhor na jornada da vida.

Esta variável é configurada graças a uma série de elementos que a constroem e a tornam possível:

  • Cognição social: É a capacidade de compreender o funcionamento de toda a experiência social.
  • Empatia primária: ser capaz de sentir em si as emoções e sentimentos dos outros através da comunicação não verbal.
  • Precisão empática: neste caso, não basta apenas sentir o que o outro sente, o mais importante é compreender, saber decifrar as intenções do outro.
  • Sintonia: na teoria da inteligência social, a sintonia constitui nossa capacidade de ser receptivo e totalmente sintonizado uns com os outros.

Facilidade social

Você se move com solvência em qualquer situação social? Você é bom em se comunicar com seus colegas de trabalho e até mesmo com qualquer estranho? Você é bom em chegar a acordos com os outros? Você lida bem com desentendimentos com seu parceiro?

A facilidade social representa nossa fluidez e eficácia em nossos relacionamentos com outras pessoas. É definida pelas seguintes características:

  • Influência: ser capaz de impactar de forma positiva.
  • Sincronia: ser hábil em interagir com quem está à nossa frente por meio da comunicação não verbal.
  • Preocupação: você se importa com as necessidades, emoções e pensamentos dos outros? É um elemento-chave dentro da teoria da inteligência social.
  • Autoapresentação: saber chegar aos outros, apresentar-se, mostrar-se de forma calorosa e próxima sempre facilita a conexão social.
Jovens falando sobre a teoria da inteligência social
A inteligência social deve começar na infância e na adolescência.

Conclusão

Na teoria da inteligência social de Daniel Goleman, a pedra angular é a empatia. Sem essa “cola psicobiológica”, a conexão humana não é possível, não é harmoniosa e podemos levar a comportamentos altamente disfuncionais e egoístas. Felizmente, boa parte de nós possui essa valiosa ferramenta capaz de atuar como uma engrenagem em todas as conversas e situações compartilhadas com outras pessoas.

Somos um grupo social obrigado a conviver no mesmo planeta, nas mesmas situações e desafios. Se fôssemos mais competentes em todos os componentes aqui detalhados, é muito possível que resolvêssemos melhor todos os problemas. Não hesitemos em melhorar um pouco mais esta área crucial do nosso bem-estar.


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  • Goleman, Daniel (2011) Inteligencia social: la nueva ciencia de las relaciones humanas. Kairós
  • Lieberman, M. D. (2013). Social: Why our brains are wired to connect. Oxford University Press.
  • Silvera, D., Martinussen, M., & Dahl, T. I. (2001). The Tromsø Social Intelligence Scale, a self‐report measure of social intelligence. Scandinavian Journal of Psychology42(4), 313–319.
  • Thorndike, E. L. (1920). Intelligence and its uses. Harper’s Magazine140, 227–235.

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