A teoria da mudança conceitual: como devemos ensinar ciências

julho 11, 2018

Os assuntos relacionados à ciência demandam um grande esforço cognitivo de muitos estudantes. Isto se deve principalmente à necessidade de uma compreensão profunda do conteúdo, um objetivo que muitos dos métodos pedagógicos atuais estão longe de alcançar. Por isso, a partir da psicologia educacional foi criada a teoria da mudança conceitual, que nos dá uma série de conhecimentos sobre como ensinar ciências.

Um aspecto essencial para entender a formação em ciências é compreender que a pessoa tem teorias intuitivas sobre o mundo. A criança não chega à escola como uma bolsa vazia. Antes de receber informações sobre como seu ambiente funciona, ela já teorizou sobre isso. Provavelmente, essas teorias intuitivas estão erradas e condicionam o novo aprendizado; por isso é necessário que os professores levem esse aspecto em consideração.

Fases da teoria da mudança conceitual

Neste artigo, vamos ilustrar como desenvolver uma profunda compreensão da ciência nos alunos. Para isso, explicaremos as três fases da teoria da mudança conceitual:

  • Reconhecimento de um erro.
  • Construção de um novo modelo.
  • Utilização do novo modelo.
Professor dando aula a alunos

Reconhecimento de um erro

Este é o primeiro passo para um estudante desenvolver uma profunda compreensão sobre um fato. A tarefa do professor é romper com a teoria intuitiva do aluno. Ele precisa abandonar as suas velhas ideias e descobrir por que elas estão erradas.

Se a teoria intuitiva for mantida, ela afetará a aprendizagem subsequente alterando-a ou fazendo com que o aluno a rejeite. Muitas vezes isso resultará em um aprendizado superficial da ciência. Dessa forma, o estudante não será forçado a deixar para trás a sua teoria intuitiva. Portanto, é essencial prestar atenção nas ideias preconcebidas de uma classe e direcionar o ensino de uma maneira que conscientize os alunos sobre os seus erros.

A partir da teoria da mudança conceitual, são propostos dois métodos para atingir esse objetivo. O primeiro seria a experimentação direta: se o estudante vê com seus próprios olhos que a sua teoria intuitiva está errada, isso irá ajudá-lo a reconhecer o seu erro.

O outro método é o debate, em que o professor questiona as ideias erradas dos alunos em um diálogo saudável e construtivo. Este método é muito útil para despertar neles a visão crítica dos fatos.

A construção de um novo modelo

Uma vez que a teoria intuitiva do aluno tenha sido desmontada, o próximo passo é lhe dar uma nova explicação. Um aspecto essencial para que o aluno aceite o modelo correto é que ele seja construído por ele mesmo. Se um professor simplesmente expõe para a classe como um fato científico se desenvolve, fica difícil entendê-lo. O mais provável é que exista uma aprendizagem superficial e mecânica.

A partir dos paradigmas construtivistas, os professores propõem que o aluno construa o seu próprio conhecimento. O papel do professor seria guiar o aluno enquanto explora as diferentes possibilidades. É uma técnica pedagógica complicada, mas dá resultados incríveis. Portanto, devemos utilizá-la.

Agora, levar isso para a sala de aula é ainda mais complicado, já que não é mais uma questão de fazê-lo apenas com um aluno. Um método muito testado e eficaz para conseguir isso é a geração de debates entre os alunos. Eles mesmos contestariam e expandiriam as teorias e ideias que tiveram. Nesse caso, o papel do professor seria preparar o material e os recursos necessários para o debate e atuar como um orientador para afastar os alunos dos erros.

Este é o passo mais difícil dentro da teoria da mudança conceitual, uma vez que é nele que ocorre a compreensão profunda. Portanto, é necessário que os professores estejam bem treinados no uso desse tipo de modelo de ensino.

Grupo de alunos discutindo entre si

Utilização do novo modelo

Não faria sentido aceitar os erros e construir um novo modelo se não aplicarmos esse novo conhecimento aos problemas futuros. Portanto, o último passo do processo é que os alunos aprendam a usar a sua nova teoria. Para isso, é importante que eles enfrentem exercícios ou situações em que tenham que usar o novo conhecimento adquirido.

Por outro lado, é essencial que este novo modelo seja integrado e relacionado aos conhecimentos anteriores. Assim, para que a aplicação de qualquer conhecimento seja correta, é necessário entendê-lo a partir de uma perspectiva ampla e bem fundamentada de outras áreas do conhecimento.

Como vemos, a teoria da mudança conceitual nos fornece uma técnica pedagógica amplamente validada e com resultados incríveis. Se realmente quisermos que os alunos entendam em profundidade os conteúdos das aulas e saibam como usá-los de forma crítica e construtiva, não podemos esperar mais para aplicar essas técnicas de ensino em sala de aula.