Teoria do sociômetro: quanto vale o que os outros pensam de nós

· abril 15, 2019
Qual é a importância que damos à opinião que os outros têm sobre nós? Embora a resposta possa parecer simples e acreditemos que não nos importa muito, a verdade é que parece que possuímos um mecanismo que controla isso, independentemente de sermos conscientes ou não.

Qual é a importância que damos à opinião que os outros têm sobre nós? O mais comum é subestimarmos essa relevância. De fato, embora pareça incrível, parece que contamos com um mecanismo que nos faz adaptar nosso comportamento à informação dessa variável. Para nos aprofundarmos um pouco mais nesse assunto, hoje vamos falar sobre a teoria do sociômetro.

Essa teoria fala sobre um mecanismo psicológico que nos ajuda a minimizar a probabilidade de rejeição. Além disso, estaria bastante relacionada com a autorregulação do nosso comportamento em companhia de outras pessoas ou para as mesmas.

Esse mecanismo regulador parece responder às mudanças de valor relacional. Ele nos proporciona um marco em relação ao qual se pode analisar fenômenos como a autoestima e a sensibilidade à rejeição, assim como os transtornos de personalidade e muitas das reações que as pessoas têm em relação aos demais.

Esse indicador psicológico pode inclusive proporcionar informações muito valiosas sobre o que acontece quando as pessoas se autorregulam de maneira disfuncional. Essa forma de autorregulação prejudica ainda mais suas relações com outras pessoas. Muito relacionado com a autoestima, esse sociômetro também afeta e influencia a regulação das nossas emoções.

Bases evolutivas da teoria do sociômetro

Baumester e Leary desenvolveram a teoria do sociômetro da autoestima. Posteriormente, ela seria ampliada por Gardner, Pickett e Brewer com base na ideia de que o ser humano é praticamente incapaz de sobreviver e se reproduzir sem manter um mínimo de relações sociais.

Por isso, desenvolveu um sistema que permite manter com sucesso essas relações. Isso requer um sistema que monitore as relações dos demais perante nossas condutas; especialmente, as reações a nossas ações que podem provocar rejeição social pela nossa pessoa.

Esse sistema de monitoramento alerta o indivíduo sobre as possíveis mudanças em seu status de inclusão ou redução de aceitação social. Esse scanner de avaliação do estado de nossas relações é o que nos motiva a realizar condutas que reparem situações que podem estar prejudicando nossas relações.

Também nos alertam sobre qualquer comportamento que possa colocar em perigo nossos vínculos sociais. Ou seja, o ser humano desenvolveu um mecanismo psicológico que monitora o meio visual indireto em busca de indícios que sejam relevantes para o valor relacional de uma pessoa em seu meio.

Amigos abraçados no topo da montanha

As emoções: ferramentas de medida

Segundo a teoria do sociômetro, a autoestima é um indicador da qualidade das nossas relações sociais. Quando as pessoas mantêm condutas que as levam a serem rejeitadas pelo grupo, sua autoestima vai sofrer e diminuir. Se, pelo contrário, forem mantidos comportamentos ligados a emoções positivas, a autoestima aumenta. Poderíamos dizer, então, que a autoestima tem um importante componente emocional.

Evolutivamente, a natureza nos proporcionou um sistema de alerta que costuma marcar com dor as coisas que quer que evitemos. Da mesma maneira, marca com prazer as coisas que deveríamos repetir. Quando as necessidades de uma pessoa não são atendidas, surgem sensações aversivas.

Seu propósito é que o organismo reaja e solucione a situação que é desagradável ou ameaçadora para nós, e isso também se aplica no caso das necessidades de pertencimento. As emoções servem para nos alertar sobre acontecimentos que possuem implicações consideráveis para o nosso bem-estar. Todas as emoções são adaptativas.

Teoria do sociômetro

Como funciona?

Esse sistema de monitoramento parece agir separado da consciência e o faz até o momento em que detectamos que o valor relacional está baixo ou diminuindo. É nesse momento que leva o indivíduo a considerar a situação de maneira consciente.

Se a pessoa viveu uma experiência de rejeição recentemente, será mais sensível ao que outras pessoas pensem sobre ela. Nesse caso, ela vai dedicar mais recursos cognitivos para raciocinar sobre suas situações sociais.

Essa teoria, na verdade, explica que a autoestima é um indicador e, portanto, não teria sentido agir sobre ela. O psiquiatra Pablo Malo propôs a comparação desse fenômeno com o marcador de gasolina de um carro:

 “Para uma pessoa com baixa autoestima, querer elevá-la, per se, seria como querer manipular o ponteiro do marcador de gasolina de um carro para ter mais combustível. No entanto, se quisermos ter mais gasolina do que há no carro, é preciso encher o tanque”.

Isso nos leva a pensar que a autoestima, na verdade, é reforçada com a aquisição de habilidades sociais e o desenvolvimento de capacidades que facilitem nossa adaptação social. Nesse sentido, a autoestima parece ser muito influenciada pelo quanto estamos adaptados ao ambiente e por como valorizamos essa adaptação.