Teste de assertividade de Rathus

janeiro 16, 2020
Expressar ideias e necessidades, defender nossos direitos com respeito e sem usar a agressividade. Ser assertivo é fundamental nas nossas relações, e esse teste de Rathus, desenvolvido em 1973, continua sendo útil para avaliar a nossa competência nessa área.

O teste de assertividade de Rathus foi elaborado diante de uma necessidade detectada nos anos 1960. A assertividade, como habilidade social e comunicativa, é essencial para o nosso bem-estar mental. Saber expressar pensamentos e necessidades de maneira correta, defender direitos, etc., otimiza nossas relações com os demais e nutre a nossa autoestima.

No entanto, estamos diante de uma dimensão que nem sempre “vem de fábrica”, mas que convém desenvolver. Assim, é interessante saber que o treinamento em assertividade foi uma das primeiras técnicas desenvolvidas pelos terapeutas behavioristas no final dos anos 1950 e início dos 1960.

Os especialistas sabiam que era necessário oferecer pautas e estratégias relacionadas ao tema às pessoas. Sabiam que, quando o ser humano se comunica e se comporta de maneira assertiva, diminuem as condutas agressivas.

Além disso, é possível exaltar o respeito e proteger a identidade, os valores e a autoconfiança de cada um. Sem estas áreas, sem um bom nível de assertividade, muitas vezes acabamos mergulhados no sofrimento.

Este instrumento, elaborado pelo Dr. Spencer A. Rathus em 1973, continua sendo muito útil e interessante. Graças a ele, podemos medir a nossa competência em matéria de assertividade. Vejamos mais dados a seguir.

“Lembre-se, seu objetivo não é se transformar em uma pessoa agressiva e egocêntrica, porque a assertividade não é isso. Trata-se de desfrutar das suas relações sociais e evitar que os outros tirem proveito de você”.
-Spencer A. Rathus-

Mulheres conversando no trabalho

Teste de assertividade de Rathus

O teste de assertividade de Rathus foi elaborado há mais de 40 anos. No entanto, continua sendo igualmente válido, confiável e útil para oferecer informações sobre uma pessoa neste campo.

Cabe destacar, no entanto, que o teste foi atualizado nesse período (Thompson y Berenbaum, 2011) e que, nos dias de hoje, ganhou mais relevância por um aspecto que o próprio Dr. Spencer Rathus ressaltou em sua época.

Há pessoas que percebem a si mesmas como altamente assertivas, quando na realidade o que está presente no seu comportamento e estilo de comunicação é a agressividade. Este instrumento, portanto, também nos dará informação para descobrir se o sujeito tem um perfil agressivo e não assertivo.

Apesar de ter essa utilidade “extra”, o teste de assertividade de Rathus foi concebido com outra finalidade: a de servir como escala de treinamento.

O que o teste de Rathus mede?

Este teste oferece informações sobre os seguintes pontos:

  • Mede o nível de assertividade de uma pessoa.
  • Oferece informações sobre sua capacidade de defender ou não seus direitos, ideias e necessidades.
  • Fornece dados para saber se a pessoa em questão é passiva ou, pelo contrário, agressiva.
  • Outro detalhe interessante do teste de assertividade de Rathus é que a informação que recebemos serve para descobrir quais áreas devemos trabalhar. Há quem, por exemplo, apresente uma baixa assertividade devido à ansiedade social. Este seria, portanto, um aspecto que deveríamos atender.
Homem falando no trabalho

Em que consiste o teste de assertividade de Rathus?

A escala de Rathus é composta por 30 itens (perguntas) com 6 opções de resposta (vão desde ‘muito característico de mim’ a ‘nada característico’). Esse teste fornece uma pontuação final, juntamente com um percentil.

As perguntas são as seguintes:

  1. A maioria das pessoas que me rodeiam parecem ser mais agressivas e assertivas do que eu.
  2. Já hesitei em marcar ou aceitar convites para compromissos por timidez.
  3. Quando a comida servida em um restaurante não está de acordo com o que eu espero, reclamo com o garçom ou garçonete.
  4. Tenho cuidado para evitar ferir os sentimentos de outras pessoas, mesmo quando se trata de alguém que já me feriu.
  5. Se um vendedor toma seu tempo para me mostrar roupas ou objetos que não são do meu agrado, tenho dificuldade para dizer não.
  6. Quando alguém pede que eu faça algo, insisto em saber o porquê.
  7. Quase sempre busco argumentos firmes e contundentes quando mantenho uma conversa.
  8. Me esforço sozinho para sair na frente, sem chamar atenção.
  9. As pessoas costumam se aproveitar de mim.
  10. Gosto de iniciar conversas com pessoas desconhecidas.
  11. Muitas vezes não sei o que dizer às pessoas que me atraem.
  12. Hesito em fazer chamadas telefônicas a estabelecimentos comerciais e instituições.
  13. Prefiro me candidatar para uma vaga de emprego ou me matricular em um curso escrevendo e-mails do que passando por entrevistas pessoais.
  14. Tenho vergonha de devolver algo que comprei.
  15. Se um parente próximo me incomoda, fico calado e não deixo que ninguém perceba.
  16. Já evitei fazer perguntas por medo de parecer bobo.
  17. Não gosto de discussões pois elas me bloqueiam.
  18. Se um professor renomado fizer uma declaração que acredito ser incorreta, vou corrigi-lo em público para deixar claro o meu ponto de vista.
  19. Evito discutir o meu salário em entrevistas de emprego.
  20. Quando faço algo importante ou que vale a pena, faço questão de que os outros saibam.
  21. Sou aberto e sincero em relação aos meus sentimentos.
  22. Se alguém está espalhando histórias falsas sobre mim, procuro a pessoa o antes possível para falar sobre o assunto.
  23. Muitas vezes tenho dificuldade para dizer ‘não’.
  24. Sempre tendo a reprimir as minhas emoções.
  25. Nunca hesito em reclamar de um serviço ruim em bares e restaurantes.
  26. Quando recebo um elogio, não sei o que dizer.
  27. Se um casal fala alto perto de mim em uma sala de teatro ou em uma palestra, eu peço que eles se calem ou que conversem em outro local.
  28. Qualquer um que tentar ser melhor do que eu em algo deve estar preparado para se ver comigo.
  29. Sou rápido para expressar uma opinião.
  30. Há momentos em que simplesmente me sinto incapaz de dizer algo.
Teste de assertividade de Rathus

Avaliação do teste

Para chegar ao resultado do teste, os avaliadores sabem que há perguntas com uma pontuação positiva e outras com uma pontuação negativa. A soma de cada ponto fornece um número e, a partir dele, será possível saber em qual percentil estamos, identificando se somos assertivos, nada assertivos, medianamente assertivos ou agressivos.

O psicólogo que aplicar o teste poderá explicar quais áreas cada cliente deve trabalhar, com quais ferramentas, e quais estratégias seriam as melhores em função das necessidades pessoais de cada um.

Por último, cabe destacar que a assertividade é uma questão de prática que também envolve gerenciar a insegurança e a ansiedade social para definir limites e se relacionar com os demais de maneira mais segura e decidida.

  • Gustafson, R. (1992). Una prueba psicométrica sueca del Rathus Assertiveness Schedule.  Psychological Reports , 71 (6), pág. 479. doi: 10.2466 / pr0.71.6.479-482.
  • Rathus, SA (1973). Un cronograma de 30 ítems para evaluar el comportamiento asertivo. Behavior Therapy , 4 (3), págs. 398–406. doi: 10.1016 / s0005-7894 (73) 80120-0.
  • Rathus, S. A. (1973). A 30-item schedule for assessing assertive behavior. Behavior Therapy4(3), 398–406. https://doi.org/10.1016/S0005-7894(73)80120-0