A tomada de decisões em um relacionamento

· março 4, 2019

Todos os casais passam por momentos nos quais precisam lidar com a tomada de decisões nos relacionamentos. São decisões que, por maior ou menor importância que tenham, geram uma situação na qual é preciso negociar.

Mesmo que resolvamos isso bem com o nosso parceiro, é normal que não estejamos de acordo com tudo e que existam diferenças na hora de tomar uma decisão.

Além do mais, a tomada de decisões nos relacionamentos é mais do que se posicionar a favor ou contra “algo”, pois tomar uma decisão em casal é uma prova da solidez e da sintonia da união.

Por isso, neste artigo tentaremos identificar as variáveis que influenciam a tomada de decisões nos relacionamentos e os problemas que podem surgir  nos momentos em que é preciso escolher um caminho, assumir um risco, fazer uma grande mudança ou deixar uma oportunidade passar.

Neste sentido, vamos nos concentrar nas decisões mais importantes e frequentes nas quais pode haver um conflito:

  • Se houver uma crise de relacionamento ou, ao passar um certo tempo juntos (e os sentimentos não forem os mesmos), pode surgir uma dúvida a respeito de continuar juntos ou se separar;
  • Morar juntos e começar uma convivência;
  • Passar tempo com a família de cada um (por exemplo: fim de semana na casa dos sogros, Natal, Páscoa, etc.);
  • Casar;
  • Ter filhos;
  • O tipo de educação dada aos filhos;
  • Trocar de emprego ou, no caso de uma relação à distância, um dos membros mudar para outra cidade;
  • Uma infidelidade ou pensar em outras regras para a relação como, por exemplo, uma relação aberta ou um poliamor;
  • O tempo para si mesmo que cada um tem dentro do relacionamento.

Casal enfrentando problemas

O que influencia a tomada de decisões nos relacionamentos?

A segurança em si mesmo

A imagem que você tem de si mesmo e a capacidade de sentir que a sua opinião é válida e tem peso influencia todo o processo de tomada de decisões nos relacionamentos.

Se você é uma pessoa segura de si mesma, contará com o suporte suficiente para defender aquilo no que acredita e influenciar a decisão final.

Em outras palavras, uma pessoa com confiança em si mesma tem um papel ativo nas decisões tomadas entre o casal, enquanto alguém com inseguranças estará sempre à sombra do que o outro disser ou decidir.

Da mesma forma, a autoconfiança ajuda a pessoa a não se calar por medo da rejeição. Se posicionar acima do medo quando é preciso lidar com um assunto delicado no relacionamento é o segredo para ter voz e voto nas decisões a serem tomadas.

As pessoas inseguras sacrificam sua capacidade de influência para ficarem bem; ou seja, tendem a dizer aquilo que os demais querem ouvir ou aquilo que evita um conflito.

O lugar que o outro ocupa dentro do projeto de vida compartilhado

Por outro lado, quando é preciso tomar uma decisão conjunta, um aspecto chave é o lugar que a outra pessoa tem em seu ideal de futuro ou projeto de vida. Assim, o processo de tomada de decisão se baseia mais no futuro do que no presente. E o que isso quer dizer?

Que o potencial que nós vemos em um parceiro tem um papel muito importante para nos acompanhar em um novo caminho. Bons exemplos disso são a vontade de ter filhos, se casar, viver juntos, etc.

A tomada de decisões em um relacionamento se baseia mais nas antecipações que fazemos em nossa mente do que na realidade que vivemos com essa pessoa.

Neste sentido, em sua teoria do amor, Sternberg dizia como são necessários três componentes para que exista um amor completo e maduro, e um destes componentes é o compromisso. Ele não se refere ao compromisso legal, de fidelidade ou de relação, e sim ao compromisso com o futuro da relação.

Assim, para que a tomada de decisões seja um processo de sucesso, é preciso existir um compromisso: o de trabalhar como uma equipe para alcançar objetivos comuns.

“A tomada de decisões em um relacionamento se baseia mais nas antecipações que fazemos em nossa mente do que na realidade que vivemos com a outra pessoa.”

Casal andando no trilho do trem

Suas habilidades de comunicação e a capacidade do outro de compreender

Boas habilidades de comunicação são imprescindíveis para compartilhar medos, dúvidas, expectativas e desejos. Pense que verbalizar tudo o que passar pela cabeça e que contribuir de alguma forma com o processo reflexivo pré-decisão terá um potencial construtivo: somar.

Não é necessário dizer tudo o que você pensa, no entanto, é necessário pensar e sentir tudo o que você diz. Do contrário, você dará lugar a uma comunicação ambivalente e pouco clara na qual haverá  muito espaço para a interpretação, um elemento perigoso para a vida em casal.

Além disso, o receptor das suas mensagens tem que ser capaz de entender aquilo que você está querendo transmitir com o sentido que você quer passar. Ou seja, o outro tem que compreender o que você diz, saber o porquê disso ser importante para você. Neste sentido, a comunicação não verbal também tem um papel importante.

É impossível não comunicar, e no contexto da tomada de decisões em casal, é necessário que o que digamos seja coerente com o resto dos elementos que expressamos.

Neste sentido, qualquer incongruência pode geral um mal entendido que pode ocasionar ruído (mal-estar), como nos mostrarmos felizes por planejar um casamento e no fundo pensarmos que o casamento leva os casais ao fracasso.

“É impossível não comunicar, e no contexto da tomada de decisões em casal, é necessário que o que digamos seja coerente com o que mostramos”.

Finalmente, quero destacar que a decisão em casal tem que ser um processo compartilhado por aqueles que o formam. O fato de acontecer dessa forma é um preditor de uma vida em casal mais duradoura e satisfatória, de acordo com a pesquisa realizada por Kamp Dush e Taylor, em 2011, pela Universidade de Ohio.

Por outro lado, também é necessário fazer um esforço para delimitar as influências externas que possam entrar no processo de tomada de decisões nos relacionamentos. Dessa forma, é preciso dar prioridade ao que o casal sente, deixando a motivação de agradar aos demais em segundo plano.

  • Kamp Dush, C. M. y Taylor, M. G. (2011).Trajectories of Marital Conflict Across the Life Course. Predictors and Interactions With Marital Happiness Trajectories. Journals of Family Issues, 33: 3. https://doi.org/10.1177/0192513X11409684
  • Queen, T. R., Berg,  C. A., & Lowrance, W. (2015). A Framework for Decision Making in Couples across Adulthood. En Thomas M. Hess, JoNell Strough, Corinna E. Löckenhoff, (Eds.) Aging and Decision Making. Academic Press.
  • Sternberg, R. J. (2007). Triangulating love. En Oord, T. J. The altruism reader: Selections from writings on love, religon and science. West conshohocken, PA: Templeton fundation.