Trabalho social em situações de emergência ou catástrofes

julho 27, 2019
Você conhece as funções de um trabalhador social em catástrofes ou emergências? Contamos quais são a seguir.

Quando um acontecimento acaba gerando uma situação de risco, seja ela para a comunidade ou para um grande número de pessoas, a atuação de alguns profissionais especializados se torna necessária. Desse modo, o trabalho social em catástrofes ou situações de emergência tem como objetivo a resolução integral das situações de crise, emergências e catástrofes a partir de uma intervenção social.

Essa intervenção deve ser preparada anteriormente, para que já exista uma série de protocolos antes que aconteça a situação de emergência, e deve se instalar após o acontecimento da mesma (Colegio Oficial de Trabajado Social de Castilla-La Mancha).

Dessa forma, antes de começar a falar sobre o papel dos profissionais do trabalho social em situações de emergência, é necessário explicar o significado de alguns termos que vamos utilizar. Segundo Villalibre (2013):

  • Emergência: Provavelmente a primeira palavra que foi usada para se referir a um estado de emergência foi CQD. A sigla CQD quer dizer Come Quickly Distress, que em português significa “venham rápido, problemas”. Segundo a Organização Mundial de Saúde, seria um caso no qual a falta de assistência conduziria à morte em minutos.
  • Catástrofe: etimologicamente, procede do grego antigo: katastrefein, que quer dizer abater ou destruir. Segundo a Organização Mundial de Saúde, seria qualquer fenômeno que provoca danos, prejuízos econômicos, perda de vidas humanas e deterioração da saúde ou de serviços sanitários em uma medida suficientemente grande para exigir uma resposta extraordinária de setores alheios à comunidade ou zona afetada.
  • Desastre: essa palavra provém do latim des (negativo, negação) e astre (astro, estrela). Isso porque seria como uma desgraça derivada da ira dos astros ou dos deuses, algo além do controle humano. Segundo a Organização Mundial de Saúde, seria uma situação imprevista que representa sérias e imediatas ameaças para a saúde pública. Pode ser ainda uma situação de saúde pública que coloca em perigo a vida ou a saúde de uma quantidade significativa de pessoas e exige uma ação imediata.
Trabalho em equipe

Aptekar (1994), baseando-se em dados quantitativos, diferenciou também esses três termos que são citados por Villalibre (2013):

  • Acidente ou emergência: pode ser aplicado a situações nas quais morrem menos de mil pessoas.
  • Desastre: quando a cifra de falecidos e vítimas em perigo iminente de morte se situa entre mil e um milhão.
  • Catástrofe: para qualquer quantidade superior a um milhão de óbitos.

O que eles têm em comum?

Fouce, Hernández-Coronado, Nevado, Martínez, Losada e Lillo (1998) explicam a parte em comum entre todos os termos:

  • Precisam de uma intervenção diante de uma demanda que não admite demora em uma situação de emergência.
  • De acordo com a magnitude do evento, encontramos reações psicológicas similares em função das consequências no que diz respeito às repercussões nos sujeitos.
  • Podem ser imprevisíveis e acidentais e, por isso, causar surpresa, instabilidade e dificuldade ou impossibilidade de se defender.
  • Devem constituir uma situação de perigo imediata para a vida ou para a integridade física.

“O mundo quebra todos nós, e depois alguns se tornam mais fortes nos lugares quebrados”.
-Ernest Hemingway-

O papel dos profissionais do trabalho social em emergências

Em primeiro lugar, temos que ter em mente que a intervenção a partir do trabalho social deve estar presente desde o princípio.

Isso quer dizer que devemos participar desde o momento da prevenção e elaboração de protocolos até o momento em que se torna necessária a atuação dos diferentes profissionais.

Não podemos esquecer que o trabalho conjunto e em equipe sempre trará um maior benefício para a comunidade.

Como as consequências que esse tipo de situação trazem consigo são bastante imprevisíveis e podem também ser devastadoras, uma intervenção multidisciplinar é necessária. Isso porque o problema se torna menor quando o atacamos a partir de diferentes frentes.

Se quisermos nos concentrar no ponto de vista do profissional sobre o qual estamos falando hoje, poderemos dizer que há duas frentes a serem observadas a partir do Trabalho Social.

Por um lado, e logo nos primeiros momentos, temos um papel de acompanhamento e de apoio. Por outro, devemos minimizar a ação de tal forma que seja a comunidade que adote o papel de liderança e participe ativamente do seu fortalecimento e construção (Peñate, 2009).

Por isso, algumas das funções dos trabalhadores sociais seriam (Herrero, 2012):

  • Informar, assessorar e conscientizar as instituições.
  • Dar a informação necessária e organizar e preparar para o impacto das possíveis consequências da situação.
  • Formar equipes profissionais e voluntárias.
  • Acolher e acompanhar as pessoas implicadas direta e indiretamente.
  • Comunicação contínua com familiares. Informação sobre acidentados, falecimentos, etc. Assim como acompanhamento no reconhecimento de vítimas.
  • Administração de recursos e serviços.
  • Inventário de danos para fundamentar a ajuda.
  • Terapia de crise, elaboração de informes sociais.
  • Fomento da participação comunitária, formação de grupos de autoajuda…
Mulher preenchendo um formulário

Objetivos do trabalho social de emergência

Segundo Herrero (2012), alguns dos objetivos que a atuação dos profissionais do trabalho social em catástrofes, emergências e desastres deve ter são:

  • Divulgar as oportunidades que os grupos sociais têm à disposição.
  • Motivar para ter acesso a essas oportunidades.
  • Ajudar as pessoas implicadas no gerenciamento de sentimentos e emoções.
  • Ajudar as pessoas a aprender novas formas de enfrentar os problemas, conceber a vida de uma maneira diferente.
  • Restabelecer o equilíbrio psicológico das pessoas.
  • Integrar o incidente na estrutura da vida.
  • Estabelecer ou facilitar a comunicação entre as pessoas em crise.
  • Ajudar o indivíduo ou família a perceberem a situação adequadamente.
  • Restaurar a homeostase do indivíduo com o seu ambiente. Ou seja, ajudar as pessoas a se adaptarem à nova situação.

Definitivamente, o papel dos trabalhadores sociais, ainda que muitas vezes esquecido, é necessário principalmente na hora de melhorar a situação de pessoas que foram afetadas por catástrofes ou situações de emergência.

Dessa forma, o trabalho sincronizado de diferentes equipes se torna fundamental nesses tipos de situação.

  • Baloian, I., Chia, E., Cornejo, C., & Paverini, C. (2007). Intervención psicosocial en situaciones de emergencia y desastres: guía para el primer apoyo psicológico.
  • Colegio Oficial de Trabajo social de Castilla-La Mancha. El Trabajo Social en situaciones de Crisis, Emergencias y Catástrofes en
    Castilla La Mancha. Recuperado de: https://www.trabajosocialclm.com/participacion-voluntariado
  • Hernández-Coronado, A., Nevado, M., Martínez, RM., Losada, D, Lillo de la Cruz, A. (2006). Intervención psicológica en situaciones de emergencias. Psicología sin fronteras. Revista electrónica de Intervención Psicosocial y Psicología comunitaria, 1(1), 40-46.
  • Muguruza, I. H. (2011). Los Trabajadores Sociales en situaciones de crisis, emergencias y catástrofes. Margen: revista de trabajo social y ciencias sociales, (63), 4-12.
  • Peñate, Á. C. (2009). Una aproximación a la intervención del Trabajo Social comunitario en situaciones de catástrofes y desastres. Cuadernos de Trabajo Social22, 243.
  • Villalibre Calderón, C. (2013). Concepto de urgencia, emergencia, catástrofe y desastre: revisión histórica y bibliográfica.