A importância dos papéis familiares

· abril 7, 2019
O filho nasce de uma mãe e um pai, e isso não foi alterado até hoje. O filho só sobrevive se tiver uma família ou alguém que a substitua. Tudo isso determina os papéis familiares, que são decisivos no desenvolvimento psicológico de cada indivíduo.

Uma família é um sistema organizado como o núcleo básico da sociedade. Isso significa que é um coletivo no qual existem normas, valores e padrões de comportamento. Há também hierarquias e papéis familiares que dão um lugar específico para cada um dos membros que a compõem. Tudo isso se reflete na sociedade.

A maneira de se relacionar com os outros membros da família é determinante para a forma como eles acabam interagindo com o restante da sociedade. Cada família ensina na prática o que é bom e o que não é. Além disso, também aponta como espera que cada um dos membros aja. Isso é o que chamamos de papéis familiares: o papel que cada membro desempenha dentro desse núcleo.

A definição e colocação em jogo de cada um dos papéis familiares é muito importante, tanto para a saúde mental dos seus componentes, quanto para o estabelecimento de vínculos claros e saudáveis. Isso parece óbvio, mas no mundo de hoje não é tão óbvio assim. O resultado é uma sociedade na qual hierarquias, relações de autoridade e limites do ego não estão muito claros.

Árvore familiar

Os principais papéis familiares

Dentro dos papéis familiares, o mais básico e determinante é o papel conjugal. Também é um daqueles papéis que, com o tempo, se torna mais confuso. É composto pelo casal e inclui o conjunto de espaços em que as crianças não intervêm, como a sexualidade, as decisões frente à família, o encontro emocional dos dois, etc.

Depois, há o papel materno e o papel paterno. Esses papéis familiares dependem muito do ambiente cultural. No entanto, existem alguns elementos que são comuns em praticamente todas as culturas.

  • O papel materno é fundamentalmente afetivo e a sua função é fornecer proteção e apoio à criança.
  • O papel paterno, por outro lado, é mediar essa díade mãe-filho, ampliando os limites da criança e apontando os limites do que é permitido.

Os outros dois papéis familiares são o papel fraternal e o papel filial. O primeiro ocorre entre irmãos e cumpre a função de definir as bases para um relacionamento cooperativo entre iguais. A segunda corresponde ao vínculo que as crianças estabelecem com os seus pais e tem a ver com o respeito pelas hierarquias e a internalização do senso de autoridade.

Problemas com o papel conjugal

O que descrevemos até agora é o esquema teórico dos papéis familiares. No entanto, na prática, estes papéis nem sempre são assumidos e respeitados como a teoria aponta. Quando o casal quebra o seu papel conjugal e permite que os filhos entrem em sua esfera, há consequências que podem se tornar graves.

Em geral, as crianças que testemunham conflitos conjugais entre os pais sentem culpa e ansiedade. Dependendo da intensidade dos conflitos e da idade da criança, as consequências podem ser mais ou menos graves. Em qualquer caso, um ou ambos os pais perderão parte de sua autoridade nesses conflitos.

Também não é bom para as crianças verem os seus pais tendo expressões ou relações sexuais. Isso é muito confuso para eles. Dependendo novamente da idade e das informações que elas têm sobre sexualidade, isso poderá assustá-las, excitá-las ou as confundir. As consequências podem ser muito diversas, mas geralmente alteram o seu desenvolvimento normal.

Família separada

O papel materno e o papel paterno

Os papéis familiares decisivos são exercidos pelos pais. Primeiro o papel conjugal e depois o papel de mãe ou pai. Todos esses papéis estão intimamente relacionados. O papel materno ideal é o da chamada “nutrição materna”: que cuida, oferece amor e carinho físico e emocional ao seu filho.

No entanto, algumas mulheres fazem dos seus filhos seus únicos objetos de amor. Elas desprezam e desvalorizam o pai e criam vínculos possessivos e superprotetores com as crianças. Há também mães ausentes, que se recusam a ser mães de seus filhos. Em ambos os casos, o efeito é semelhante ao da mutilação emocional.

A função ou papel paterno estabelece a proibição normativa. O pai é aquele que regula esta simbiose de mãe e filho. “Salva” o filho, por assim dizer, de ficar confinado exclusivamente ao universo materno.

Atualmente existe uma grande desvalorização da palavra e do papel paterno. Um pai que não é presente, ou que exerce o seu papel de maneira fraca, traz grandes dificuldades para as crianças na hora de definir o que é permitido e o que é proibido, o que é legal ou não. Os filhos deste tipo de pais têm dificuldade em perceber os ‘limites’.

  • Alberdi, I. (2004). Cambios en los roles familiares y domésticos. Arbor, 178(702), 231-261.