Transformar a educação é possível

23 Janeiro, 2020
Uma criança é muito mais do que um receptor passivo de conhecimentos. Essa ideia é um verdadeiro desafio para os sistemas educacionais atuais, que, em muitos casos, resistem a deslocar o aluno do lugar passivo em que foi colocado como regra.
 

Muitos centros educacionais deixaram de lado as aulas exclusivamente expositivas para transformar a educação. A ideia é que os alunos saiam das aulas com mais conhecimentos do que apenas os teóricos.

Falamos de espaços onde as crianças são ensinadas a serem críticas e a aceitarem apenas ideias que se baseiem em uma argumentação sólida ou em dados empíricos comprovados. Apostam em uma educação integral com novas metodologias, bem como em um modo de aprendizagem cooperativa e colaborativa.

O corpo docente deixa de transmitir tantos conhecimentos e tenta extrair mais do que introduzir. Os docentes orientam os alunos propondo o tema a ser tratado, e estes dizem o que se interessam em saber, o que na maioria dos casos transcende o que está nos livros escolares.

Professora com alunos
 

Transformar a educação: muito além dos livros

Uma aposta metodológica que renuncia ao livro-texto, priorizando o desenvolvimento humano. Entre outros recursos, permite o uso de celulares e tablets em sala de aula, rompendo com os tempos e os espaços tradicionalmente estabelecidos na organização escolar cotidiana, indo de encontro com muitos esquemas consolidados e despertando racionalmente receios e dúvidas.

Essa metodologia exige um esforço maior que a tradicional aula expositiva. Além disso, os livros escolares são uma zona de conforto. Qualquer outra aposta significa mais trabalho, mais recursos, mais tempo e, sobretudo, mais incertezas.

O aluno pesquisa e o professor é o guia, o orientador. A aprendizagem vai sendo construída pouco a pouco, o aluno cria os conteúdos a partir de distintas fontes de informação e, no processo, também vai aprendendo a distinguir entre o que é confiável e o que não é.

O foco é uma avaliação que sirva para aprender e não apenas para ser aprovado, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e acadêmico dos estudantes.

 

Diferentes metodologias contrárias à metodologia tradicional

  • Aula invertida (Flipped Classroom). É uma metodologia para “inverter” a aula. A proposta é que os alunos estudem em casa e, na aula, realizem atividades e trabalhem de maneira colaborativa. Em casa, eles podem ter acesso a conteúdos utilizando as TIC, seja por meio de um blog ou de vídeos fornecidos a eles e criados pelo professor. O aluno passa a ser o protagonista, realizando atividades participativas em uma aprendizagem dinâmica e interativa, e o professor se torna um mero guia.
  • Aprendizagem baseada em projetos (ABP). O principal objetivo dessa metodologia é o aluno aprender fazendo. O resultado será um projeto final que traga respostas a problemas da vida real, embora o que realmente importa não seja o fim, mas o processo em si. Com isso, conseguimos fazer com que os estudantes possam aplicar os conhecimentos adquiridos em contextos heterogêneos e mutáveis, de maneira que lhes sirva para entender a realidade.
  • Gamificação. Essa metodologia transporta o jogo ao âmbito educacional. É uma forma de motivar os alunos e aprender de uma maneira divertida. Como em todos os jogos, devem ser estabelecidos alguns objetivos e a forma de trabalhar jogando. Podem ser definidos níveis, assim como diferentes desafios e prêmios, para, dessa forma, conduzir o jogo e adaptá-lo aos conteúdos que se quer abordar.
 
  • Aprendizagem baseada no pensamento (Thinking Based Learning). Centra-se na reflexão dos alunos com uma série de orientações guiadas pelo professor. Pensar de maneira reflexiva e crítica sobre o tema ou os conteúdos a serem estudados é o principal objetivo dessa metodologia. Tomar decisões e questionar a credibilidade da informação para desenvolver ideias criativas e uma compreensão mais profunda.

Portanto, essas e muitas outras metodologias alternativas são opções para transformar a educação e desenvolver um processo de ensino/aprendizagem em que não apenas se memoriza com o objetivo de passar em uma prova, mas no qual se vai mais além, transformando o aluno no protagonista e adquirindo uma aprendizagem muito mais significativa.

Embora a maioria dessas estratégias educativas já tenha várias décadas de vida, atualmente, graças às novas tecnologias, elas têm sido reinventadas e disseminadas.

Professor dando aula para alunos
 

A importância das TIC para transformar a educação

As TIC se tornaram algo comum, e os jovens convivem com elas desde que nascem. Assim, rapidamente, elas se tornam algo natural em suas vidas.

As novas tecnologias, portanto, apresentam oportunidades benéficas para o processo de ensino/aprendizagem, para adequar o conhecimento à realidade, aos interesses e aos propósitos dos estudantes.

A escola e a educação não podem se manter estáticas nem à margem dessas mudanças da sociedade. Incorporar as TIC nas aulas é uma necessidade para que os jovens possam se desenvolver sem problemas dentro dessa nova sociedade.

Alternativas metodológicas para os novos desafios educacionais

Ainda não existe um modelo educativo considerado a fórmula perfeita para a aprendizagem. Por isso, os novos desafios exigem educar os jovens como cidadãos do futuro.

Há metodologias que requerem um maior esforço do que aquela aula expositiva na qual os estudantes assumem uma posição passiva e receptora, não são avaliadas apenas com uma prova, e nas quais os alunos têm que participar de uma forma mais ativa e motivadora.

 

Boto, A. (2008). Una clase sin libros. El País Semanal, págs. 16-19.

Castillo Parra, S. (2006). Aprendizaje Basado en Problemas.

Moya Martínez, A. M. (2009). Las nuevas tecnologías en la educación. Innovación y experiencias educativas, 1-9.