Tricotar: o poder terapêutico e os benefícios de entrelaçar os fios

Tricotar: o poder terapêutico de entrelaçar os fios

janeiro 12, 2017 em Psicologia 5167 Compartilhados
Tricotar: o poder terapêutico de entrelaçar os fios

Tricotar é uma atividade antiga que permanece intacta até os dias de hoje. Embora durante a maior parte da história da humanidade ela tenha sido considerada como um trabalho para mulheres, hoje em dia são cada vez mais os homens que também se dedicam a este ofício. Por isso não é raro encontrar crianças, jovens, adultos e idosos, de dois gêneros, aprendendo esta arte.

Diversos estudos demonstraram que este trabalho manual tem efeitos terapêuticos para quem o pratica. Tricotar desenvolve as habilidades motoras, estimula a concentração e gera um ambiente propício para o relaxamento e a meditação. Além disso, essa é a base para construir outro tipo de tecido: o tecido social, já que serve de elemento vinculante entre pessoas que realizam uma mesma atividade em grupo.

A relação que surge entre os tecelões é tão forte que em muitos países chama-se de “lã-terapia”. Estes grupos de pessoas se reúnem para tricotar e criar, aprender sobre técnicas, materiais, tipos de tecidos e padrões. Mas também para desestressar, tecer histórias, compartilhar experiências e sorrir para a vida.

O ato de tricotar melhora o nosso estado de espírito

Tricotar é uma atividade que podemos executar em qualquer lugar. Se a realizamos sozinhos, simultaneamente ingressamos em um estado de introspeção, refletimos, meditamos sobre os nossos pensamentos mais profundos e os desfrutamos. Se realizamos esta atividade em grupo, nos relacionamos, fazemos novas amizades e fomentamos a sociabilidade. Em qualquer um dos casos, nosso cérebro libera endorfinas, as quais nos relaxam e geram uma sensação de bem-estar.

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Estudos na área da neurociência concluem que a ação de tricotar melhora significativamente a coordenação cerebral e a concentração. Eles acrescentam que ambas aumentam na medida em que o grau de complexidade do tecido aumenta. Além disso, esta atividade contribui de forma reveladora para as pessoas com problemas de mobilidade ou deficiência.

O exercício de tricotar melhora a nossa mobilidade. Ele é útil para pessoas que sofrem com algum tipo de deficiência como resultado de uma lesão, uma cirurgia ou como consequência de uma doença como artrose, artrite ou síndrome do túnel do carpo.

Nestes casos, se a dor não for eliminada por completo por causa da atividade, esta diminui de forma considerável. Por outro lado, o tricô desenvolve mobilidades motoras finas nas crianças, o que resulta no aumento das habilidades manuais e uma melhora notável na sua escrita.

Tricotar relaxa e reduz o estresse. Em uma época tão conturbada como a presente, onde ninguém nunca tem tempo para o que é realmente importante, realizar esta atividade tem sido como um processo de reengenharia com benefícios para a saúde mental.

Quando tricotamos, os níveis de ansiedade ou de angústia diminuem significativamente, sem ter que recorrer a medicamentos que reduzem esses níveis e que, com o passar do tempo, causam danos sérios ao nosso organismo.
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Tricotar estimula a criatividade

Qualquer atividade de caráter manual contribui de forma positiva na área psicológica. São práticas que estimulam tanto a criatividade quanto a imaginação. No caso do tecido, significa ingressar em um universo de sensações: a textura, a cor, o cheiro, a suavidade e o calor da lã exercem uma influência positiva na nossa mente. Por esta razão, durante o exercício desta atividade, é possível superar perdas e resolver problemas.

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Tricotar não é um simples passatempo, envolve definir metas e alcançar objetivos. Cada conquista alcançada, por mais insignificante que pareça, é gratificante. O que vem depois só pode nos gerar prazer, como quando presenteamos um membro da família ou alguém próximo com o que preparamos para ele/a com carinho.

No que vamos presentear está o nosso tempo investido, nossa arte, nossa criatividade e nossos sentimentos tecidos em cada centímetro da urdidura.
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Em um estudo realizado recentemente, foi descoberto que atualmente há mais de trinta e cinco milhões de pessoas com demência no mundo. Estima-se que para o ano de 2050, este número triplique. Os cientistas de diversas áreas recomendam realizar atividades manuais como o tricô para combater o aparecimento dessa doença debilitante.

Existe algo no tricô que nos leva a pensar que é possível fazer o que precisamos fazer, inclusive, quando se trata de algo difícil, a noção do tempo desaparece. Nos esquecemos de nós mesmos e sentimos que fazemos parte de algo muito maior. É nesta fluidez da mente que descansa em grande medida o segredo da felicidade.

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Imagens cortesia de Sanna’s Knit.

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