Um tempo sozinho: uma necessidade fundamental

· maio 25, 2019
Passar um tempo sozinho é essencial para você se reequilibrar, especialmente naquelas fases em que se sente sobrecarregado. Há evidências de que isso causa mudanças importantes no cérebro, nos pensamentos e nas emoções.

Embora passar um tempo sozinho seja uma necessidade fundamental, durante o século XX e até agora no século XXI, testemunhamos um aumento do valor dado às relações sociais. Ainda que elas contribuam para o nosso bem-estar, a percepção da sua falta é, em muitos casos, uma fonte de medo e angústia.

Existem várias práticas de meditação que incluem passar um tempo sozinhos. Em algumas delas, uma das tarefas é passar alguns dias completamente em solidão e silêncio absoluto, quase sem contato com o mundo exterior. Você se sente capaz de fazer isso?

Talvez isso seja difícil para a maioria das pessoas: não estamos acostumados a um nível tão baixo de estimulação. Isolar-se e não experimentar qualquer contato por um tempo é uma prova de fogo. Para isso, você precisará de treinamento. No entanto, se este é um exercício periódico entre aqueles que meditam, é precisamente porque traz enormes benefícios. Além disso, a solidão bem administrada nos fortalece.

“Todas as coisas grandes e preciosas são solitárias”.
– John Steinbeck –

Mulher apreciando a solidão

A companhia às vezes oprime

As relações sociais exigem muito de nós, especialmente quando são muito amplas e estreitas. Além disso, é claro, elas geram muitas satisfações. No entanto, sem você perceber, também é algo no qual você investe muito do seu tempo e da sua energia.

Nós acabamos vivendo em função dos outros. O trabalho, o companheiro, a família, os amigos… Existem muitas áreas sociais nas quais nos movemos, e cada uma delas tem as suas demandas e suas tensões. Muitas vezes chegamos a um ponto em que não conseguimos distinguir bem onde terminam os nossos anseios e onde o coletivo começa, ou vice-versa.

Passar um tempo sozinho é uma maneira de redirecionar a nossa atenção e a nossa energia para nós mesmos. Uma oportunidade para ser “egoísta” sem se sentir culpado por isso. Esses espaços nos ajudam a nos redescobrirmos: perceber como realmente somos sem a influência desse contexto habitual.

Um tempo sozinho sensibiliza

De certo modo, a solidão também impõe o silêncio. Há uma mudança de atenção de fora para dentro. Quando você para de usar a parte do cérebro responsável pela fala, outras áreas desse órgão começam a agir com maior intensidade.

Em particular, há evidências de que a atenção e a concentração são aguçadas. Na solidão, o pensamento e a sagacidade se desenvolvem. A princípio, os pensamentos podem estar dispersos, mas é normal que eles adquiram posteriormente uma forma mais definida.

Se você passar um tempo sozinho por vários dias, pouco a pouco estará se sensibilizando. Isso significa que você começará a perceber ideias e sentimentos dos quais não tinha consciência. Esta é uma forma de ‘despertar’, de se conectar com o diálogo que você mantém consigo mesmo.

Passar um tempo sozinho: efeitos no cérebro

Há estudos nos quais se destaca que a solidão e o silêncio beneficiam as dobras do córtex cerebral. Aparentemente, isso faz com que a massa cinzenta do cérebro fique mais espessa. O resultado disso é que você se torna mais proficiente no processamento de informações.

Isso tem um impacto favorável nos seus processos cognitivos. Quando você retorna à sua vida normal, percebe que aprende e memoriza mais facilmente. Você tira o máximo proveito de qualquer atividade intelectual, tornando-se mais produtivo.

Além disso, é muito provável que nesses momentos de solidão apareçam o que chamam de “momentos Eureka”, isto é, inspirações súbitas. Em outras palavras, essas condições facilitam o surgimento da criatividade.

A importância de passar um tempo sozinho

A considerar…

O ideal é poder contar com pelo menos 10 minutos por dia para ter um tempo sozinho. Isso não significa ficar sozinho e trancado sem mais nem menos, mas ter um tempo e espaço disponíveis para estarmos conosco. Se não for possível todos os dias, pelo menos três vezes por semana.

Agora, nas fases em que nos sentimos muito “sobrecarregados” ou oprimidos, talvez seja necessário fazer um exercício mais intenso. O aconselhável é fazer uma viagem sozinho. Você não precisa ir para o outro lado do mundo, mas tem que ser um espaço que realmente permita ‘um corte’ com a sua rotina.

Prepare-se para sentir algum desconforto, especialmente se você não tiver feito isso antes. Toda mudança implica uma certa resistência. No entanto, se você seguir ‘o seu momento de inércia’, sem outro propósito além de estar com você mesmo, perceberá que é uma experiência que vale a pena.

  • Aguirre, R. (2005). El tiempo, los tiempos, una vara de desigualdad (Vol. 65). United Nations Publications.