Uso do cartão de crédito e saúde mental

O cartão de crédito tem um rosto amigável e aparentemente inofensivo. Ele concretiza desejos ou caprichos de forma fácil e rápida. Assim, a utilização excessiva de cartões de crédito torna-se comum e isto pode ter conseqüências para a saúde física e mental.
Uso do cartão de crédito e saúde mental

Escrito por Edith Sánchez

Última atualização: 12 janeiro, 2023

O cartão de crédito facilita a possibilidade de fazer compras com o dinheiro que não temos. Esse é precisamente o perigo desses protagonistas da sociedade atual. Poderíamos escrever vários livros sobre isso, mas aqui vamos focar nos efeitos que tudo isso tem na saúde mental.

No mundo contemporâneo, o dinheiro físico vem perdendo cada vez mais destaque. O cartão de crédito é uma forma muito funcional e prática de evitar ter que carregar dinheiro. Facilita os pagamentos e os torna mais seguros. É inegável que facilita as transações e que representa um grande avanço no mundo financeiro.

O problema não está no cartão de crédito, mas em quem o utiliza. Ficar endividado com o uso desses cartões é muito simples, principalmente para quem faz compras impulsivas. O problema é visto a médio e longo prazo: pagar é menos fácil do que comprar e, muitas vezes, isso leva a um dos males modernos: o estresse financeiro.

“Gaste menos do que você ganha. Se você estiver em um barco no qual entra água o tempo todo, a energia que você gasta trocando o barco provavelmente será mais produtiva do que a energia que você gasta tapando os buracos”.

-Warren Buffett.

 

Mulher com um cartão na mão

O uso do cartão de crédito

Não precisar utilizar dinheiro físico tem muitas vantagens, mas também leva a alguns problemas. O  primeiro deles é que nos faz perder de vista o quanto realmente estamos gastando. Se você usar dinheiro físico, poderá ver instantaneamente como o valor diminui após uma compra. Em vez disso, o dinheiro digital parece ser infinito.

O cartão de crédito também induz uma crença falsa. Quem usa parte da ideia de que “tem x quantia de dinheiro” naquele cartão. Eles confundem possuir essa quantia com entrar em dívida por essa quantia. É fácil ignorar o fato de que, a cada compra de crédito, uma nova dívida é adquirida.

Superendividamento

O principal perigo de usar o cartão de crédito é fazê-lo sem consciência e, da mesma forma, cair no superendividamento. Isso ocorre quando o que se deve é muito maior do que se pode pagar, em um determinado período, geralmente um mês. Nesse ponto, não apenas se cai em um problema financeiro, mas também ocorre uma afetação psicológica.

Tanto que o psicólogo Enric Soler, da Universitat Oberta de Catalunya, apontou que existe uma “fórmula matemática para a ansiedade”. Seria o seguinte:

Ansiedade = Percepção da ameaça / Percepção dos recursos para lidar com ela

Soler indica que quanto maior a ameaça percebida e menores os recursos percebidos para lidar com ela, maior a ansiedade. Assim, se a ameaça for não ter dinheiro suficiente para comer (muito alta) e eu perder meu emprego (não tenho recursos), minha ansiedade será muito alta. Isso é o que acontece quando uma pessoa está superendividada. Não é incomum que a origem tenha sido o uso indevido de um cartão de crédito.

Mulher pagando com cartão

Fazer o correto

Dizem que o homem é deus quando sonha e escravo quando conta, mas essa é a realidade. Os recursos materiais são finitos, gostemos ou não. A maioria de nós tem limites nas despesas que podemos fazer e ultrapassá-los só nos trará problemas.

Com cartão de crédito, e principalmente com esse produto financeiro, é preciso ter muito cuidado. Em geral, deve ser usado apenas como meio de pagamento e não como fonte de dívida. Uma pessoa com tendência a fazer compras por impulso nunca deve ter um serviço de crédito instantâneo à mão.

Ficar endividado com cartão de crédito é muito fácil. No entanto, a longo prazo, causa ansiedade, e a ansiedade corrói a saúde e os relacionamentos com os outros. Tudo junto se torna um fator de risco para adoecer ou desenvolver algum problema crônico. É muito importante ter educação financeira e igualmente importante rever os comportamentos de compra e empréstimo. Esta pode ser a chave para um maior bem-estar.


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  • Durán, C. C. (2019). Reflexiones en torno a una economía sin dinero físico. Revista de Economía y Finanzas42(120).
  • Vallejo-Trujillo, L. S., García, A. W. V., & Rangel, M. G. M. (2016). Bienestar financiero, una reflexión desde la ficción neoliberal en un contexto local. In Vestigium Ire, 10(2), 32-47.

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