Uma viagem de maturidade por meio das nossas lembranças

março 30, 2019
Nas consultas de psicologia, há exercícios que podem nos ajudar a amadurecer nossas emoções. Hoje descobriremos um deles.

Quando falamos de imaturidade emocional, nos referimos a uma falta de desenvolvimento no campo emocional. Pensemos na viagem de maturidade como um processo que requer um desenvolvimento; o estímulo que a própria relação com as emoções proporciona e o aprendizado ao superar as dificuldades impostas por elas.

Além disso, outra forma de estimular esta maturidade emocional está na nossa memória e no seu conteúdo mais sincero: nossas lembranças. Hoje falaremos sobre esta possibilidade. Como bem indica Enrique Rojas em seu artigo ‘A Personalidade Imatura’, as características que delatariam este tipo de carência são a instabilidade emocional, o desconhecimento de si mesmo e a falta de responsabilidade, entre outros pontos.

Na atualidade, diante da enorme quantidade de material de que dispomos sobre este tema, podemos nos sentir um pouco intimidados. Podemos pensar: “Quero melhorar a forma como gerencio minhas emoções, mas, por onde devo começar? Quem pode me ajudar?” Por isso, hoje traremos uma boa maneira de iniciar este processo: simples e válida para todos que tenham interesse.

Uma viagem de maturidade

Para fazer esta viagem de maturidade recomendamos entrar em um estado de meditação. É isso que alguns terapeutas propõem em suas consultas. Para fazer isso, você pode ficar sentado ou deitado. Feche os olhos e concentre-se na sua respiração.

Em seguida, visualize-se caminhando por uma trilha. Pode haver muitas flores, folhas, ou ser um caminho árido. O importante é estar atento a tudo que você vê, notar o ar e o sol aquecendo seu corpo lá no alto.

Agora, no final do caminho, visualize uma pequena cabana com uma porta. Entre nela e você descobrirá escadas que descem. Dirija-se até elas e comece a descer. A partir deste momento, encontraremos três andares.

Mulher caminhando pelo trajeto da maturidade

A sala das lembranças ruins

No primeiro andar haverá uma porta e, ao lado dela, uma pessoa idosa. Ela vai olhar para você sorrindo e lhe dará uma instrução: escolher uma das lembranças que encontrará. Todas são experiências que marcaram a sua vida de forma negativa.

As opções são muitas; a maioria delas já estará nos acompanhando há algum tempo, mas sem que tenham sido processadas adequadamente. Elas nos acompanham, mas não paramos para analisá-las como deveríamos.

Observe atentamente as estantes da sala e, quando tiver escolhido a lembrança, saia pela porta.

Algumas lembranças negativas são experiências que nos deixaram uma marca e são o motivo pelo qual, no momento presente, temos diversos problemas ou limitações.

A sala das lembranças positivas

Uma vez que tenha saído, dê deus ao amável porteiro e continue descendo as escadas. Assim, você chegará ao segundo andar, onde encontrará outro porteiro e outra porta. Neste caso, o que há por trás dela são lembranças positivas.

Passe pela porta, observe todas as lembranças que há na sala e escolha aquela que tenha o maior significado para você. Uma vez feito isso, saia, despeça-se e continue descendo as escadas.

Nosso refúgio, a última estação da viagem de maturidade

Nesta viagem de maturidade, chegaremos ao último andar. Nele, você encontrará uma porta. Ao abri-la, encontraremos um lugar idílico, diferente para cada pessoa. Natureza? Neve? Animais? É um lugar no qual você se sentirá confortável e que lhe transmitirá muita paz.

No centro, haverá um caminho no qual você deve se deitar de barriga para cima. Neste momento, retire da mochila as lembranças que escolheu. Observe-as atentamente até se dar conta de que ambas, boas e ruins, são parte de você, da sua história.

Uma vez que tenha estado neste espaço de paz, dê uma última olhada e volte por onde veio. No caminho, deixe cada lembrança na sala com a emoção correspondente que ela causou em você. Saia novamente para o exterior, faça o caminho de volta ao contrário e abra os olhos quando chegar ao início.

Se você escolheu uma pedra como lembrança negativa, ela pode lhe permitir refletir sobre a raiva que esteve guardando e que é necessário deixar ir. Ela ficará na sala adequada.

Porta rumo à maturidade

Aceitar nossa história

O que esta viagem de maturidade através das lembranças pretende é permitir que aceitemos o que aconteceu conosco, integrando e gerenciando nossas emoções. Não importa se você tem trinta ou quarenta anos. Pode ser que suas emoções continuem sendo as daquela criança doída de oito anos que tanto sofreu no seu momento.

Por este motivo, é positivo fazermos esta viagem de maturidade quando precisarmos. Se você já adotou a meditação como hábito, fazer este exercício será muito mais fácil. Caso contrário, pode ser que você tenha alguma dificuldade para relaxar e se deixar levar.

O importante é que, se você precisar de ajuda, não tenha medo de pedir. Os psicólogos estão à nossa disposição para nos ajudar com atividades como esta e muitas outras, para que possamos crescer e resolver aquilo que ainda nos machuca. Agora somos pessoas adultas, responsáveis pelas emoções que devemos amadurecer em nós.