O que é a vinculação emocional consciente (VEC)?

As emoções determinam como nos comportamos e quão bem-sucedidos somos em cada contexto. E se pudéssemos escolhê-las deliberadamente? Esta é a linha que a vinculação emocional consciente segue.
O que é a vinculação emocional consciente (VEC)?

Última atualização: 22 Outubro, 2021

A inteligência emocional veio para ficar, pois estamos cada vez mais conscientes da influência que as nossas emoções têm. Além disso, embora conheçamos personagens que viveram séculos atrás e já se interessavam pelo mundo emocional, estamos falando de um campo que praticamente acabou de nascer em termos de pesquisas sistemáticas e rigorosas. Nesse sentido, um dos últimos métodos propostos foi o da vinculação emocional consciente (VEC).

Até agora, os esforços têm se concentrado em ajudar as pessoas a identificar seus estados emocionais, nomeá-los e gerenciá-los quando aparecem. Mas e se pudéssemos escolher a emoção mais adequada para cada momento? E se pudéssemos criar um clima emocional para nós e para as pessoas ao nosso redor? Essa é a proposta do modelo que compartilhamos hoje.

O que é a vinculação emocional consciente?

A vinculação emocional consciente é um tipo de inteligência emocional que nos permite conectar deliberadamente com nossos estados internos; ou seja, permite que nos relacionemos com nossas emoções de maneira inteligente.

Para isso, parte de um processo de autoconhecimento e envolve noções de autogestão e liderança emocional. Em muitos casos, o objetivo é influenciar um grupo a cargo da pessoa.

Este modelo foi desenvolvido pelo psicólogo clínico Roberto Aguado e é baseado nas descobertas da neurociência. Após décadas de pesquisa, a vinculação emocional consciente se posicionou como uma das ferramentas mais úteis para alcançar o sucesso e o bem-estar pessoal e social.

Mulher com os olhos fechados

Emoções adequadas e inadequadas

Via de regra, distinguimos entre emoções de valência positiva (aquelas que nos fazem sentir bem) e negativas (aquelas que consideramos desagradáveis). No entanto, a VEC faz uma categorização diferente: neste caso, elas são divididas entre emoções adequadas e inadequadas.

Emoções adequadas são aquelas que são apropriadas ou funcionais para lidar com o contexto em que nos encontramos. Por exemplo, ter medo de um incêndio é adaptativo, pois nos convida a fugir do perigo e pedir ajuda.

Por outro lado, emoções inadequadas são aquelas que não nos servem nessas circunstâncias, que nos limitam ou nos causam problemas. O mesmo medo, se surgir em uma situação inofensiva (por exemplo, ao interagir com outras pessoas), é disfuncional (pode aumentar nosso nível de excitação para nos fazer parecer desajeitados).

O ser humano nasce com um repertório de emoções básicas que estamos naturalmente preparados para sentir (nojo, medo, tristeza, surpresa e alegria). No entanto, à medida que crescemos, aprendemos a associar essas emoções a certas situações; se esse aprendizado não for adequado (por exemplo, se associarmos o medo ao contato social) sofreremos as consequências.

A partir da vinculação emocional consciente, somos encorajados a desaprender e reaprender essas associações, fazendo isso de uma forma mais eficaz. Sentir tristeza quando é necessário, medo quando é necessário ou alegria quando é a hora. Para isso, assim como acontecia quando éramos crianças, é bom ter a referência certa.

A vinculação emocional consciente no campo educacional

A área educacional é uma das principais em que a VEC tem sido aplicada, obtendo bons resultados para professores e alunos. Nesse caso, o objetivo é criar um clima emocional apropriado para o aprendizado. Para tanto, é feita uma distinção entre dois grupos de emoções que facilitam ou dificultam o processo ensino-aprendizagem.

Emoções TRAM

Essas siglas se referem a:

  • Tristeza (se o professor ou aluno se sentir triste, angustiado ou desmotivado).
  • Raiva (aparece quando você sente raiva da obrigação de ter que estar na aula e cursar uma matéria).
  • Asco (quando a matéria ou a forma como ela é ensinada causa repulsa).
  • Medo (o aluno se sente incapaz de aprender ou acompanhar as aulas).

Se o professor ou o aluno abordar a aula com essas emoções, será muito difícil que o conhecimento seja integrado e o aprendizado seja significativo.

Emoções HOME

Elas se referem a Curiosidade, Admiração, Segurança e Alegria. Nesse estado, tanto o professor quanto o aluno se sentem motivados; o aluno é percebido como capaz de aprender e experimenta interesse pela matéria e pelo estilo de ensino. Dessa forma, o conhecimento é adquirido de forma muito mais simples e natural.

São precisamente as emoções que explicam, em grande parte, o fracasso escolar. É por isso que, por exemplo, entre alunos superdotados, os resultados não são tão positivos quanto se poderia esperar. A desmotivação, falta de interesse e os estados emocionais negativos não são apropriados para o contexto de aprendizagem.

Professor com alunos em sala de aula

A escolha das nossas emoções

Em última análise, a vinculação emocional consciente nos permite selecionar deliberadamente nossas emoções para se adaptarem ao ambiente, em vez de sermos vítimas de um sequestro emocional que não escolhemos.

É bom sentir raiva quando você precisa se defender, mas não quando tenta se comunicar e chegar a acordos. É preciso ter medo do perigo, mas não na sala de aula.

Portanto, a VEC é uma boa ferramenta de aprendizagem. Ao nos vincularmos conscientemente às nossas emoções, podemos aproveitá-las ao máximo.

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  • Aguado, R. (2014). La emoción decide y la razón justifica. Padres Y Maestros / Journal of Parents and Teachers, (357), 15-19. Recuperado a partir de https://revistas.comillas.edu/index.php/padresymaestros/article/view/3292
  • Aguado, R. (2015) Vinculación Emocional Consciente (VEC). El poder de saber que puedes. Educar y orientar: La revista de COPOE Nº2 (24-30).