Vingança: olho por olho e o mundo acabará cego

Vingança: olho por olho e o mundo acabará cego

28, abril 2017 em Psicologia 365 Compartilhados
Vingança: olho por olho e o mundo acabará cego

Gandhi dizia que “olho por olho e o mundo acabará cego”. Com a não violência como máxima, apelava a esta frase em busca de ouvidos dispostos a escutá-lo e compreender a sua mensagem. O seu aviso sobre a vingança é simples de entender, mas difícil de aplicar.

As pessoas sentem o desejo de se vingar quando foram feridas profundamente. Quando alguém que amamos e apreciamos nos machuca, pode deixar uma cicatriz emocional que arde com calor intenso, pedindo para ser apagada causando outra ferida no coração do agressor.

Diante de uma ferida emocional profunda podemos ter a necessidade de causar na outra pessoa um mal parecido ou maior ao que fez para nós a princípio.
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Satisfação imediata, consequências permanentes

A vingança é uma tentativa falida de equilibrar a balança pois, por mais ajustes que se façam, ela sempre ficará desequilibrada. A pessoa ferida se sentirá em inferioridade e por baixo de quem causou o mal, por isso tentará ferir o outro para recuperar novamente a sua posição inicial de equilíbrio ou alcançar a superioridade.

A primeira emoção que costuma aparecer quando nos vingamos é a satisfação e o sentimento de que tudo recuperou o seu equilíbrio. Contudo, esta sensação se esvai rapidamente para dar lugar a sentimentos de culpa e remorso. Também pode aparecer a sensação de vazio, como quando acabamos um grande projeto, se o tempo e os recursos que dedicamos para planejar e executar tal vingança foram muitos.

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Nos casos em que após a vingança não existe arrependimento, a balança também não consegue ficar totalmente equilibrada. As consequências da vingança perduram e seus efeitos podem ser vistos refletidos futuramente, quando o desejo de fazer o mal tiver desaparecido e aparecer a tristeza pelo mal causado.

É impossível prever o futuro e saber de quem precisaremos ao nosso lado. Talvez essa pessoa a quem hoje você quer ferir amanhã volte a ser importante na sua vida. Lembre-se de que os sentimentos de vingança desaparecem, mas a ferida que você causar motivado por esse sentimento pode ser profunda ou permanente.

A vingança de nunca jamais

Quando uma pessoa abre a primeira página do livro da vingança e a outra continua o seu relato, é difícil que a história não continue crescendo até alcançar o ponto culminante do livro. A intensidade das ações de um e outro personagem costumam aumentar conforme avançam os capítulos da história.

Quando surge um problema entre duas ou mais pessoas existem várias alternativas: fugir, atacar ou solucioná-lo. No caso da vingança, a alternativa escolhida é a de atacar. Se as duas pessoas decidem usar a mesma estratégia, haverá uma escalada de conflito que irá aumentando até que uma das partes decida que esta luta não vale a pena.

No mundo falta compaixão e sobra honra

Na cultura da honra, onde o importante não é o mal causado mas sim a honra reparada, se incendeiam relacionamentos queimando as pessoas. Alimentar a vingança com ataques apenas fará avivar a chama do ódio. Acabar com o incêndio é apenas o primeiro passo que irá permitir que das cinzas surja alguma coisa nova.

Não existe justiça na vingança, nem reparação no ataque.

Responder a dor com mais dor não mudará a situação, nem fará você se sentir melhor. Na maioria das vezes ser valente não significa responder mais alto que o outro, mas sim colocar-se no lugar daquele que o feriu e decidir que você não quer que ninguém reviva essa dor.

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