Viver sem vontade, quando a apatia se apodera de nós

janeiro 4, 2020
A tristeza, a apatia e a falta de vontade são sintomas de que alguma coisa não vai bem. No entanto, muitas pessoas carregam esse sentimento consigo, sem intervir, sem se comunicar e sem pedir ajuda. Por que elas escondem a forma como se sentem? O que podemos fazer quando somos nós que estamos nessa situação?

Viver sem vontade é o reflexo global da apatia e da desmotivação em relação ao que esperamos do presente e do futuro. Acordar todos os dias nesse estado pode se tornar um suplício. Uma montanha a escalar que se torna realmente íngreme por causa da inércia que governa nosso estado mental.

Não devemos nos esquecer de que, para as pessoas que vivem sem vontade, levantar da cama todos os dias implica dedicar tempo a determinadas tarefas com a sensação de não ter forças para realizá-las.

De certo modo, elas precisam fazer um esforço extra, requerido pelo fardo que carregam, para alcançar objetivos pouco custosos (tomar café da manhã, trocar de roupa, tomar banho…). A apatia é tão elevada que, para elas, é extremamente difícil tomar a iniciativa.

“O contrário do amor não é ódio, e sim a apatia”.
-Leo Buscaglia-

Mulher desanimada em sua cama

Viver sem vontade em silêncio

Por vezes, a apatia passa despercebida porque a pessoa supre a carência de motivação com esforço. Assim, quem convive com uma pessoa que vive em uma espiral de falta de vontade pode não perceber a dor que ela pode estar sentindo.

Vamos pensar: como conseguir perceber que aquela pessoa está sentindo uma constante apatia se ela se comporta como sempre? Esse é um ponto relevante.

Muitas vezes, não damos a importância devida ao estado emocional do outro pela ausência de sintomas externos relevantes. A pessoa continua desempenhando seu trabalho, suas obrigações familiares, comparecendo às reuniões sociais…, inclusive, em seu rosto podemos encontrar sorrisos.

No entanto, internamente não existe esperança.

“A tristeza também é um tipo de defesa”.
-Ivo Andric-

Diante da apatia, evite os clichês

Quando alguém que está nesse estado nos conta como se sente, tendemos a responder com as típicas frases: “isso não é nada”, “você vai ver como vai passar”, “isso acontece com todo mundo”, “fique feliz”, “não dê tanta importância a isso”.

Precisamos destacar que, embora a intenção seja ajudar, para uma pessoa que vive sem vontade, as típicas frases motivadoras podem não ser reconfortantes. Pelo contrário, a sensação de não ser entendida pode fazer com que ela corte os canais de comunicação e se feche.

Então, o que podemos fazer se uma pessoa nos contar que se sente apática? Bem, essa pessoa pode estar precisando do seu apoio e da sua escuta ativa: sentir que você a entende, que compreende o que ela está passando, e que você vai estar ao lado dela.

É provável que seja reconfortante para ela poder expressar o que significa viver sem vontade, e explicar como é ter que fazer um esforço constante para realizar cada tarefa.

“O desânimo é a pedra em que inevitavelmente você tem que pisar para atravessar o rio. Pode ser que você caia, mas sempre poderá se levantar ou nadar para terminar de atravessá-lo”.
-Anônimo-

Homem abraçando mulher sem motivação

Além da apatia

Viver sem vontade, com apatia, pode ter um componente fisiológico, assim como afirmado por um grupo de pesquisa. A desmotivação e a apatia estão associadas a circuitos cerebrais muito específicos que, em certos momentos, podem evidenciar determinadas anomalias em seu funcionamento.

Vamos pensar que, por trás da falta de vontade, é possível que existam condicionantes que vão além das circunstâncias externas.

A apatia poderia esconder certas patologias e problemas psicológicos subjacentes, tais como a depressão maior ou a distimia. Por isso, um dos primeiros passos para superar esse estado é descartar problemas médicos (fatores causais hormonais ou orgânicos) e/ou psicológicos.

Deixando de lado a origem da apatia, é importante procurar apoio. Podemos fazer isso tanto no nosso entorno mais próximo quanto no campo de profissionais especializados, pois o sofrimento às vezes fica maior do que nós mesmos, de forma que precisamos de ajuda externa para superá-lo.

“Se você não aprendeu com a tristeza, não conseguirá apreciar a felicidade”.
-Nana Mouskouri-

  • Marin, R. S. (1991). Apatía: un síndrome neuropsiquiátrico. J Neuropsychiatry Clin Neurosci 3, 243- 254.
  • Toates, F. (1986). Sistemas motivacionales. Cambridge. Cambridge Univ. Press.