Quando se despedir é aprender a renunciar

Quando se despedir é aprender a renunciar

Março 15, 2016 em Emoções 924 Compartilhados
Despedir-se de pessoas e momentos

Acabou. A vida real não é esse filme de romance feliz que todo mundo fala, nem esse livro em que os relacionamentos são para sempre: amor eterno, amizade inseparável, família unida até o final… Na vida real, o amor, em todas as suas vertentes, nem sempre é suficiente, e ter que se despedir é bastante comum.

O difícil em se despedir é quando já não há espaços para um possível retorno, mas apenas lacunas vazias entre duas ou mais pessoas. Inclusive, às vezes a despedida chega como lei de vida. Em outras palavras, o complicado de uma despedida não é a ação de dizer ‘adeus’, é aprender que esse adeus significa abrir mão e continuar.

Cortando relações

Ouvimos muitas vezes que a vida é como uma montanha russa, onde uma vez que subimos nela, temos que nos adaptar aos altos e baixos que isso implica; mas, ao contrário disso, queremos mostrar que uma vida feliz é aquela em que as coisas duram para sempre.

Nesta contrariedade reside o dano. Nos sentimos desprotegidos quando descobrimos que a nossa verdade se modifica continuamente, que a felicidade não é constante e que mais cedo ou mais tarde, todos seremos obrigados a perder para poder continuar ganhando.
“Muitas vezes a vida está relacionada a soltar o que alguma vez nos salvou, abrir mão das coisas às quais nos apegamos fortemente, acreditando que tê-las é o que vai continuar nos salvando da queda.”
-Jorge Bucay-

As pessoas que chegam também podem ir embora, assim como quando chegamos nós também podemos ir embora. E quando elas vão ou nós vamos embora, o que resta é o que a pessoa nos ensinou e o que ensinamos a ela, bom ou mau: é preciso abrir mão do que deixou de ser, aceitar e aprender a continuar vivendo com a parte que nos deixaram e que nos faz ser o que somos.

Tudo o que envolve dizer adeus

Despedir-se é um dos momentos mais duros pelos quais teremos que passar, dado que envolve muitas outras coisas que alimentam o nosso ego. Despedir-se envolve liberar algo que não queremos liberar e que queremos que continue estando ali.

Dizer adeus significa querer dizer algo que não conseguimos e que não dissemos antes, fazer o que não podíamos fazer com os outros, abraçar o que não abraçamos; e, definitivamente, despedir-se é viver tudo o que não chegamos a viver e que sempre sentiremos falta.

“Fazer a luz ainda que custe

a noite, ainda que seja

a morte o céu

que se abre e

o oceano nada mais

do que um abismo criado

às cegas.”

-Blanca Varela-

Perante isso nos resta a força, o sacrifício e a coragem que todos nós possuímos, mesmo não acreditando. Todos somos capazes de olhar para o futuro, por mais escuro que seja, e ter a coragem de enfrentar a luta, mas somente assim a vida saberá que estamos preparados para sermos felizes de novo.

Aprender a se despedir é crescer

Às vezes, nem sequer temos tempo de nos despedirmos: pela lei da vida, alguém que amamos muito tem que seguir em frente, ainda que continue estando conosco. Outras vezes, estamos nos despedindo antes de ter consciência disso: ninguém é mais vulnerável para acreditar em algo falso do que quem deseja que a mentira seja verdade, diria Jorge Bucay novamente.

A prova da despedida, como dissemos no início, é ver a nós mesmos sendo felizes depois de dizer ‘adeus’. Quando isso acontecer, teremos passado por um lento processo de cura interior, procurando o que nós fomos, o que queremos e o que podemos ser para nós mesmos.

Menina sorrindo com uma escada colhendo uma estrela

A ação de se despedir realmente chega quando olhamos para o passado e nos vemos maiores: nós crescemos porque tudo o que nós vivemos foi bom até o adeus, crescemos porque nos machucaram e conseguimos nos reconstruir, crescemos porque nos demos conta de que a vida só tem sentido quando ainda temos vontade de vivê-la.

“Não é verdade que temos que arcar com cada coisa que queremos e valorizamos; não é verdade que devemos seguir adiante com tudo de antes, com tudo o que já deixou de ser.”
-Jorge Bucay-
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