Você sabe diferenciar um problema de um conflito?

Você sabe diferenciar um problema de um conflito?

26, junho 2015 em Psicologia 0 Compartilhados
problema

Na maioria das vezes em que enfrentamos problemas interpessoais, a falta de sucesso na resolução é tão somente uma questão de “definição”. Quando enfrentamos uma situação difícil, as nossas emoções negativas disparam e, às vezes, escurecem tudo aquilo que realmente era importante, levando-nos à total paralisação diante da dificuldade. De repente, sentimo-nos atrapalhados, afogados, não encontramos soluções, mas… estamos diante do que?

Você sabe o que é um conflito?

São dois pontos de vista (no mínimo) diferentes em uma mesma situação. Não é mais do que isso. Portanto, quantos conflitos atravessamos ao longo de um dia? Os conflitos nos rodeiam, vivem conosco, são parte do ser humano e, além disso, são uma potente fonte de aprendizado, se estiverem bem enfocados. Como diria Freud: “Se dois indivíduos estão sempre de acordo em tudo, posso garantir que um dos dois pensa por ambos.”

Temos que aceitar e saber gerenciar. Mas qual é a solução de um conflito? O óbvio, às vezes, é o mais importante: a resolução de um conflito é tão simples e tão complexa quanto “chegar a um acordo”. Às vezes, nos enroscamos em discussões eternas que não levam a nenhuma conclusão, só para ter “a razão”, quando, na maioria dos casos, “a razão” é totalmente secundária. Quase todos os conflitos que enfrentamos podem ser resolvidos por meio de um acordo.

Os acordos implicam ação das duas partes: os dois devem renunciar a alguns conceitos, alguma prioridade, para conseguir o bem comum… toda resolução gera consequências, mas essas consequências não invalidam o acordo, ou seja, enfrento, negocio, perco uma parte e ganho outra. A parte que perco é só uma consequência, portanto não tem o poder de fazer o acordo cambalear.

No entanto, o que acontece se o conflito é interno? Parece mais complexo, mas essencialmente é a mesma estrutura: tenho dois pontos de vista diferentes diante de uma mesma situação. Então, o que eu pretendo? A resposta é a mesma: chegar a um acordo.

Para isso, tenho que considerar alternativas e adotar uma decisão, ainda que esta tenha consequências que impliquem perdas. As perdas são gerenciáveis, pois os ganhos são avaliados em conjunto e o saldo se torna positivo. Portanto, para que serve a autoflagelação ou a autocrítica? Para nada.

É questão de aceitar e validar as consequências. Da mesma forma que em conflitos externos, nos quais lidamos com ganhos e consequências que devemos aceitar, nos conflitos internos ocorre o mesmo: a consequência é inerente à resolução, portanto devemos aceitá-la e não nos castigar, contaminados pela emoção.

A resolução deve ser livre de emoções, de cabeça fria e avaliando as alternativas. Portanto, a crítica produzida pela aceitação das consequências não só é desnecessária, mas também pode ser evitada.

Mas, então, o que é um problema?

Entendemos por problema uma situação que se apresenta e, neste momento, não tem solução. O que podemos fazer?

Voltamos para o óbvio e não menos importante: buscamos a solução. Neste caso, o primeiro é estabelecer uma meta, onde quero chegar, qual é o meu objetivo, o que quero conseguir.

Uma vez estabelecida a meta, colocamos em prática as possíveis alternativas para chegar à solução do nosso problema; avaliamos, pesamos, e então agimos. Assim como nos conflitos, a emoção age de forma polarizante. A resolução, às vezes, será simples, e outras vezes não. Mas nem por isso a nossa meta deixa de ser válida; o caminho pode ser difícil, mas seremos constantes se soubermos onde queremos chegar.

Não obstante, assim como aparecem dois tipos de conflitos (internos e externos), encontramo-nos com dois tipos de problemas: os que possuem solução e os que não possuem solução. Já sabemos o que fazer com os primeiros, mas e os segundos? Podemos fazer alguma coisa? A resposta é sim e se chama aceitação.

Não podemos solucionar a perda de um ente querido e nem podemos recuperar algo que foi perdido… mas podemos aceitar a realidade e minimizar o seu impacto nas nossas emoções. Somente assim poderemos criar novas alternativas.

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