Voltar para casa dos pais significa dar um passo para trás?

Voltar para casa dos pais significa dar um passo para trás?

agosto 27, 2017 em Psicologia 552 Compartilhados
Voltar para casa dos pais significa dar um passo para trás?

Sair da casa dos pais é um grande momento. O sentimento de liberdade e de um maior grau de autonomia é uma das sensações mais emocionantes que existem. Quando abandonamos nosso ninho, um mundo de responsabilidades, situações e experiências inexploradas se abre para nós. Pouco a pouco começamos a tolerar a incerteza, aprendemos com os descuidos e organizamos e planejamos melhor as semanas, os meses e os trimestres.

Os projetos e as sensações que viveremos vão exigir mais ou menos força dependendo da idade, da personalidade e da fase da vida da pessoa. Se o momento da emancipação chega por nos mudarmos para estudar longe de casa, recém estreada a maioridade, certamente a independência e a sensação de “liberdade” terão mais importância. Se a experiência chega juntamente com o compromisso do trabalho e a responsabilidade do aluguel, vamos valorizar mais a organização e as responsabilidades no nosso dia a dia.

No entanto, uma vez passado esse momento, às vezes nossos planos não dão certo e nos vemos na situação de voltar à casa dos pais. O retorno é fácil? Como é se inserir em algo que tínhamos esquecido?

“Pode ser que você se surpreenda ao ouvir isso, mas o fracasso não existe. O fracasso é simplesmente a opinião que alguém tem sobre como certas coisas deveriam ser feitas”.
-Wayne Dyer-

Os que voltam à casa dos pais: o retorno ao (des)conhecido

Quando voltamos ao lugar que um dia também foi o nosso lar, a primeira coisa a ter em mente nesse momento é a importância da empatia, já que a vivência dessa situação pode se mostrar complicada.

filho

Uma vez estabelecidas as rotinas fora do teto familiar, nossa forma de entender o mundo e de nos relacionarmos sofre modificações. O ideal é não levar em consideração apenas as nossas necessidades, o nosso mal-estar, nossa culpa ou vergonha. Dedicar um momento para nos colocarmos no lugar dos nossos familiares é muito importante para encontrar o equilíbrio na convivência.

Quando abandonamos o ninho não são apenas as nossas rotinas, nossas prioridades e os nossos pensamentos que mudam. Os daqueles que ficaram no lar também mudaram. O importante é manter a temperança e a compreensão em um período de adaptação no qual devemos tentar entender nossos pais também. Fazê-los entender essa dinâmica pode evitar muitas situações de tensão acumulada. Portanto:

  • Transmitir confiança na comunicação e na troca de opiniões.
  • Entender que alteramos uma dinâmica que era considerada estável.
  • Negociar horários e normas equilibradas. A rigidez e a estrutura podem ser positivas, respeite-as.
  • Lembrar-se de que são seus pai ou familiares, não colegas de casa.
  • Diminuir os nossos níveis de irritabilidade (se os tiver), pensando que a família não é culpada por essa situação.
  • Não apenas se ver como “uma situação”, mas aprender que somos pensamentos, emoções e comportamentos.
  • Compartilhar momentos com a família.
  • Colocar em prática técnicas de solução de problemas para resolver o conflito fora da família. Isso vai fazer com que eu me empodere no processo de reconstrução.

 “Quem, ao fazer um caminho antigo, aprende o novo, pode se considerar um mestre.”
-Confúcio-

Os que recebem: minha casa, minhas regras?

Quando um filho que já se emancipou volta para casa, quem volta na verdade é alguém que se acostumou a novas rotinas e a uma forma de se relacionar bem diferente da que tinha antes de ir embora. Há mudanças elementares (como as financeiras), mas também é preciso se adaptar psicologicamente.

filho

Apesar de ser um processo de ajuda ao nosso filho ou parente, há detalhes que devemos levar em consideração nesse momento para que se construa uma convivência adaptada à nova situação. Quanto mais claras as prioridades, melhor a nova situação vai funcionar.

  • Ter consciência de que o papel de filho é diferente para uns e outros.
  • Negociar e estabelecer tarefas e regras de convivência.
  • Falar claramente com nosso filho ou nosso parente. O fato de que a pessoa tenha passado por uma experiência difícil não significa que devemos estabelecer uma situação de superproteção prolongada.
  • Alguns dias depois da pessoa ter se instalado no nosso lar, procurar perguntar sobre o futuro e saber sobre o planejamento para que todos possam entender que essa situação é temporária.
  • Não se descuidar das suas próprias necessidades e rotinas.
  • Não conversar exclusivamente sobre a independência ou a crise pessoal. Buscar momentos de descanso psicológico.
  • Diminuir a emoção expressada.

Como vemos, o retorno à casa dos pais é um processo de apoio e compreensão entre as partes envolvidas. Um momento no qual a comunicação, o entendimento e o carinho vão evitar deixar mais difícil uma situação que, por si só, já é complicada.

“A vitalidade se revela não apenas na capacidade de persistir, mas também na de começar de novo.”
-Francis Scott Fitzgerald-

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