Wabi Sabi, a beleza da imperfeição

· setembro 1, 2018

Wabi Sabi é um conceito zen que faz referência à capacidade de ver a beleza no imperfeito. Trata-se de uma filosofia oriental que chegou ao Ocidente como uma ferramenta aplicável não apenas ao desenvolvimento pessoal, mas também para a busca de uma existência plena e feliz.

Wabi Sabi é a arte da harmonia e do bem-estar baseados na imperfeição. É a capacidade de encontrar beleza mesmo nas coisas mais simples. Leonard Koren, autor de Wabi Sabi para artistas, desenhistas, poetas e filósofos, afirma que se trata de tudo aquilo que se refere à beleza tradicional japonesa e que busca coisas imperfeitas e incompletas. Wabi Sabi é, definitivamente, a aceitação das coisas pouco convencionais.

Agora, é importante mencionar que o Wabi Sabi não somente faz referência a fatores externos, mas também a conceitos mais profundos como a humildade, a simplicidade, a solidão e inclusive o abandono. Define um modo de viver em paz consigo mesmo e com o seu entorno, valorizando a simplicidade da rotina diária.

Origem do conceito Wabi Sabi

Wabi Sabi tem sua origem relacionada ao conceito budista de Tri Laksana, o qual afirma que tudo que acontece na natureza está sujeito a três características fundamentais: a insubstancialidade do eu, a transitoriedade e o sofrimento.

Desse modo, é válido destacar que Wabi Sabi é um padrão estético oriental comparável ao padrões de beleza para os ocidentais. Ambos, no entanto, não têm nada em comum um com o outro.

A beleza da natureza

A origem etimológica da palavra Wabi se refere à frugalidade ou moderação que impede a ostentação e o luxo. O conceito é justamente contrário à extravagância e ao desperdício. Já a palavra Sabi se refere à serenidade e à tranquilidade que chega com a idade ou com a maturidade emocional e intelectual.

Portanto, Wabi Sabi destaca a beleza que existe no imperfeito. A grandeza que o simples apresenta, mas também não ignora o decadente do mundo, em que a tristeza e a desolação se fundem em uma absoluta melancolia.

Kintsukuroi: o objeto se torna mais belo e forte após quebrar

Podemos estabelecer uma relação do conceito Wabi Sabi com a técnica japonesa chamada Kintsukuroi. Essa técnica consiste na reparação de objetos quebrados a partir da união das partes com ouro. Desse modo, o objeto fica ainda mais bonito e forte do que antes de ser quebrado.

Além disso, podemos relacionar o conceito com uma alma que sofreu uma ferida tão grande que sentiu-se quebrada, desintegrada, mas se reconstruiu ainda mais forte. O que a filosofia Kintsukuroi ensina é que a adversidade pode ser uma oportunidade para se transformar em uma pessoa muito mais forte e bela, sendo as marcas da adversidade um modo de lembrar que apesar do sofrimento e dos problemas, todo indivíduo tem a capacidade de se restaurar de maneira integral graças a seu poder de resiliência.

Dentro da psicologia, a resiliência faz referência à capacidade de fazer frente a uma situação adversa e sair ainda mais forte dela. A pessoa descobre recursos em seu interior que nem ela mesma conhecia, e que a ajudam a se recompor após a vivência de uma experiência traumática.

Desse modo, para o indivíduo resiliente um problema ou uma crise é um desafio, uma oportunidade para crescer e favorecer seu desenvolvimento pessoal. A dor é vista como um motor para alcançar novas metas, avançar e conseguir estar em equilíbrio de novo.

A força da natureza

Encontrar a saída para cada labirinto da vida, voltar a estar completamente em harmonia consigo mesmo e com o outro após a pior das situações é uma das melhores capacidades que o ser humano apresenta.

Os limites só existem se realmente acreditamos neles. A maneira de alcançar o que a princípio parece impossível é acreditar e simplesmente fazer o que tiver que ser feito pouco a pouco, todo dia um pequeno passo.

O mais importante é focar principalmente em manter a capacidade de não se chatear com os problemas, estabelecer meta claras, acreditar que é possível apesar de um caminho muito tortuoso e confiar em toda a nossa força.

Definitivamente, ter a capacidade de reconhecer que estamos em um mundo caótico, complexo e com data para acabar e, apesar de tudo isso, ser feliz, é fundamental para poder aproveitar a vida. Não podemos antecipar as perdas, que fazem parte da essência da vida da qual não podemos fugir.