A teoria do caos: quando o bater das asas de uma borboleta muda tudo

· fevereiro 13, 2019

Todos nós conhecemos o chamado efeito borboleta, que faz parte da essência da teoria do caos, uma lei enunciada por James Yorke que nos lembra algo fundamental. O mundo não segue uma pauta milimétrica e previsível; queiramos ou não, em nossas vidas também existe o caos, esse pequeno espaço para o destino no qual é quase impossível prever o efeito de certos eventos.

É comum associar a teoria do caos com os seus elementos originais: a matemática e a física. No entanto, com frequência esquecemos que estas ciências têm uma aplicação direta em nossa vida cotidiana.

Na verdade, poucos paradigmas têm uma repercussão tão direta em muitas das nossas áreas de comportamento e conhecimento. Além disso, o próprio James Yorke resume em uma simples frase a transcendência da sua teoria: devemos estar preparados para mudar os planos a qualquer momento.

“Na vida é importante ser flexível. Eu não planejo as coisas, prefiro descobri-las”.
– James Yorke, pai da teoria do caos –

Cada um de nós tem um grau de tolerância diante da incerteza. A partir de um certo ponto, o nosso cérebro fica em “modo de alerta” diante do que pode acontecer.

Preferimos a estabilidade, saber que dois mais dois são quatro, e que aquilo que nos cerca e temos hoje vai continuar estando conosco no dia de amanhã. Tudo isso nos proporciona um equilíbrio emocional.

No entanto, a teoria do caos indica que a vida e o seu desenlace não respondem ao avanço rítmico e perfeito de um relógio. O imprevisível e incontrolável vive sempre entre nós.

É a espada de Dâmocles que pode cair em qualquer momento. É a borboleta que hoje voa nos Estados Unidos e, mais tarde, vai chegar à Europa na forma de uma crise econômica. É a bola branca que jogamos na mesa de bilhar que faz com que o resto das bolas se mova, às vezes, rumo a direções inesperadas.

Caminhos a seguir

A teoria do caos: a natureza é imprevisível

A teoria do caos diz, em poucas palavras, que o resultado de um acontecimento depende de diferentes variáveis cujo comportamento nem sempre podemos predizer com total precisão. Sempre existe uma margem de erro, uma lacuna para o destino, um bater de asas que, no último momento, muda tudo. Às vezes uma pequena diferença gera um efeito de grandes proporções.

Há quem diga que a teoria do caos configura um dos campos mais maravilhosos da matemática moderna, a ciência que tenda predizer o comportamento dos sistemas que são praticamente imprevisíveis.

Não esqueçamos que, até não muito tempo atrás, o propósito do mundo científico era eliminar a variável da “incerteza” para poder descrever com exatidão o comportamento de quase qualquer coisa.

No entanto, atualmente, aceita-se essa margem onde o destino e o imprevisível podem, em um dado momento, mudar tudo. Na verdade, é isso que descobriu o meteorologista e matemático Edward Lorenza, em 1961, quando tentou criar um sistema de computação para prever o tempo.

De repente, ele percebeu que, devido a um erro de arredondamento nos números, todo o sistema tinha começado a mostrar um comportamento visivelmente imprevisível. Mais tarde, esta experiência lhe serviu para formular o famoso efeito borboleta.

A teoria do caos

O caos habita entre nós de forma constante

Os fenômenos caóticos são comuns não só na natureza, mas também nas previsões do tempo ou, inclusive, na biologia. Não existe nenhuma área que fique isenta desse comportamento imprevisível.

Desse modo, todos esses fenômenos caóticos acontecem todos os dias, sem que nós os percebamos, na economia, na termodinâmica, na astronomia e, inclusive, na psicologia.

Atualmente, sabemos que com qualquer pequena perturbação em nosso cérebro (como a alteração de um neurotransmissor) podem ocorrer mudanças bastante drásticas em nosso comportamento. Além disso, a psiquiatria também aplica a teoria do caos. Às vezes, ao administrar um remédio a um paciente, existe uma pequena probabilidade de que o efeito observado seja o oposto do esperado.

“O leve bater das asas de uma borboleta pode ser sentido do outro lado do mundo”.
– Provérbio chinês –

Como aplicar a teoria do caos na vida cotidiana?

Em nosso dia a dia, todos tentamos evitar o caos. Só assim nos sentimos seguros, só assim conseguimos construir vidas nas quais o previsível nos permita sair de casa sem medo, para olhar o futuro com confiança. Pois bem, assim como explica James Yorke, pai dessa teoria, o melhor é estar preparado para mudar os planos a qualquer momento.

De algum modo, este princípio está relacionado com outras teorias atuais. Fazemos referência à lógica do “cisne negro”, enunciada pelo economista e matemático Nassim Nicholas Taleb.

Em seu notável livro, que tem o mesmo título dado à sua teoria, ele lembra que a maioria das pessoas está condicionada por uma visão de mundo onde tudo parece, à primeira vista, previsível. No entanto, em um dado momento surge o estranho, o caótico… um evento que não esperávamos. Um acontecimento imprevisível que somos obrigados a assumir e a racionalizar.

Efeito borboleta

Em vez de ter que agir quando esse caos já está instalado diante de nós, o ideal seria estar preparado. James Yorke lembra que as pessoas que atingem o sucesso e a felicidade são aquelas que sempre têm um plano “B” debaixo da manga.

Vamos fazer um esforço para desenvolver uma mentalidade flexível e um ponto de vista que não fique limitado a reagir diante dos eventos, mas a assumi-los com curiosidade e aceitação. Porque, muitas vezes, é no caos que surgem as oportunidades.